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A autoconfiança como ferramenta transformadora

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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

“Não tenho a menor dúvida de que a maioria das pessoas vive, seja física, intelectual ou moralmente, em um círculo deveras restrito do seu ser potencial. Elas usam uma parcela ínfima da sua consciência possível, mais ou menos como o homem adquire o hábito de usar e de mover, de todo o seu organismo físico, apenas o dedo mínimo. Todos nós temos reservatórios de vida a serem aproveitados, com que sequer sonhamos.”

Este pensamento do filósofo e psicólogo norte-americano William James, um dos maiores pensadores do século XIX, e considerado por muitos como o “pai da psicologia americana”, não envelhece apesar de ter sido feito há mais de 100 anos. William, de quem já falamos antes ao debater os padrões comportamentais que moldam caráter e personalidade, defende que a razão pela qual tantas pessoas nunca realizam seu potencial não é a falta de inteligência, oportunidade ou recursos, mas a falta de crença em si mesmas. Ou, em outras palavras, pouca autoconfiança: sem isso, você pode fazer pouco, mas com isso, você pode fazer qualquer coisa!

Estátua de uma menina com as mãos na cintura em pose imponente.

Mas o que é confiança, afinal?

Muitas vezes, as pessoas pensam em confiança como algo destinado a poucos afortunados. Não é verdade. Confiança não é um atributo fixo, e sim o resultado dos pensamentos que temos e das ações que tomamos. Não é algo baseado em sua habilidade real para ter sucesso em uma tarefa, mas em sua crença em sua capacidade de ter sucesso. Por exemplo, a sua crença em sua capacidade de falar diante de um público, de aprender uma nova tecnologia, de liderar uma equipe, de lidar com confrontos ou gerenciar conflitos, de mudar de emprego ou carreira, de sair de um relacionamento ou de começar um negócio.

Já está estabelecido há muito tempo que as crenças que mantemos, verdadeiras ou não, direcionam nossas ações e moldam nossas vidas. A boa notícia é que novas pesquisas sobre plasticidade neural revelam que podemos literalmente reconectar nossos cérebros de maneiras que afetam nossos pensamentos e comportamentos em qualquer idade. Isso significa que não importa o quão tímido ou receoso você seja, construir autoconfiança é em grande parte o que os psicólogos chamam de volição, um processo cognitivo através do qual um indivíduo se decide a praticar uma ação em particular.

Ou, usando a linguagem leiga, fazer algo “por escolha”. Com um esforço consistente e a coragem de assumir um risco, podemos expandir gradualmente nossa confiança e, com isso, nossa capacidade de construir mais do mesmo.

É claro que a confiança pode aumentar e diminuir ao longo de nossas vidas. Ela é estimulada quando experimentamos uma vitória ou recebemos elogios. Por outro lado, ela sofre um baque quando somos criticados, rejeitados ou simplesmente sentimos falta de reconhecimento externo. Portanto, é vital não se tornar excessivamente dependente da afirmação externa para sustentar nossa autoestima, mas assumir a responsabilidade de tomar as ações necessárias para sustentá-la.

A seguir, listamos cinco estratégias, todas apoiadas pela ciência, para ajudá-lo no seu caminho, começando com o mais poderoso de todos.

Agir como se…

Assim como as receitas mais simples produzem os melhores pratos, o conselho mais simples pode produzir os melhores resultados. A maneira mais poderosa de construir confiança é agir com a confiança que você deseja ter. Isto é, agir como se você já possuísse a confiança que você almeja. Para isso, é fundamental sair da sua zona de conforto.

Alex Malley, autor do best-seller de The Naked CEO, afirma: “A única maneira de aumentar a autoconfiança é se arriscar e agir, apesar do medo do fracasso, confusão ou constrangimento. Se as coisas derem certo, agora você sabe que pode fazer mais do que pensa. Se as coisas não funcionarem, você agora sabe que pode lidar com mais do que pensa. De qualquer forma, você está melhor.”

Encontre sua power posing.

O power posing, ou posicionamento de poder em português, é uma hipótese que afirma que, assumindo uma postura poderosa, o sujeito pode induzir mudanças hormonais e comportamentais positivas. Esta ideia, lançada pela professora de Harvard Amy Cuddy com Dana Carney e Andy Yap em um artigo publicado em 2010, afirma que quando mudamos o nosso estado físico, mudamos também nosso estado mental e emocional. Segundo os estudiosos, o power posing provoca mudanças reais na nossa fisiologia, liberando uma carga saudável de testosterona para abastecer a nossa bravura.

Essa estratégia é muito utilizada entre atletas de alto rendimento. Em modalidades onde o esforço mental sobrepõe o esforço físico, como no caso do xadrez e demais esportes mentais, essa qualidade ganha ainda mais importância. A crença em si mesmo é o grande diferencial dos maiores campeões e exerce um papel crucial em suas conquistas.

No caso do blackjack, seja na versão clássica, europeia ou norte-americana do jogo, não adianta ter uma memória de elefante se a sua postura corporal estiver lá embaixo. Ter o controle de suas próprias emoções permite que você se concentre nos demais jogadores e saiba decifrar suas expressões. Também permite que você adote uma postura enigmática diante dos adversários e não entregue a sua estratégia.

Canalize seus heróis

Pense em alguém que você admira muito, uma figura que irradie um sentimento de confiança e pense sobre o que essa pessoa faria ou diria se estivesse enfrentando os seus desafios e oportunidades atuais. A escritora Margie Warrel conta em seu livro Find Your Courage que uma vez treinou uma cliente que estava tendo dificuldades para falar em suas reuniões semanais (dominadas por homens) para imaginar que ela tivesse a confiança de Hillary Clinton.

Para sua surpresa, a cliente sentiu os efeitos da técnica e se sentiu mais poderosa com isso. Dez anos depois, ela assumiu a presidência da empresa.

Menino lendo um livro sentado em uma mesa.

Concentre-se no que você quer

Tudo aquilo em que colocamos a nossa atenção é amplificado na realidade. Concentre-se nas coisas que o deixam ansioso e você ficará mais ansioso. Concentre-se nas coisas que o inspiram e você se sentirá mais poderoso.

Então, em vez de se aterrorizar concentrando-se no que você não quer que aconteça, concentre-se no que você gostaria de realizar e nunca reduza o custo da inação. Em suma: concentre-se no que te inspira, não no que te assusta.

Ensaie Mentalmente

A visualização é uma ferramenta altamente eficaz para gerar confiança. Assim, para ajudá-lo a “agir como se”, tente imaginar-se fazendo (ou dizendo) o que quer que você queira com uma crença silenciosa, mas inabalável, em sua capacidade de fazê-lo bem. Se é uma conversa que você precisa ter, pratique-a algumas vezes antes. Isso fará toda a diferença.

Como todas as emoções, a confiança gera confiança. Por isso, tome a decisão consciente e corajosa de não dar à autodúvida o poder de evitar uma ambição ousada, ter uma conversa difícil ou colocar seu orgulho na linha por uma causa maior que o seu ego. Afinal, a confiança é algo difícil de se definir, porém fácil de se reconhecer. Com isso, você pode conquistar o mundo. Sem isso, você viverá eternamente preso a um restrito círculo do seu ser potencial.

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