Autoconhecimento

Dois olhares, dois modos de ser

Mão escrevendo de caneta uma seta entre A e B.
Sign A - B written on the Wipe board
Daniel Rezinovsky
Escrito por Daniel Rezinovsky

Podemos ver a vida e as pessoas de duas maneiras opostas e complementares. A primeira (A) opera a partir da narrativa oficial – é do mundo e reconhece o cânone do que pode ser falado, sentido e validado por todos. A segunda (B) está além da narrativa oficial e é ontologicamente muito diversa. Se você está no modo A e encontra alguém que está no modo A, temos uma relação tradicional, como as que ocorrem na maior parte do tempo nas nossas vidas. Se você está na orientação B e encontra alguém que está na orientação A, algumas situações são possíveis:

Uma seta indo diretamente do ponto A ao B e outra indo por um caminho entrelaçado.

  • A pessoa A responde ao estado B e se permite entrar no B: Ocorre quando estamos num diálogo que se move do superficial para o profundo, e quando saímos de uma relação de personas para uma relação de almas;
  • A pessoa A não responde ao estado B e permanece no A: É o que ocorre normalmente quando as duas orientações se encontram e temos um choque de consciências, com conflitos de todos os tipos que podem ser desencadeados;
  • A pessoa B se encontra com uma pessoa A e flui para a orientação A: Harmonicamente pode-se voltar a uma relação A-A;
  • Uma orientação B se encontra diretamente com outra orientação B: Isso é o que desencadeia amizades profundas, encontros amorosos, experiências transcendentais a dois, dentre outras. É importante destacar que todos oscilamos entre as duas orientações, alguns mais para a A, alguns mais para a B.

Casal ri e a mulher coloca a mão sobre o rosto do homem.

Nos relacionamentos, muitos desentendimentos ocorrem devido a choques entre orientações, que irrompem em momentos pouco favoráveis, ou então, à sua falta – casais que se perdem gradualmente na atividade incessante do cotidiano e têm dificuldades de dialogar sobre os seus sentimentos, destinos e propósitos, por exemplo. As duas orientações também se expressam dentro de nossa consciência e provocam incessantes conflitos em relação à vida e ao mundo.

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A orientação A é um sim a como as coisas são, à naturalidade do mundo, ao fluxo normal das coisas; a orientação B é um sim ao outro lado do mundo, um não à ordem estabelecida, um não à experiência normal da vida. Na maior parte do tempo, as duas orientações estão dissociadas, é difícil estar em ambas simultaneamente. Também é impossível estar em A ou B de modo puro e temos várias proporções possíveis que configuram os vários temperamentos e orientações vitais que as pessoas podem expressar.

Mão traçando uma linha entre o ponto A e B em uma lousa.

As duas orientações, simultaneamente, formam o estado não-dual.
Não é algo usual para a maior parte de nós. É a experiência normal da vida – orientação A – vivida com os olhos da consciência supermundana – orientação B; os momentos súbitos de iluminação que temos quando percebemos uma beleza transcendental por trás da ordinariedade das coisas; quando alguém percebe um evento absolutamente corriqueiro como mágico; quando o olhar que vê a vida através da eternidade se encontra com o olhar que está imerso no tempo. Podemos chamar essa condição de AB.

Outro movimento não-dual entre A e B é o inverso – B visto pelos olhos de A, BA. Isso ocorre quando a percepção transmundana da vida entra no curso normal do mundo e se torna parte integral dele.

Sobre o autor

Daniel Rezinovsky

Daniel Rezinovsky

Daniel Rezinovsky é psicoterapeuta, escritor e artista plástico. Já teve o seu trabalho divulgado na RPCTV, Rádio CBN, Paraná TV, “Revista ÓTV”, “Revista Ser Espírita” e jornal “O Globo”. Coordena o canal de espiritualidade no YouTube Rompendo o Véu, e é autor do livro “Encontro com o Absoluto”, lançado em 2018.

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