Viagens são momentos geralmente agradáveis. Mesmo quando viajamos a negócios, a viagem serve para quebrar o ritmo, espairecer, ver as coisas de uma nova perspectiva. Mas se tem uma coisa que sempre causa um pouco de incômodo é a preparação das malas. Não apenas fazê-las, mas desfazê-las e, principalmente, carregá-las. Acho que é por isso que, quando uma pessoa é muito inoportuna, acaba sendo vítima de uma alcunha: ‘mala sem alça’.
Dependendo do lugar aonde se vá, carregar a mala, mesmo com alça, torna-se um problema de caráter ortopédico. Quanto ao problema de arrumar as malas, desenvolvi um sistema de listas de viagem. Para conseguir fazer com que as roupas caibam nas malas na hora de voltar para casa, não achei a fórmula correta e resolvi apenas ignorar. Agora, no transporte de malas, principalmente se não tiverem alças, só mesmo pedindo ajuda aos especialistas.
É fácil concordar que não há coisa mais chata de fazer, desfazer ou carregar do que mala. Quando se vai viajar, uma semana antes começa o pensar em fazer as malas. Uma sensação de que está esquecendo alguma coisa começa a tomar conta do corpo todo. Esta sensação desagradável persiste. Por causa dela, duas coisas podem acontecer: ou se começa a colocar “tudo” na mala, sobrecarregando as costas e a organização; ou se recorre a listas de viagem.
Confesso que, depois de muito pelejar com excesso de bagagem, tornei-me adepta da segunda opção. Atualmente, coleciono listas de viagem. Foi uma boa ideia e minimizou, porém sem extinguir completamente, aquela sensação de esquecimento de algo. Por exemplo, vou para a praia: pesquiso a lista de viagem “praias”. Encontro nela itens interessantes, como mosquiteiro (aquele véu de colocar em cima da cama), extensão (aquele fio de energia comprido que nunca temos quando precisamos) e, pasmem: abajur! Nossa! Não tem nada pior do que um quarto de hotel ou pousada com aquela luz única e chapada. Se um quiser ver TV e o outro ler, a luz central atrapalha a ambos. Na hora de ir ao banheiro de madrugada, então, é aquela confusão.
Por tudo isso, na lista de viagem “praias” não pode faltar o item abajur. Talvez eu seja a única pessoa no mundo que leva um abajur na mala, mas, mesmo sem essas esquisitices, as listas de viagem funcionam. Elas também servem para relacionar e otimizar o guarda-roupa, organizar os itens de banheiro, medicamentos, essas coisas. Enfim, fazer o que a memória nem sempre dá conta.
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Além disso, depois que você se filia à ideia das listas. A tendência é aprimorá-las de viagem a viagem. Durante o passeio, você anota o que faltou, o que sobrou e atualiza a lista. Pode parecer muito burocrático para os românticos, mas para mim funciona. O que não consegui resolver ainda foi a tal da mala sem alça. Esta não tem lista que dê jeito.
