Autoconhecimento

Você pode ser quem você quiser

Amanda Magliaro
Escrito por Amanda Magliaro
Não, este não é um texto de autoajuda. Ou quase. Entenda-o como a ciência da autoajuda. O cérebro é um órgão fascinante, ele controla nossos pensamentos, ações, emoções, sentidos e movimento. Enfim, ele é o grande responsável pelo nosso lado emocional e racional — portanto, aquela imagem de coração e cérebro brigando deveria ser, na realidade, dois cérebros. De qualquer forma, por muito tempo, a ciência acreditou que o cérebro, ao atingir a fase adulta, parava de se desenvolver. Isso é, ainda podíamos aprender, entretanto ele não produziria mais neurônios e ficaria cada vez mais debilitado com o passar dos anos. Contudo, hoje sabemos que nosso cérebro não funciona assim graças a uma característica chamada neuroplasticidade. E isso, meus amigos, é a sua chance científica de alcançar ou ser quem você quiser.

Como a neuroplasticidade influencia a sua vida

A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se moldar e adaptar a novas situações e realidades. Isso fica extremamente claro quando analisamos aqueles que sofreram algum tipo de trauma, por exemplo, as pessoas que ficam cegas passam a perceber o mundo através do desenvolvimento dos outros sentidos. No caso de um cientista chamado Paul Bach-y-Rita, da Universidade de Wisconsin, ele criou um dispositivo que permitiu a uma pessoa, cujo sistema vestibular (conjunto de órgãos responsáveis pela manutenção do equilíbrio) tinha sido danificado, recuperar seu senso de equilíbrio. Dessa forma, muitos outros experimentos foram feitos e comprovaram a capacidade do cérebro de se “reinventar”, principalmente em resposta a um trauma.

Porém, não é só de traumas que vive a neuroplasticidade. Um estudo realizado pelo neurocientista Eleanor Maguire, da University College de Londres, estudou o cérebro — mais especificamente o hipocampo (área do cérebro responsável pela memória espacial — de taxistas antes e depois de estudarem para exames de licenciatura e descobriram que o hipocampo cresceu após esse processo. Isso revelou que o cérebro não só é capaz de adaptar seus circuitos, mas também de criar novos para desenvolver novas habilidades.

Como a neuroplasticidade pode influenciar a sua vida

— Quando eu crescer, quero ser cientista.
— Ah! Eu quero ser dançarina.
— Eu só quero ser feliz mesmo.

Três belíssimos sonhos. Tanto para o primeiro quanto para o segundo é necessário desenvolver determinadas habilidades: para ser cientista, é preciso um bom raciocínio lógico e grande conhecimento na área desejada — seja medical, biológica ou exatas. Já para ser dançarina é preciso ter um profundo conhecimento do próprio corpo, ter elasticidade, saber a teoria das danças, o ritmo dos gêneros musicais e a intensidade dos movimentos. E tudo isso pode ser aprendido com o tempo. Com o devido comprometimento, seu cérebro vai se adaptar à sua necessidade de aprendizado e, com o passar do tempo, se desenvolverá para isso. Quantos idosos não começam a dançar depois de uma certa idade? Quantas pessoas não se tornam cientistas só depois de passarem longos anos de dedicação a uma outra profissão? Tudo é possível e, graças a neuroplasticidade, nunca é tarde!

A felicidade vem de dentro, mas só conseguimos acessá-la quando estamos de bem com a vida e conosco mesmos.

Agora, quanto ao desejo de ser feliz… Talvez você já tenha tido raiva de uma pessoa otimista. É incrível como ela consegue estar tranquila e esperançosa quando o mundo está para desabar. Mas na realidade — por mais que tenhamos dificuldades de aceitar esse jeito angelical dela — é comprovado que o otimismo melhora a nossa tolerância à dor e diminui nossa sensação de solidão — o que talvez explicaria por que as pessoas otimistas costumam ser menos ciumentas. A questão é: podemos ser treinados para sermos mais otimistas, simplesmente nos focando mais nas coisas que estão dando certo, ao invés de concentrar nossa energia nos problemas do dia a dia. E o que você ganha com isso? Fora os benefícios já mencionados:

  • Sua vida fica mais leve;
  • Seus problemas ganham menos importância;
  • Você fica mais livre para se dedicar às suas paixões;

E, principalmente, com o coração tranquilo e a cabeça no lugar, você tem mais tempo para ser feliz. Porque, de fato, a felicidade vem de dentro, mas só conseguimos acessá-la quando estamos de bem com a vida e conosco mesmos. Portanto, use a neuroplasticidade para desenvolver suas habilidades, inclusive a capacidade de ser otimista. E, como diria o grande lema da Barbie, seja quem você quiser.

Sobre o autor

Amanda Magliaro

Amanda Magliaro

Redatora e tradutora, me apaixonei pela vida desde que aprendi a enxergar tudo o que ela tem para oferecer. Existem aquelas pessoas que nunca conseguiram encontrar seu caminho, até o próprio caminho decidir ir ao seu encontro, eu fui uma delas.

Num mundo cheio de possibilidades, escolhi acolher todas quando comecei a escrever. A busca por ser alguém melhor e mais feliz, e a chance de poder auxiliar uma pessoa que seja através da magia das palavras é o que significa para mim ter meu sonho se realizando todos os dias.