Autoconhecimento Terapia de Regressão

A morte e os guias para a longa jornada no além durante a Idade Média

Tereza Gurgel
Escrito por Tereza Gurgel

A vida é curta, e logo vai acabar;
A morte vem rapidamente e não respeita ninguém,
A morte destrói tudo e não tem pena de ninguém.
Para a morte, estamos correndo, vamos nos abster de pecar.

– Livro Vermelho de Montserrat, 1399

Neste artigo vamos conhecer alguns exemplos de tratados sobre a morte durante a Idade Média: os “Ars Moriendi“, as “Consolatio” e as “Danças Macabras”.

Ars Moriendi

arsmoriendipagesOs Ars moriendi (“A Arte de Morrer“, em latim) eram livros destinados ao preparo de cristãos para uma boa morte. Esses escritos, muito populares, surgiram no início do século V sob diversas formas e versões, permanecendo até 1700. Acreditava-se que o destino eterno de alguém era decidido no momento da morte e o propósito destas obras era auxiliar o moribundo a escapar da punição eterna através de uma penitência genuína.

Os textos eram ilustrados com imagens de demônios e suas tentações, contrapostos por outras imagens de anjos e suas virtudes.

Basicamente, o livro continha seis capítulos:

  • o primeiro explica que a morte tem um lado bom e servia para consolar o moribundo que não há nada para se temer.
  • o segundo traça as tentações que cercam a pessoa na hora da morte e como evitá-las. Essas tentações podiam ser: avareza, desespero, falta de fé, orgulho espiritual, impaciência.
  • o terceiro capítulo lista uma série de questões que deveriam ser feitas ao doente, assim como as consolações possíveis a ele, advindas do amor de Cristo, que tudo redime.
  • o quarto capítulo fala sobre a necessidade de imitar a vida de Cristo.
  • o quinto capítulo é endereçado aos familiares e amigos, ensinando como deviam se portar à cabeceira do moribundo.
  • o último capítulo traz as orações que devem ser recitadas aos enfermos.
Consolatio

As “Consolações” ou “Discurso de Consolo” é um discurso usado para acalmar os familiares de um falecido durante as cerimônias fúnebres. O primeiro discurso deste tipo que se tem notícia foi composto pelo filósofo grego Crantor de Solis, o qual restam apenas fragmentos. O gênero continuou através da Idade Média, chegando até a era moderna.

Na Idade Média a ideologia cristã ensinava que os sofrimento e a própria morte eram a punição para a queda de Adão, mas admitiam que as tribulações da vida poderiam servir de veículos de correção divina. A “arte do luto” durante o renascimento foi expressa em diversas  cartas consoladoras manuscritas. A abertura convencional de uma Consolatio era: Todos devem morrer; até o mais velho deve morrer; o mais jovem também deve morrer“.

 Danse Macabre

Danse Macabre, por Michael Wolgemut

A “Dança Macabra” é uma alegoria artístico-literária do final da Idade Média sobre a universalidade da morte: não importa o estatuto de uma pessoa em vida, a dança da morte une a todos. Há representações de Danças macabras na literatura, pintura, escultura e música.

O tema consiste na representação personificada da Morte conduzindo uma fileira de indivíduos de todos os estratos sociais a dançar em direção aos próprios túmulos. Tipicamente nela estão representados as figuras de um Imperador, um Rei, um Papa, um monge, um jovem e uma bela mulher, todos sob a forma de esqueletos.

Acredita-se que representações artísticas de Danças macabras surgiram no século XIV, provavelmente na França e que estaria relacionada a peças teatrais que dramatizavam a ideia da Morte. Outros autores consideram a Espanha como possível lugar de origem, pois o tema do “Anjo da Morte” era comum ali por causa da influência mourisca e hebreia.

Estas representações foram produzidas sob o impacto da Peste Negra, a doença que assolou a Europa por volta de 1348, e que contribuiu para avivar nas pessoas a noção do quão frágeis e efêmeras eram as suas existências… e quão vãs eram as glórias da vida terrena material.

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Sobre o autor

Tereza Gurgel

Tereza Gurgel

Formada em Psicologia (F.F.C.L. São Marcos - SP). Filiada à ABRATH (Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos) sob o número CRTH-BR 0271. Atua na área Holística com Reiki, Terapia de Regressão e Florais de Bach. Mestrado em Reiki Essencial Metafísico e Bioenergético Usui Reiki Ryoho, Shiki, Tibetano e Celtic Reiki. Ministra cursos de Reiki e atende em São Paulo (SP).

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