Convivendo

O grande teatro da vida adulta

Mulher ruiva segurando as máscaras características da alegria e da tristeza.
Nathalia Lanfredi
Escrito por Nathalia Lanfredi
Não tenho certeza em que momento eu me tornei adulta, tampouco sei se realmente sou uma. Só sei que certo dia eu acordei e tinha responsabilidades que não costumava ter e boletos para pagar.

Desde esse dia, a tal “vida adulta” só me cerca ainda mais e cada ano que passa mais obrigações e contas aparecem no meu colo.

Mas, uma coisa curiosa de ter entrado no mundo dos adultos é poder observar bem de perto como eles se comportam e o mais engraçado é como todos interpretam papéis o tempo todo, agradando a todos menos a eles próprios.

Percebi que há um certo costume entre pessoas adultas em que eles sorriem quando não estão felizes, não choram quando estão tristes, dizem “sim” querendo dizer “não”, engolem todo tipo de sapo de todo mundo ao redor, mantendo uma postura alegre e agradável quando estão completamente quebrados por dentro.

Isso acontece principalmente quando são pais, há casos em que os filhos já são maiores de idade, vacinados e bem conscientes, mas mesmo assim os pais ainda deixam de fazer por si próprios só para não desagradar seus filhos. Eu só consigo me perguntar até onde isso é saudável.

Afro-americana depressiva apoiada no beiral da janela.

Afinal, é assim tão bom? Manter a pose de herói? Fazer tudo para agradar outros adultos que não dão a mínima para você?

Entre tantos tópicos da vida adulta que poderiam ser abordados, acredito que esse seja o que mais precisa ser conversado, porque à medida que crescemos, perdemos nossa identidade, engavetamos nossos sonhos, abrimos mão do nosso bem-estar e alegria por outros que, sinceramente, podem te substituir a qualquer momento.

Algumas pessoas já me disseram que eu sou muito ruim ou muito chata, porque simplesmente não consigo fingir que sinto algo que não estou realmente sentindo, e olha, eu gosto muito disso e tenho aceitado cada vez mais que o que é visto como “ruindade” para os outros é o que me mantém sã e seguindo os caminhos que me trazem alegria.

Por isso, caros adultos, o conselho que deixo é: chore quando tiver que chorar, sorria quando quiser, expresse sua felicidade e sua tristeza intensamente quando vierem, acolha e ame as suas emoções.

Você não é obrigado a amar ninguém, nem conviver com ninguém, nem aturar um trabalho que te faz mal, tampouco um relacionamento abusivo só por causa do que sua família ou a sociedade vão pensar.

Entre tantos outros exemplos que poderia dar aqui, simplifico dizendo que você não é obrigado a nada que não queira nessa vida.

Só não se esqueça de ser educado, respeitar as diferenças, cuidar bem da natureza e dos animais, e não ferir fisicamente nem emocionalmente os coleguinhas, afinal, todo bem que fazemos para o outro fazemos por nós mesmos.

Mulher segurando duas fotografias. Uma sorrindo e a outra gritando. Ela é loira e usa uma camisa listrada azul e branca.

Fora isso, meu bem, você é livre, a vida é uma só e não há nada melhor do que aproveitar a liberdade de “ser adulto” para viver os melhores e mais felizes dias da sua vida.


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Sobre o autor

Nathalia Lanfredi

Nathalia Lanfredi

Estudante de Relações Públicas, Libriana e Assistente de Comunicação aqui do EuSemFronteiras, sempre fui muito curiosa e tento entender como funcionam todas as coisas que envolvem o comportamento e os relacionamentos humanos. Por isso, a vida me guiou para estudar a comunicação e o autoconhecimento, e, por sorte, aqui eu consigo unir as duas coisas que amo e, assim, tentarei compartilhar com vocês um pouco das experiências que já vivi e espero que de alguma forma eu consiga contribuir positivamente com a evolução de vocês!

Instagram: @nathalialanfredi