A centelha divina é a presença do Criador no interior do ser humano. Ela não depende de crença, hierarquia ou validação externa. Ela existe porque a vida existe. Onde há consciência, há essa centelha. Onde há consciência de si, há a possibilidade de reconhecê-la.
Desde os ensinamentos herméticos até as palavras de Jesus, há uma mesma afirmação atravessando o tempo: o divino não está separado do homem. Jesus expressou isso com clareza ao afirmar que o Reino de Deus está dentro. Essa afirmação desloca o eixo da espiritualidade do exterior para o interior. O acesso ao Criador acontece de forma direta, íntima e consciente.
A centelha divina não se perde. Ela pode ser esquecida, ignorada ou abafada por camadas de medo, condicionamento e distração, mas permanece intacta. O movimento espiritual verdadeiro é o de lembrança, e vemos isso também na própria palavra do Yoga, que é reunir, religar…nos ao divino, à Fonte. Quando Jesus diz “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, ele aponta para um reconhecimento interno que dissolve a ilusão de separação entre criatura e Criador.
As leis herméticas ajudam a compreender essa relação. O princípio do mentalismo ensina que tudo se manifesta a partir da consciência. A centelha divina se expressa nesse campo, como inteligência que observa o pensamento. Quando a mente desacelera, essa presença se torna perceptível.
O princípio da correspondência revela que o estado interno encontra reflexo na experiência vivida. Quando a pessoa se afasta de si, a vida tende a se tornar confusa. Quando há alinhamento interior, a experiência externa se reorganiza, por meio da coerência. A centelha divina atua como eixo, e o que gira em torno dela tende a encontrar ordem.
O princípio da vibração mostra que tudo se move. Pensamentos, emoções e estados internos possuem frequência. A percepção do divino se torna mais clara quando a consciência não está dominada por reatividade constante. Isso não exige isolamento do mundo, mas presença. Estar presente é permitir que a centelha conduza, em vez de ser conduzido por impulsos automáticos.
A polaridade ensina que os opostos fazem parte da mesma unidade. Luz e sombra coexistem no ser humano. A centelha divina se fortalece pela capacidade de olhá-la sem medo. Jesus demonstrou isso ao se aproximar dos considerados falhos, lembrando que o divino não abandona o homem em seus conflitos. Ele permanece, mesmo quando não é reconhecido.
O princípio do ritmo aponta para os ciclos naturais da consciência. Há momentos de clareza e momentos de silêncio interno. Ambos fazem parte do amadurecimento espiritual. A centelha divina acompanha o ser humano em todas as fases, inclusive na dúvida e no recolhimento.
O princípio de causa e efeito traz responsabilidade espiritual. Quanto maior for a consciência, maior a percepção dos efeitos das próprias escolhas. Jesus ensinou isso ao falar sobre plantar e colher. A liberdade espiritual nasce quando o ser humano reconhece seu papel ativo na criação da própria experiência.
O princípio do gênero revela a presença das forças criadoras em tudo. Internamente, isso se expressa como a integração entre escuta e ação. A centelha divina se manifesta quando há abertura interior e postura coerente no mundo. A espiritualidade deixa de ser abstrata e passa a se refletir na forma de viver, decidir e se relacionar.
Conectar-se com o divino sem intermediários exige coragem. Exige confiar que o Criador se comunica diretamente com sua criação. Jesus viveu isso e ensinou isso. Sua mensagem central foi de reconhecimento.
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O caminho para o Pai acontece pela consciência desperta, não pela submissão externa.
A centelha divina se revela quando a pessoa vive em verdade interior. Quando o ser humano para de se afastar de si, algo se reorganiza de dentro para fora. A vida ganha direção. As escolhas ganham peso. A presença se torna mais clara.
Quando a centelha é reconhecida, a separação se dissolve. O humano lembra de sua origem. O divino encontra expressão. E a verdade, enfim, liberta.
