Meditação

A meditação mais importante para começar o dia

Mulher meditando sob piso de madeira, com um vidro separando-a de uma floresta
Daniel Rezinovsky
Escrito por Daniel Rezinovsky

Quando acordar não pense inicialmente nos seus problemas e responsabilidades. Permita-se um espaço para respirar, para não pensar e não fazer nada. Alguns minutos antes, esse mundo inteiro não existia para você. O que isso realmente diz da natureza deste mundo ninguém sabe. Mas ao menos sabemos que a existência do mundo depende de algo que está em nós. A consciência, talvez. Mas não fazemos ideia do que ela seja. Se soubéssemos de verdade, talvez o jogo do mundo não existiria mais.

Tome o chá, o café, o copo de água ou o suco matutino de sua preferência. Concentre-se nele. Esqueça-se de todo o resto. Não ligue a TV ou o smartphone e nem mesmo leia os jornais ou as revistas. Sente-se no chão, se puder. Feche os olhos. O tempo é mais plástico do que imaginamos. Deixe que ele se dilate, que os segundos se tornem realmente amplos. Sinta a ponta dos seus dedos. Se esse fosse o seu último dia neste mundo, o que realmente importaria? Para onde iria sua atenção?

Mãos segurando copo

Se estiver sonolento, melhor. A hipnose do mundo não tarda em emaranhar as nossas mentes. Em pouco tempo essa pequena janela de consciência se fechará e o fluxo quase ininterrupto de preocupações e problemas assumirá o centro da consciência. Não importa. Se ao menos por alguns breves momentos, todas as manhãs, pudermos prolongar esse espaço de consciência, algum dia talvez ele se torne longo o suficiente para que um dia inteiro seja vivido assim.

Olhe pela janela. Talvez veja carros, pessoas, o burburinho do mundo. Ou então o lento balançar de árvores e plantas. Não importa. Estamos mais um dia no plano da consciência humana. Aqui nossa consciência é parcial, fragmentada, dual e na maior parte do tempo sofremos com problemas que não somos capazes de resolver. Possivelmente a estrutura seja assim para que a consciência possa despertar para a sua natureza. Assim dizem muitos. Então, se pudermos ter um espaço de não envolvimento, de uma sutil distância em relação ao que nos acontece e ao que pensamos, poderemos viver, quem sabe, um pouco do nosso dia com um olho aberto interiormente. Manter um pé no outro lado da mente enquanto vivemos nossas vidas.

Mulher olhando pela janela ao amanhecer

A consciência, espírito ou alma que nos habita gradualmente se torna mais viva. Sua capacidade de se manter presente aumenta. A hipnose do mundo interior conturbado lentamente perde um pouco de seu poder. Durante o dia surgem vislumbres. Enquanto saboreia uma maçã, por um breve instante ela se mostra mais nítida. Você vê, finalmente, a maçã na sua mão, que come todos os dias sem perceber muito bem. A consciência acordou. Ela vê, por um segundo, o mundo sem filtros. Sem análises. Mas dura pouco. De repente alguém chama a sua atenção e você se lembra do que estava pensando.


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Sobre o autor

Daniel Rezinovsky

Daniel Rezinovsky

Daniel Rezinovsky é psicólogo transpessoal, escritor e poeta. A base do seu trabalho é o processo de transformação de consciência, também conhecido como despertar. Já teve o seu trabalho divulgado na RPCTV, Rádio CBN, Paraná TV, Revista ÓTV, Revista Ser Espírita e jornal O Globo. Coordena o canal de espiritualidade no YouTube projeto MU, e é autor do livro Encontro com o Absoluto, lançado pela editora Coffeers, em 2018.

Minhas raízes estão na filosofia oriental e no processo de transformação de consciência, também conhecido como despertar. Tenho uma visão da psique como sendo essencialmente um centro de autoequilíbrio, uma dimensão de inteligência profunda que nos leva gradualmente ao nosso propósito e verdadeira natureza. Não considero o sofrimento psíquico como sendo patológico, como o faz a cultura moderna. Penso ao contrário, que são momentos da noite escura da alma, em que somos colocados em contato com a nossa essência. Minha abordagem estimula a reflexão filosófica e a autoexploração através de práticas meditativas, auto-observação, práticas expressivas, leituras e um contato pessoal e significativo. As minhas bases são a sinceridade e a amizade, que espontaneamente nos levam a transcender as nossas máscaras, permitindo um contato íntimo e verdadeiro. Vejo que vivemos num período de crise cultural profunda e, por isso, o despertar ocorre a partir do confronto com o caos do mundo. É esse encontro, no entanto, que nos permite manifestar a nossa alma e o nosso centro autêntico.

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