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Como criamos a realidade?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Alguma vez uma pessoa te disse que você estava formando uma imagem sobre uma pessoa que não condizia com a realidade? Em um relacionamento amoroso, por exemplo, temos a tendência de idealizar a pessoa com quem nos envolvemos, então criamos uma visão sobre ela que está de acordo com o amor que sentimos.

Em relacionamentos abusivos, uma pessoa sente dificuldade para ver a pessoa que a está abusando com os olhos da razão, porque os sentimentos dela falam mais alto do que a percepção que ela tem sobre a realidade. É como se ela tivesse criado uma nova realidade a partir dos seus sentimentos.

Embora o exemplo acima represente um dos perigos da criação da realidade, é uma maneira simples de explicar como esse conceito se aplica. A criação da realidade nada mais é do que visualizar uma situação ou uma pessoa a partir de sentimentos e emoções, deixando a razão adormecida.

Muitas pessoas podem confundir a criação da realidade com uma ilusão. É verdade que em inúmeros casos os nossos sentimentos podem nos cegar para os comportamentos de outra pessoa. Também não é mentira que viver somente de acordo com o que sentimos, ignorando completamente a razão, pode levar a decisões equivocadas.

Imagem do rosto de um senhor grisalho e olhos azuis. Ele usa cavanhaque e bigode. As mãos de uma mulher segura o celular e a imagem que reflete na tela é de um bebê se referindo ao senhor quando criança.
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

No entanto a criação da realidade permite que abramos espaço para o poder que os nossos sentimentos assumem na forma como percebemos o mundo. Uma vez que reconhecemos que são os nossos sentimentos que determinam a nossa visão sobre as mais variadas questões, somos capazes de controlar as nossas atitudes com mais precisão.

Por mais que você acredite que todas as suas decisões são racionais, repare como na maioria das vezes elas fazem com que você se sinta bem com o que foi decidido. Os nossos sentimentos se disfarçam, para que eles nos conduzam sem nos darmos conta disso. Encontramos motivos racionais para agir de uma forma e não de outra, mas o que determina o ponto final é sempre a emoção.

Até então temos duas constatações: a criação da verdade se dá por meio dos sentimentos que temos e ela apresenta pontos positivos e negativos. Para entender detalhadamente cada uma das perspectivas sobre a criação da verdade, vamos pesar os dois lados da questão.

Imagem do rosto de um senhor de idade usando óculos, porém a imagem dele refletida na tela do celular é dele em sua infância.
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

A parte boa da criação da realidade

Uma pessoa que se deixa conduzir pelos sentimentos e não tem medo de assumi-los tem mais chance de tomar decisões e atitudes satisfatórias, que façam com que ela se sinta bem com quem é e com o que deseja. Reconhecer que os nossos sentimentos conduzem os nossos pensamentos e a visão que temos sobre as pessoas é criar uma realidade.

A nossa realidade é um conjunto das experiências que vivemos e de tudo o que já sentimos. Ou seja, uma pessoa que é consciente das dificuldades que enfrentou e das vitórias que conquistou estará apta a criar uma realidade que traduza suas memórias e suas histórias.

Para exemplificar a parte boa da criação da realidade: uma mulher estudou durante toda a vida sobre as bases patriarcais e racistas da sociedade. Ela reconhece que machismo e racismo são conceitos ultrapassados e quer excluí-los da sua realidade, porque evocam sentimentos negativos nela. Então ela busca ensinar outras pessoas sobre isso, formando uma realidade respeitosa e acolhedora a partir dos próprios sentimentos.

A criação da realidade é essencial para que possamos transmitir os nossos sentimentos e os transformar em algo prático. Dizemos como nos sentimos sobre uma questão, apresentamos argumentos e, a partir disso, promovemos mudanças na sociedade. Esse é um indício de que fomos capazes de criar uma realidade movidos pela intuição e pela emoção.

Imagem do rosto de um senhor. Mulher segura um celular e na imagem do celular é refletida a imagem de um bebê.
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

A parte ruim da criação da realidade

Nem sempre os nossos sentimentos nos fazem bem. O ciúme, o apego, a insegurança e o medo, por exemplo, são sensações negativas na vida de uma pessoa. Elas podem ser provocadas por inúmeras questões e pelos mais variados traumas e acabam criando uma realidade pessimista e perigosa.

Uma pessoa que se sente insegura tende a criar uma realidade na qual todas as pessoas são melhores do que ela ou imagina que ninguém nunca será capaz de avaliá-la de forma positiva. Nesse caso, o sentimento que cria a realidade dessa pessoa pode prejudicá-la, levando-a a adotar uma postura de descrença sobre si e sobre a vida.

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A solução para a parte ruim da criação da realidade, apesar disso, não envolve reprimir os sentimentos negativos para que eles não criem uma realidade pessimista. Uma pessoa que cria a realidade a partir de traumas deve procurar auxílio psicológico, para que ela seja capaz de vencer essas sensações e recuperar as emoções positivas sobre si ou sobre a pessoa com quem se relaciona.

A sua realidade será tão boa quanto os seus sentimentos. Por isso tenha certeza de que está com o seu coração em paz e com a sua mente sã para tomar as melhores decisões, para se envolver com as melhores pessoas e para aproveitar todo o seu potencial.

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