Autoconhecimento Consciência Aplicada

Amor e movimento em tempo de pandemia

Mulher com braços abertos com mato e céu azul ao fundo
Silvana Jara Faciole

Encontrar o amor nem sempre é fácil, porque estamos o tempo todo à frente do momento.

Todos os nossos erros e acertos estão condicionados à atenção que damos às coisas.

Vivemos longe da verdade, sempre esperando o tempo ideal para começar.

Nem conseguimos dizer nosso nome, contar nossa história, sem lembrar ou projetar; mas, se pudéssemos sentir apenas o que ecoa em nossos ouvidos e em nosso coração nesta exata fração de segundo, poderíamos enxergar através da fresta de nossa janela interior e encontrar resposta para todas as nossas dúvidas, dores e aflições.

Quantos projetos e sonhos se desfazem neste momento de dor, de silêncio e perdas, mas quantas ideias nascem do momento em que, no silêncio, nos desprendemos de nossas amarras, da nossa mesmice, dos nossos movimentos viciosos, das nossas crenças ultrapassadas e limitadoras que nos impedem de viver.

Mulher em pé com sol ao fundo refletindo
Imagem disponibilizada pela autora. Fotógrafo: Fernando Faciole

Não há nada que seja permanente, nada que se estagne na mente, no corpo e no coração.

Nossas emoções se projetam sobre a parede e sobre o nosso corpo como ondas que nos sufocam e encobrem a nossa capacidade de reagir diante da mudança.

Dançar na dor, dançar no amor… A dança é a vida que se apresenta e se despede todos os dias e que não paramos para olhar com olhos de amor.

Na sinfonia das cordas se conhecem os limites e as possibilidades. No vaivém delas, a descoberta da inconstância e do contraste.

No pulsar das teclas do piano, os pontos de luz se expandem e se dissipam no ar, carregando a luz para todas as direções, fazendo com que encontremos caminhos, lembranças e memórias em todos os lados.

Na voz que circula em torno dos nossos ouvidos, a lucidez do movimento que tudo alcança, das ondas que ocupam o espaço e nos envolvem como num abraço sem fim.

O espaço contido que temos hoje se transforma na fonte ilimitada da criação.

Vista de coqueiros com mata verde e mar ao fundo através de janela de pedras
Imagem disponibilizada pela autora. Fotógrafo: Fernando Faciole

Ao dançar não temos nada a não ser o que nos habita internamente, e isso cabe em qualquer lugar.

Dançar em tempos de pandemia significa abrir nosso corpo e nossa mente para o sentir eterno que nos conecta com todo o universo, com a fresta que nos permite estar dentro e fora, perto e longe, conectados e desconectados de tudo e de todos.

No som dos pássaros que ouvimos e prezamos, a força de saber que o alimento do corpo e da alma sempre estará ao nosso dispor.

Dançamos não em movimentos amplos, mas no simples pulsar dos nossos corações, nas ondas cerebrais que se perdem em caminhos tortuosos.

Dançamos no respiro que recebe a força para viver e que expele o veneno que nos consome.

Dançamos nos olhos que se encontram em pequenos espaços, procurando no olhar do outro o reflexo de nossa alma.

Dançamos na nossa sombra que anuncia a partida do nosso sol.

Dançamos na fala que conduzimos e espalhamos no ar.

Dançamos no sorriso que quebra montanhas do cansaço e da dor.

Dançamos no corpo partido farto de esperar.

Dançamos na impossibilidade, no silêncio, na dor e no amor.

Tudo em nós se movimenta.

Tudo em nós se reconstrói.

Tudo em nós explode como notas musicais adocicadas.

Nosso corpo interior dança, nossos órgãos dançam, todo nosso ser dança…

Atrás deste movimento uma pergunta: o que devemos compreender?

Atrás deste movimento uma dúvida: o que devemos encontrar nesta dança interior que ressignifica a nossa vida?

A aparente imobilidade que vivemos hoje é na verdade a roda-gigante que tudo movimenta, que altera a ordem das coisas, que nos faz ver ao longe, que nos faz subir além, que nos faz entrar em órbita e ver o céu, o mar, a terra, o fogo, o ar e tudo mais que nos habita.

Praia com águas claras e pedras ao fundo com céu azul com nuvens
Imagem disponibilizada pela autora. Fotógrafo: Fernando Faciole

Quantas vidas vivem em nós sem reclamar autoria?

Quantos cantos devemos cantar, quantas danças devemos dançar até encontrar o que realmente faz sentido?

Perceber que está na hora de mudar para acompanhar o movimento crescente e purificador da alma e da luz universal.

Vemos os barcos a vela além do horizonte.

Sentimos o vento a nos acalentar e a nos empurrar para o futuro.

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Sentimos a dificuldade de nos entregar, mas não conseguimos parar, porque a vida está cheia de portos onde os viajores devem passar.

Fluímos como o rio que corre em direção ao mar, mar este que na sua imensidão acolhe os rios e nascentes, assim como o corpo deságua no amor pelo movimento que tudo cria e tudo vê.

Amor em tempo de dor…

Amor e dança em tempo de mudança…

Amor em tempo de entrega…

Amor e espera no fluxo da terra.

Sobre o autor

Silvana Jara Faciole

Silvana Jara Faciole

Silvana Jara Faciole se formou em Dançaterapia, método Maria Fux, em julho de 2011, pelo Centro Internacional Dançaterapia Maria Fux, em Goiás, GO, associado a Si. Danza Scuola Internazionale di Danzaterapia da Itália, com os mestres: Maria Fux e Pio Campo.

Como Dançaterapeuta atua em Instituições nas áreas de educação, saúde e bem
estar; assim como na Educação Especial e ações de inclusão de pessoas com síndrome de down, surdocegos, com limitações físicas e intelectuais. O Projeto Dançaterapia foi aprovado pela SECULT (Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul) nos últimos 3 anos, sendo que em 2015 está em plena atividade no município, abrangendo a terceira idade, educação especial e instituição sócio assistencial infantil.

Cursos de atualização: Seminários Intensivos Anuais no Brasil, Itália e Espanha com Pio Campo e também em 2013 participou do Seminário Internacional de Dançaterapia no “Centro Creativo de Danzaterapia” em Buenos Aires, Argentina com Maria Fux.

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