Convivendo

Racismo e a ilusão das cores

Homem usando máscara de proteção no rosto andando em frente a uma faixa na rua escrito "vidas negas importam"
Clay Banks/Unsplash
David Hugo Peczenik
Escrito por David Hugo Peczenik

A pandemia, por meio da prática da quarentena, isolou grande parte da população mundial, forçando-a a adaptações em seu estilo e ritmo de vida. O trabalho remoto se popularizou, a comunicação com familiares, amigos e colegas se dá apenas de forma virtual, e o convívio diário foi reduzido às pessoas que vivem conosco. O distanciamento social nos levou a olharmos para dentro de nós mesmos.

Na ânsia de sair do claustro doméstico, multidões em vários países se aventuraram nas ruas causando novos aumentos de casos. Realmente, parece que a situação está dizendo para nós “fiquem em casa, aproveitem para refletir sobre suas vidas”.

Reféns de um vírus, buscamos informação do que ocorre no mundo lá fora, e as notícias raramente são as melhores. Entre elas, a do assassinato de um jovem, por um policial, pelo fato de terem cores de pele diferentes.

Pessoas protestando contra o racismo e uma mulher segurando cartaz escrito "sem justiça sem paz"
Clay Banks/Unsplash

O racismo não é um fenômeno novo na história das sociedades. A quantidade de episódios em que o preconceito racial manchou a jornada evolutiva da Humanidade preencheria um sem-número de livros.

Tribos indígenas norte-americanas dizimadas pelo homem “branco”, que as chamavam de peles-vermelhas; a discriminação a alguns povos orientais, rotulados como amarelos; a escravidão dos povos africanos, tratados por “negros”.

O brutal assassinato de George Floyd nos faz pensar que, mesmo nos Estados Unidos, um país considerado desenvolvido, a praga do racismo ainda mostra suas garras.

Homenagem para George Floyd com um grafite em um muro e cartazes, flores no chão
Munshots/Unsplash

De acordo com os ensinamentos cabalísticos, o corpo é a morada temporária da alma. Viemos a este mundo material para cumprir nossa missão, que é a de criar conexão com o Criador, compartilhando com o próximo.

Cientes do nosso propósito, entendemos que a missão do jovem George foi interrompida por ele ser “negro”, e o policial que covardemente o matou, se distanciou de sua missão espiritual, fazendo exatamente o oposto do que deveria.

A Cabala ensina que o mundo que percebemos através de nossos cinco sentidos representa apenas 1% de toda a realidade.

No mundo material, só enxergamos consequências aparentemente desconexas. Tudo aparentemente aconteceu de repente, porque as causas, na verdade, estão ocultas de nossas percepções.

Mulher olhando para cima com olhar de tristeza
Beth Tate/Unsplash

Nele experimentamos a dor, a morte, a fome, o medo, o caos. Também experimentamos o amor, o prazer e a felicidade, mas não de forma plena.

A plenitude se encontra nos 99% que completariam nossa realidade. E esses 99% podem ser alcançados por meio do trabalho espiritual.

O racismo é uma prova clara de que muitos ainda não discerniram o que é realmente importante para vivermos em plenitude.

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Acredito que possam ter estranhado o fato de apenas ter marcado “branco” e “negros”, e não amarelos ou peles-vermelhas, mas segundo a Física, nem o preto e nem o branco são consideradas cores propriamente ditas.

O que há dentro de cada um de nós é sagrado. É uma centelha divina, uma verdadeira porção do Criador.

Onde vemos cores, na verdade, deveríamos ver luzes.

Sobre o autor

David Hugo Peczenik

David Hugo Peczenik

Judeu, tive meu primeiro contato com a cabala aos 8 anos, por meio do meu avô materno.

Em 1998 me afiliei à Ordem Rosacruz, onde comecei a dar palestras e cursos sobre o tema, no estado do Rio de Janeiro.

Escrevo em minhas páginas do Facebook e Instagram intituladas “O Pomar dos Aprendizes”.

Assinei uma coluna sobre cabala em um jornal online de uma cidade no Rio de Janeiro e fui convidado a escrever um artigo para uma revista de bairro de grande tiragem.

Atualmente realizo lives e dou cursos à distância.

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