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Por que estamos pagando tão caro pela gasolina no Brasil?

Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos
Este artigo explica porque estamos pagando tão caro pela gasolina no Brasil; afirma que “os direitos só se conquistam pela luta” e termina dizendo que “o povo precisa reagir” e “a hora é agora”.

Depois de maio de 2013, o Brasil vive novamente um clima de indignação nacional: o aumento quase que semanal dos combustíveis. Será que isso será capaz de fazer o gigante adormecido acordar? Espera-se que sim! Por causa disso, já vem acontecendo em vários estados do país protestos e manifestações organizadas de repúdio à política adotada pela Petrobras. Manifestações legítimas, uma vez que o cidadão brasileiro vem pagando uma conta que não é só dele.

Com o objetivo de sanar as dívidas da empresa e reconquistar a confiança dos acionistas, a Petrobras adotou uma nova política de preço que faz o aumento dos combustíveis ser quase que diário. Mas você sabe que política é essa? A Petrobras equiparou o preço dos combustíveis ao mercado internacional, que inclui custos como frete de navios, de transportes e taxas portuárias. Além disso, atrelou o preço da gasolina à volatilidade da taxa de câmbio e dos preços sobre estadias em portos e tributos.

Essa nova política de ajuste dos combustíveis no Brasil está sujeito a fatores externos. Dessa forma, qualquer crise ou conflito que aconteça no mercado externo, o brasileiro sente no bolso. Para muitos especialistas, o melhor que o governo poderia fazer é privatizar a Petrobras. O pior que pode acontecer nesse momento é o governo ficar intervindo na política de preços da empresa. “Ou uma coisa ou outra” – dizem os especialistas. No entanto, para muitos, a confiança é que a Petrobras sairá mais fortalecida do que o Governo.

No meio dessa crise toda, a pergunta que todo brasileiro faz é: vale a pena abastecer o carro com álcool? Especialistas dão conta de que só compensa abastecer o automóvel com álcool se o seu preço for até 70% do da gasolina. Dessa forma, o motorista precisa ficar atento a esse cálculo na hora de abastecer, pois o álcool rende menos do que a gasolina e, no final das contas, ele pode acabar entrando no prejuízo.

Na década de 90, o Brasil passou por uma crise semelhante. O mundo vivia uma instabilidade em relação ao suprimento do petróleo, principal fonte de combustível para os transportes, as indústrias e as usinas termelétricas. O alto preço e a ameaça de escassez de petróleo levaram muitos países a investir em combustíveis alternativos. O Programa Nacional do Álcool foi uma das medidas adotadas pelo Brasil nesse período. Com o passar dos anos, o Programa foi deixado de lado e, atualmente, está totalmente esquecido.

No Brasil, o álcool ou etanol é produzido a partir da cana-de-açúcar fermentado por fungos (leveduras) e é utilizado para movimentar carros e outros veículos.
Ao abastecer com álcool, além de estar fazendo uma bela economia no bolso, o consumidor contribui também com o meio ambiente. O etanol é um recurso natural, enquanto que a gasolina é um recurso não renovável; o etanol libera menos energia ao meio ambiente do que a gasolina, causando, assim, menos problemas ambientais e doenças respiratórias, principalmente nas grandes cidades. Para o meio ambiente, estudos comparativos apontam que é melhor o uso do etanol do que o da gasolina.

Desde as “diretas já”, passando pelos “caras pintadas”, as “manifestações de rua de maio de 2013”, até a “greve dos caminhoneiros”, o brasileiro aprendeu que os direitos só são conquistados por meio da luta. Dessa forma, não podemos ficar “deitados em berço esplêndido” esperando o salvador da pátria chegar, até porque ele não existe.

A cidadania é um processo de conquista. O povo precisa reagir. Os caminhoneiros estão fazendo a parte deles e já conquistaram bastantes coisas pelo país afora. Aqui em Manaus também teve manifestação de caminhoneiros, de motoristas de carros particulares e de moto-taxistas. A hora é agora!


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Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).