Autoconhecimento

Perdão – Uma opção por saúde e liberdade

perdão
Leila de Sousa Aranha
O que é opção? Sempre temos opção? Escolhas levam a consequências sempre? Perdão é ação ou reação? Somos seres pensantes e devemos agir como tais.

O conceito de saúde da Organização Mundial de Saúde nos dá uma ideia da importância de uma visão integral do ser humano:

“(…) estado de completo bem-estar físico, mental e social, não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade.”

Não dá para compartimentalizar a vida de

O ser saudável é capaz de cuidar de si mesmo e realizar atividades prazerosas, sentindo-se útil no seu dia a dia. Entretanto, ser livre é fazer tudo que se quer a qualquer hora? Liberdade é não ter compromisso? Ou ser livre é ter autonomia, agir sem medo ou por raiva? Quem é verdadeiramente livre sabe fazer boas escolhas, tem autocontrole emocional, não se deixa aprisionar por modismos, sejam eles quais forem.

Mas o que é o perdão? 

Aceitar/validar o que foi feito? É esquecer? É um sentimento? É uma emoção? 

O que sabemos sobre perdoar? 

Quem perdoa é fraco, submisso, sem vontade? 

Como superar a raiva?

Na visão da psicologia, trata-se de um ato consciente, autônomo, corajoso, diante da dor de uma possível injustiça, mal-entendido ou violência. Optar por romper com o sofrimento exige clareza mental, desejo de ser feliz e de seguir em frente. As providências pertinentes a cada caso, sejam quais forem, devem ser tomadas, mas a pessoa não precisa ficar refém do ocorrido. Deixar o passado no passado é condição necessária para abrir espaço ao perdão. Perdoar não é esquecer, porque é preciso lembrar qual caminho levou àquele sofrimento, que atitudes e comportamentos provocaram a vivência desafiadora para não repeti-los inadvertidamente. Lembrar é importante, remoer, não.

perdão

Na minha experiência clínica, percebo que a raiva é uma resposta automática para a maioria das pessoas que se sentem ameaçadas em qualquer nível. Como diz o Dr. Luskin (2007), ter o perdão como opção diante das situações desagradáveis da vida é uma decisão. Não dá para fazer isso de uma vez só e pronto. É necessário repetir e repetir até que se torne parte de nossas escolhas mais simples.

Todos que se dispuseram a superar as mágoas e ressentimentos, dando uma chance para si, obtiveram êxito no autoperdão. Na verdade, todo perdão é um autoperdão, pois é você quem tem que se libertar da história passada.

Quando a dor parece não ter fim e o perdão não vem, quando você se encontra fora do equilíbrio – e sabe disso porque está sentindo emoção negativa – não pode recuperá-lo se caminhar na direção negativa. Você tem que dar um passo atrás e encontrar seu espaço de equilíbrio antes de prosseguir.

Ester Hicks (2008) diz que é necessário ter flexibilidade para melhor conviver na diversidade. Isso exige muito de cada um de nós, entretanto, não temos como fugir do convívio humano. Funcionamos melhor quando aceitamos o outro como ele é.

O que percebo é que o processo de perdão pode ser lento, mas é eficaz. Quem se dispõe a iniciá-lo não se arrepende, porque encontra meios seguros para conhecer-se e aceitar-se plenamente, perdoando-se e perdoando o outro.

Qual o lugar do perdão na nossa vida?

Para responder a essa pergunta, é preciso considerar o conceito de perdão, suas características e experiências vividas. De que perdão estamos falando? Tudo que foi dito até agora faz sentido na prática da vida? Será que consigo começar a pensar em perdoar?

Bem, a mudança é possível desde que se queira realmente, mas não vou te enganar: só podemos mudar a nós mesmos. Sendo assim, é necessário abrir mão da reclamação, da transferência de responsabilidade, das desculpas de todo tipo. Cada um de nós é responsável por seus atos.

O perdão pode se tornar uma dessas opções que desejamos ter diante de algumas situações na vida, mas vai depender de sermos mais dóceis com nós mesmos, de não permitirmos que nos firam por qualquer coisa, de colocarmos limites nos outros e em nós. Será que neste momento de mudança de atitude existe alguma ação em especial que devemos ter? Sim. Autoamor.

Quem não se ama, não se perdoa, e não perdoa ninguém. É preciso cuidar-se delicadamente, com insistência e equilíbrio. Isso faz parte de desejar e buscar ser feliz. Dessa forma, obtém-se alegria de viver, e alegria de viver é resultado de construção amorosa.

Ame-se e logo encontrará quem tenha vontade de fazer o mesmo por você.

 

Bibliografia
CASARJIAN, R. O Livro do Perdão: o caminho para o coração tranquilo. São Paulo: Rocco, 1992.
GOLEMAN, D. Como lidar com emoções destrutivas para viver em paz com você e com os outros. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
HICKS, E. & HICKS, J. O universo conspira a seu favor. São Paulo: Ediouro, 2008.
LUSKIN, F. O Poder do Perdão. São Paulo: Francis, 2007.
LUSKIN, F. & PELLETIER, K. R. Acabe de vez com o estresse. São Paulo: Francis, 2008.

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Sobre o autor

Leila de Sousa Aranha

Leila de Sousa Aranha

Sou psicóloga clínica, formada em Jornalismo e com Mestrado em Psicopatologia e Saúde, com o tema de pesquisa sobre o Perdão Interpessoal.
Atendo pessoas de todas as idades em consultório particular há 15 anos e gosto muito do ser humano, de acompanhar o seu desenvolvimento e auxiliar a melhor lidar com as situações de sua etapa de vida.

Sou divorciada e mãe de duas mulheres de 31 e 27 anos. Gosto de arte marcial e treino Aikido. Sou vegetariana, aprecio a natureza e os animais e gosto de encontrar meus amigos com frequência.

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