Comportamento

Pílula da Inteligência. MIto ou verdade?

Diversas pílulas de remédios coloridas vistas de cima
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras


Há dez anos, a Revista Superinteressante divulgou uma reportagem sobre o que seria uma pílula da inteligência. Quem a tomasse, seria capaz de pensar mais, absorver melhor o que aprende e se concentrar por mais tempo em uma atividade. No entanto esse desejo de aumentar a própria produtividade não começou em 2009. Soldados romanos ingeriam alho puro para um melhor desempenho em batalhas e outros povos tomavam cerveja antes dos conflitos. Com o passar do tempo, o que eram estimulantes naturais tornaram-se drogas de alta potência e de resultados comprovados.

No período da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1939, o uso de anfetaminas (substâncias químicas estimulantes que podem causar dependência) tornou-se popular entre os soldados nazistas e entre os soldados aliados.

Em 1956, o remédio Ritalina foi lançado. De aparência inofensiva, essa substância é utilizada até hoje para tratar crianças e adolescentes que sofrem com déficit de atenção. Não demorou para que seu uso se tornasse uma forma de melhorar a concentração de qualquer pessoa. Outras drogas foram desenvolvidas com o mesmo propósito e tiveram uma recepção parecida entre todos os usuários, mas dividiu opiniões entre a sociedade médica. Todas elas receberam o nome de pílulas da inteligência, sendo Modafinil o nome do primeiro remédio considerado seguro desse tipo.

Três tipos de remédios separados vistos de cima
As pessoas que recorriam a esse tipo de remédio para melhorar o próprio desempenho no trabalho ou na escola aproveitavam um resultado positivo de concentração e eficiência, que acreditavam não conseguir sem o auxílio das drogas. Enquanto isso, alguns médicos defendiam que os efeitos colaterais dessa medicação seriam negativos para os usuários, como dependência ou até o desenvolvimento da Síndrome de Stevens-Johnson, iniciando com sintomas que se aproximam de uma gripe, evoluindo para bolhas e erupções na pele (no caso do medicamento Modafinil). Outros, porém, afirmavam que essas drogas eram seguras por estarem apenas trazendo uma ajuda, sem adicionar ao cérebro algo que não existia antes. De um jeito ou de outro, era um consenso da comunidade médica de que os remédios não traziam inteligência, apenas aproveitavam melhorar a capacidade de cada usuário.

As controvérsias sobre os medicamentos e os riscos que apresentavam tornaram a venda desses produtos cada vez mais controlada e restrita. No caso do Modafinil, a venda foi proibida na Grã-Bretanha. Apesar disso, em 2016, o repórter da BBC, Benjamin Zand, experimentou o medicamento comprado na Índia por meio de um site. O resultado foi diferente do que esperava: inicialmente, sentiu que estava mais concentrado em seu trabalho; nos momentos seguintes, concentrava-se em distrações, sentia dores pelo corpo e teve problemas intestinais. Os efeitos positivos, para o repórter, não compensaram os efeitos negativos. Apesar dos efeitos negativos, em 2018, uma pesquisa feita pelo jornal Nature mostrou que 25% das pessoas que estão na universidade fazem uso de remédios conhecidos como pílula da inteligência.

Problemas como falta de sono e dificuldade para concentrar podem ser atenuados com a pílula da inteligência, trazendo a sensação de que a pessoa se tornou mais inteligente. Ainda assim é preciso conhecer os riscos e todos os efeitos de medicamentos que parecem milagrosos. O controle da venda e o do uso comprovam a importância de ingerir drogas como Ritalina com a cautela que não existia há dez anos.


Texto desenvolvido por Julia Gravalos Benini da Equipe EuSemFronteiras.

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