Cristianismo Espiritualidade

O perdão divino

Grupo de oração rezando com a bíblia aberta
thainoipho / Canva
Escrito por Vander Luiz Rocha

Estávamos debatendo um tema quando o monitor entrou na sala e nos esclareceu.

Disse-nos ele que a vida terrena é tão somente um momento dentro do infinito divino, embora aos que a vivem pareça-lhes eterna e única. O propósito dessa experiência é fomentar representações propícias ao desenvolvimento naquilo que cada vivente carece.

Ao rico foi dado experimentar a opulência e lhe será cobrado como a utilizou, ao pobre é oferecido aprender a tolerância e assim em diante, todos serão examinados sobre o que aprenderam. Ao voltarem à terra repetirão as matérias em que não se saíram bem.

― Então aqui estamos por castigo, penando os nossos erros? ― Perguntei.

― Nada de castigos, Deus é bom pai e o bom pai ensina a fazer melhor, nós, viventes terrenos, gozamos do perdão divino ― respondeu prontamente o monitor.

― Ora! Se tenho que repetir a lição, que perdão é esse?

Daqui em diante somente ele falou, nós apenas ouvimos.

― Lembremos:

Pedro, aproximando-se do mestre, o perguntou: “Até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?” .

Homem com as mãos juntas orando sobre bíblia aberta
thainoipho / Canva

Como resposta obteve que não até sete; mas, até setenta vezes sete. Isto é, infinitamente.

Matutemos sobre alguns ensinamentos:

Segundo a filosofia do yôga, o perdão é um dos caminhos do dever. É uma virtude que abre a porta para a luz. É uma bênção tanto para quem recebe como para quem concede.

Em Salmos 86:5 tem-se:

Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam.”.

A adúltera, após ser apresentada sob a acusação, do divino emissário ela teve como resposta: “Vai-te, e não peques mais”.

E, como um grande final, estuda-se a parábola sobre filho mais moço, identificado comumente como filho pródigo, que o pai, em júbilo, o aceitou de volta.

Em um, vê-se o dever e a bênção, em dois temos a benignidade pelo perdão, em três deu-se nova oportunidade e em quatro a aceitação do filho para o recomeço.

Assim sendo, o que é perdão ficou lúcido uma vez que perdoar é dar, a quem errou para conosco, a oportunidade de repetir as mesmas experiências tantas vezes quantas necessárias até que acerte, ou seja, setenta vezes sete.

O renascer terreno, portanto, se dá por perdão divino para que assimilemos melhor o não bem aprendido antes.

O monitor se retirou e ficamos a refletir.

Sobre o autor

Vander Luiz Rocha

Vander Luiz Rocha, nascido na cidade de Conselheiro Lafaiete, no estado de Minas Gerais, Brasil, em 1939.

Criado dentro dos princípios da tradicional família mineira, teve no catolicismo a sua primeira religião.

Na adolescência, dos 7 aos 14 anos, fez, como interno, o Seminário Menor da Ordem dos Redentoristas, na época em Congonhas do Campo, MG. Naqueles momentos o cenário de vida foi o barroco e o fundo musical o canto gregoriano.

Deixando o seminário, tornou-se não religioso e se dedicou aos estudos e ao trabalho em Belo Horizonte. Inicialmente se formou em contabilidade e, posteriormente, graduou-se em administração, com o título de bacharel. A sua vida privada foi alimentada por essas profissões.

Em 1973, mudou-se com a família, esposa e três filhas para São Paulo, indo residir no ABC Paulista, em São Caetano do Sul, trabalhando em empresas da região, tendo se interessado pelo espiritismo e adotando-o em 1976 como escola de vida.

Após preparar-se em cursos feitos sob supervisão da Federação Espírita de São Paulo, SP, tornou-se servidor, no segmento palestrante, e expositor de cursos em casas de socorro espiritual, e com os socorridos muito aprendeu.

Nos dias atuais, continua a se dedicar à filosofia espiritualista, adaptando as palestras para textos escritos.

Possui várias obras editadas e ganhou prêmios literários.

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