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A Consciência Negra para a sociedade

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Escrito por Eu Sem Fronteiras
As primeiras civilizações do mundo desenvolveram-se a partir da criação de novas tecnologias. Técnicas de plantio, de construção de casas, de irrigação de terras, de criação de animais, de preparo de alimentos e de proteção contra animais foram o princípio do que se poderia entender por uma sociedade organizada.

Depois disso, desenvolveram-se conceitos como a divisão de terras e a divisão de trabalho, além da escolha de líderes para cada comunidade que seriam responsáveis pela administração de conflitos e pela manutenção do funcionamento de cada setor da sociedade em constante desenvolvimento.

Com o passar do tempo, a criação do dinheiro e o desejo de expandir o domínio sobre outros territórios trouxeram problemas que iam muito além das dificuldades iniciais de como plantar alimentos, por exemplo.

O imperialismo desenfreado de potências europeias levou essas civilizações a explorarem os mares em busca de novos territórios e de novos recursos, que poderiam ser trocados e posteriormente vendidos.

Homem negro de perfil.

No entanto, a necessidade de mão de obra nos países de origem fez com que esses exploradores vissem nas civilizações de outras localidades uma oportunidade de intensificar e aprimorar as formas de produção.

Os povos que não foram escravizados passaram por processos de genocídio, enquanto que povos africanos eram retirados à força de seus territórios, povos indígenas das américas eram assassinados para que as terras onde viviam pudessem ser ocupadas livremente por europeus.

Esse domínio europeu exercido contra povos nativos de outras regiões era pautado até mesmo em teorias científicas que afirmavam que europeus faziam parte de uma raça superior a qualquer outra. A Ciência, assim como a História, também pode ser contaminada por ideologias com o objetivo de firmar uma ideia que beneficiará somente quem a criou.

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O eurocentrismo colocava a cultura europeia e o catolicismo como centro de tudo, submetendo todas as outras culturas e civilizações a esses ensinamentos. Qualquer tradição, cor de pele, característica física ou comportamento que fossem diferentes da ideia europeia de cultura, de beleza e de civilização deveriam ser abandonados.

A consequência desse processo foi o apagamento de culturas e existências igualmente importantes como a cultura europeia, em um esforço de homogeneizar e padronizar o mundo. A diversidade de visões e pontos de vista sobre as mais variadas questões foi comprometida e, com isso, negou-se a riqueza cultural dos povos não brancos.

Dessa forma, construiu-se a ideia de que a etnia branca deveria exercer poder sobre qualquer outra. As pessoas brancas faziam proveito da mão de obra de pessoas africanas, de pessoas asiáticas e de pessoas americanas, além de usurpar recursos naturais das mais diferentes regiões do mundo.

Duas mulheres negras.

Enquanto uma prática legal e justificável pela Ciência, pela História e pela Política, a escravidão durou quatro séculos. Esse regime foi responsável por trazer ao Brasil povos que não eram nativos da região, como os africanos, para que eles trabalhassem em troca de nada, ainda sofrendo graves torturas.

Entendidos como objetos, como máquinas de trabalho e como pessoas desprovidas de qualquer humanidade, as pessoas negras nunca tiveram a possibilidade de expressar as próprias identidades e culturas no Brasil e no mundo.

Ainda que a escravidão seja legalmente proibida, o racismo sobre o qual a sociedade brasileira se construiu impede que as pessoas negras sejam respeitadas e compreendidas como seres humanos.

Elas fazem parte da sociedade brasileira assim como as pessoas brancas, mas ocupam cargos diferentes nos locais onde trabalham, têm menos oportunidades de estudo, são impedidas de entrarem em determinados lugares, não fazem parte do padrão de beleza, não são representadas sem estereótipos na mídia, são assassinadas e agredidas por terem a pele negra.

Essas são algumas das dificuldades impostas à existência de pessoas negras no Brasil. O racismo estrutural é o que compõe uma sociedade que tem preconceito contra ter preconceito. O mito de que o Brasil é o país da diversidade objetiva negar que quem não tem a pele branca vive pior do que quem a tem.

Pintura de Zumbi dos Palmares.

É preciso reconhecer a validade e a importância de abordar o conhecimento ancestral dos povos africanos, de valorizar as técnicas de contato com o divino, de afirmação de identidade e de cultura. Compreender a diferença que existe entre as pessoas é o que forma uma sociedade harmônica e respeitosa.

Com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre o problema histórico que é o preconceito racial, a fim de lutar para que negros e negras tenham condições dignas de existência, surgiu o Dia da Consciência Negra. Em homenagem à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do maior quilombo do período colonial brasileiro, o Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro.

Essa data tornou-se oficial durante o Governo Dilma, no qual a ex-presidente instituiu o Dia da Consciência Negra e o Dia Nacional de Zumbi por meio da Lei nº 12519. Para que a data fosse considerada feriado, cada estado brasileiro deveria assinar uma lei que previsse isso.

Em Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Maranhão, 20 de novembro é feriado. É um dia para refletir sobre a importância das pessoas negras e sobre o sofrimento histórico ao qual elas ainda são submetidas.

Pensar sobre a consciência negra é uma forma de reconhecer a existência da cultura negra, de valorizar os saberes africanos e dar visibilidade para essas outras formas de pensar e ver o mundo. Para as pessoas brancas, é uma oportunidade de reconhecer os próprios privilégios, rever atitudes e pensamentos racistas e ouvir o que as pessoas negras têm a dizer.

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