Convivendo

A mentira da imperfeição

Mulher sentada próxima à janela. Ela está segurando o celular e está olhando para fora.
GaudiLab / Shutterstock
Escrito por Fernanda Colli

Sempre que me aventuro a visitar sites e diversos debates nas redes sociais, me vem uma sensação de vazio e de que precisamos urgentemente fazer com que as pessoas comecem a ter essa mesma sensação. Observando os comentários, vejo pessoas que nem sequer assistiam às aulas do Ensino Médio, mas que se sentem confortáveis em falar dos professores e da qualidade do ensino. Pessoas que nunca votaram nem no representante de sala, mas que fazem uma análise bem aprofundada sobre políticas públicas.

Percebo que, hoje em dia, quase ninguém erra. São todos tão perfeitos, tão incríveis, vencedores e evoluídos! Quando eu olho na tela, vejo que sempre há um conselho na ponta da língua, sempre uma opinião formada sobre tudo.

Eu sinto falta de pessoas reais. Daquelas que erram e não têm medo de confessar seus medos, suas falhas, que são sinceras em dizer que não têm propriedade para falar sobre o assunto. Sinto falta de quem sente e demonstra seus sentimentos. E sinto uma tremenda falta de quem ainda está aprendendo e se diz aprendiz.

Ficamos repletos de pessoas artificiais, que julgam e ainda fazem apontamentos sobre feitos, caráter e pessoas. As pessoas perfeitas da atualidade não atuam na sociedade, mas criam notas e pensamentos na velocidade da luz, capazes de destruir uma vida toda.

Você também pode gostar

As pessoas que se aventuram em apenas se vestirem de humanidade são o nosso único fio de esperança. São elas que brilham. Elas que estão no dia a dia ajudando e atuando incansavelmente na grande missão que é ser útil à humanidade. E são elas que detêm a beleza incomparável, por não se esconderem na mentira da perfeição. Desejo profundamente que você seja uma delas. E, se não for, que se torne imediatamente.

Sobre o autor

Fernanda Colli

Fernanda Colli é pedagoga, arte-educadora, escritora e pesquisadora da cultura popular brasileira, com atuação destacada na valorização das tradições caipiras. Especialista em Arte Educação, folclore e cultura popular, desenvolve projetos socioculturais voltados à inclusão, à identidade e ao pertencimento, especialmente em contextos escolares.

Idealizadora do Projeto Folclorear, atua na inserção de manifestações tradicionais, como a catira, no ambiente educacional, promovendo o diálogo entre saberes populares e práticas pedagógicas contemporâneas. Coordenadora de projetos no Centro de Tradições de Araçatuba e integrante de grupo de pesquisa na área cultural, também exerce papel de liderança como presidente da comissão infantopedagógica da IOV Brasil.

Como colunista, Fernanda escreve sobre cultura popular, educação, arte e identidade, trazendo reflexões sensíveis e críticas sobre a importância da memória, das tradições e da formação cultural na sociedade atual. Sua escrita se caracteriza pela defesa da cultura como instrumento de transformação social e fortalecimento das raízes coletivas.