A vida que simplesmente acontece, a biologia do seu corpo, segue seu curso, você a explicando ou não. Seu coração continua batendo independentemente de você sequer saber de sua existência.
Agora, a vida que se reconhece como você, esse ser cheio de anseios e receios, esse sim deseja explicação para tudo.
Direto ao ponto
Como uma vida pensante, queremos entender quem nos criou, por que estamos aqui, qual o sentido disso tudo. Para nós, tudo tem significado.
E passamos a dar significado para as pequenas coisas: para aparentes coincidências em nosso dia a dia, para encontros pouco esperados ou mesmo comuns com seres ou forças da natureza. Tudo virou símbolo para entendermos as entrelinhas da vida.
O poder dos símbolos na percepção do mundo
Os símbolos nascem disso e têm grande poder no nosso modo de entender o mundo. Uma borboleta azul cruza o caminho de uma mulher e, a depender da cultura de onde ela vem, isso pode representar boa sorte ou uma mensagem de um ente querido já falecido.
O uso dos símbolos está presente em nossa sociedade desde que passamos a pintar paredes e certamente muito antes, quem sabe até mesmo antes de desenvolvermos uma comunicação verbal.
Isso pode se dar pelo fato de nosso inconsciente não responder à lógica, sendo ele o principal motor de nosso comportamento. Não agimos necessariamente de forma racional, mas reagimos continuamente aos estímulos externos e racionalizamos nossa resposta a eles.
Sendo assim, os símbolos têm um impacto profundo na nossa percepção de mundo, já que o inconsciente responde ao subjetivo e ao abstrato, o plano ao qual o símbolo pertence. O símbolo é a linguagem do inconsciente.
A arte, o simbolismo e a transformação interna
A arte está carregada de simbolismo, embora não seja a única que o usa para dar sentido ao que pertence ao campo da não lógica. É muito mais sobre o impacto em como nos sentimos no mundo do que em como pensamos o mesmo.
Uma ideia não lhe transforma a não ser que seja sentida profundamente em seu corpo. A não ser que invada a narrativa dominante em seu inconsciente, que possui portões que só podem ser abertos por nossas emoções mais intensas.
O símbolo não é necessariamente universal; ele carrega o significado que atribuímos a ele. Porém, se esse significado estiver bem enraizado na percepção de uma cultura, esses símbolos irão ditar o caminho que essas pessoas seguirão.
Veja o exemplo da bandeira de um país: um pedaço de pano com formas geométricas coloridas inspira em muitos o sentimento de patriotismo, um amor profundo por pertencer àquela nação. Ou a imagem de uma cruz, que para muitos traz a representação do sacrifício de Cristo pela humanidade.
O mito pessoal e as mandalas de essência
O poder do símbolo guia os caminhos de comunidades que influenciam as ações de cada indivíduo. Entender este poder pode nos ajudar, uma vez que nos inspira em nossas jornadas pessoais, servindo como lembrete do caminho que estamos trilhando e das fases que vivemos.
Um bom exercício é refletir e identificar símbolos que possam estar pautando a sua percepção de mundo e guiando seu modo de se envolver com este. Símbolos vão além de um casulo que representa metamorfose: são os acontecimentos de seu dia a dia, como a chegada de um novo desafio ou a partida de um ente querido.
Estes são símbolos que marcam os ciclos de uma jornada e, embora sejam muitas vezes vistos como acontecimentos inesperados e ou indesejados, podem ser agentes de grande transformação se você estiver disposto a se atentar ao significado deles.
Outros símbolos representam sua história interior, aquele mito e arquétipo que tem vivido e nem se dá conta. Sonhos são povoados dessa simbologia, carregam significado profundo em suas imagens aparentemente sem sentido.
Sonhos são a essência de como o inconsciente funciona, do padrão ilógico que molda nosso comportamento. Se atentar a esses símbolos pode lhe dar pistas claras de padrões inconscientes que drenam a força do herói.
A Criança Eterna: um relato pessoal de sombra e despertar
Colocando-me como exemplo: carrego há algum tempo o arquétipo da Criança Eterna, o Peter Pan, aquele que não deseja crescer.
Em seu lado luz, é o adulto que mantém sua inocência e o maravilhamento com a vida; no lado sombra, é o adulto que foge das responsabilidades e dos desafios da jornada. Eu passei muito tempo vivenciando essa sombra sem perceber, mesmo com isso se manifestando claramente em minhas falhas e quedas. Um símbolo nítido desse padrão era sonhar com frequência com os lares em que morei quando ainda pequeno, misturando memórias da infância com a vida adulta.
Você também pode gostar
Hoje assumo a criança interna no meu olhar para a vida, mas caminhando com as pernas firmes do adulto. A vigília ainda é constante, e o desafio de não cair na velha tendência permanece presente. No entanto, essa é a jornada: uma aventura repleta de monstros e obstáculos que, ao serem enfrentados, dissolvem o medo que temos de avançar e amadurecer.
Por fim, quero convidar você a refletir: que símbolos marcam a sua vida e influenciam o seu modo de ver o mundo?
Se sentir vontade de compartilhar, deixe sua reflexão nos comentários. Um abraço e até a próxima.
