Comportamento

Crianças inteligentes cometem ações surpreendentes para os outros e normais para elas mesmas

Menino segurando mini globo terrestre com roupa social olhando para cima
Fabiano de Abreu
Escrito por Fabiano de Abreu

Primeiramente, vamos entender o verdadeiro significado das palavras para mergulhar na profundidade dos conceitos em que encontramos o lar do conhecimento, da consciência e da razão.

Cognitivo é uma expressão relacionada ao processo de aquisição de conhecimento. O processo cognitivo envolve diversos fatores e nuances dentro do conhecimento e das percepções através da arquitetura da mente. Falamos de memória primitiva, o inconsciente, o sobre inconsciente, o pré consciente e o consciente. Pensamentos, linguagem, percepção, memória, raciocínio, entre muitos outros fatores, como comportamento, personalidade etc que fazem parte do desenvolvimento intelectual. A experiência é parte relevante no desenvolvimento do cognitivo.

Menino segurando livro com roupa social e expressão de surpresa
Foto de Ben White no Unsplash

A inteligência é genética e é diferente de intelecto. O intelecto pode ser trabalhado e desenvolvido dentro do conhecimento adquirido e da experiência. A inteligência é algo que possuímos com características muito próprias desde que nascemos. Uma pessoa de grande inteligência tende a ser um intelectual e intelectual é quem tem e busca conhecimento de determinados temas.

Agora que sabemos o significado das palavras podemos nos aprofundar mais ainda nessa linha de conhecimento. Por vezes, ter noções mais corretas e fiéis de certas características e comportamentos ajuda os pais a lidar com os seus filhos de uma outra forma, entendendo algumas das problemáticas nos seus sentidos mais amplos e ao mesmo tempo compreender que o que parece nem sempre é.

“Para educar alguém precisamos educar a nós mesmos”

Eu sempre digo que para educar alguém precisamos educar a nós mesmos. Muitos pais educam os seus filhos dentro do próprio princípio, sem a busca de uma lógica e um entendimento amplo sobre as razões do filho. Não esqueçamos que em muitas das vezes os comportamentos dos nossos filhos são o reflexo dos nossos próprios comportamentos, funcionamos muito como espelho, somos a base.

Uma criança rebelde não deixará de ser rebelde apenas por a repreendermos. O progenitor ou quem estiver encarregado da sua educação deve tentar entender o motivo da rebeldia e conseguir remediar de forma racional. Deve desbravar caminho para que a própria criança possa compreender e, por vontade própria, dentro do convencimento tentar mudar o seu comportamento.

Uma criança inteligente, de alto QI, tem o cognitivo mais desenvolvido que muitas outras crianças do seu ciclo, diferenciando-se assim do comportamento natural das demais e, dessa forma, pode se sentir incompreendida. Observamos muitas vezes que esse tipo de criança é quase um camaleão, mesmo que inconscientemente. Ela se adapta quase instantaneamente ao local e à pessoa com quem se encontra de forma a se integrar. Consegue ser criança mas também ser mais adulta se a ocasião assim o pedir. Mudam os assuntos, a forma de estar e comportar, a forma de falar e de ocupar o espaço. Não deixa de ser também uma manipulação constante e da qual ela não tem verdadeira consciência.

Uma criança com um cognitivo avançado devido à sua alta inteligência numa idade que não tem experiência ainda para ter consciência do seu comportamento vive uma dualidade: experiência vs. inteligência, com o cognitivo baseado nesta inteligência. Portanto, o seu comportamento pode ser entendido de uma forma diferente e, assim, o adulto não saber lidar com essa educação.

Menina deitada em carrinho de jardim olhando para o alto e gramado
Foto de Blake Meyer no Unsplash

Crianças inteligentes tendem a mentir, mas também não podemos confundir a mentira crua com manipulação. A mentira, ou mentirinha, pode ser uma forma de manipular para conquistar de forma inteligente. Nessa situação os adultos têm a capacidade de distinguir, pois a criança ainda não tem a experiência necessária para que possa fazer uma melhor manipulação e cairmos nela. Mentir não é necessariamente um padrão de comportamento mau.

A mentira faz parte do mundo infantil, por conta da fantasia, do pensamento mágico.

Usar a inteligência para mentir manipulando os que a amam para obter o resultado final a seu favor é completamente natural. Deve existir, contudo, alguém que identifique os excessos e saiba delimitar, cortar e impor limites para proteger essa criança dela mesma.

Comportamento rebelde pode ser um aviso de uma falta que precisa ser suprida. A rebeldia é o resultado da independência programada da criança até mesmo como resposta de querer ser como o adulto e acreditar que esse posicionamento o iguala.

Irmãos fazendo guerra de travesseiro em cama com penas espalhadas pelo quarto
Foto Allen Taylor no Unsplash

Ser inteligente não significa que a criança não precise de ser guiada, amada e educada.

Não devemos acreditar que se a criança é inteligente o tempo junto com a sua inteligência a fará se auto educar ou ela, sozinha, encontrará uma forma para ter um bom futuro. Traumas ou uma má educação na infância refletem-se nos problemas dessa criança quando se tornar adulto.

Se queremos o melhor para os nossos filhos ou os nossos educandos, devemos ter inteligência para saber lidar com eles e os ajuda para que possam ser adultos plenos e grandes profissionais. Ter o resultado que pretendemos começa a partir da educação dada desde a infância.

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A inteligência pode, sim, ser responsável pela auto educação e percepção do que é melhor para si, mas nunca sem supervisão e limites impostos. A criança tem que sentir que o mundo não gira em torno dela, que há mais para além da sua existência e que para cada escolha ou ato há uma consequência. Ensinar a saber lidar com as perdas e com os ganhos, saber dosear a excitação e a frustração são alguns dos principais papéis dos pais. O adulto ao educar não se deve deixar cegar. A inteligência emocional é uma presença constante entre pais e filhos, para o bem e para o mal e, muitas vezes, os pais não enxergam verdadeiramente as situações que têm perante si. O emocional pode atrapalhar com toda a certeza, e por vezes é preciso criar um pouco de distância para compreender as problemáticas. Temos que contribuir para que o seu futuro seja bom, recheado de bastantes conquistas sempre vinculadas ao uso pleno da sua inteligência e capacidades.

Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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