Autoconhecimento

A arte de cuidar do outro

cuidar dos outros
Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos
Este artigo descreve a sociedade atual como um tempo de indefinição, de medo, de insegurança, de egoísmo e propõe como saída a arte de cuidar do outro, que significa um novo tempo, uma sociedade construída na base do amor, do respeito e da solidariedade mútua.

A sociedade atual caracteriza-se pela pressa, pelo egoísmo e pela indiferença com o outro. Um mundo sombrio e assustador, onde parece reinar o absurdo. Em todas as frentes, o ser humano distancia-se cada vez mais do próprio ser humano. As relações já não são mais as mesmas. Reina a desconfiança com o outro. A palavra de ordem é: medo. Medo do outro, das relações. Medo de todas as formas. A palavra dada já não vale mais. É preciso “procuração”, “testemunha” e “provas” para um homem confiar no outro homem.

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As pessoas já não se relacionam mais pelo valor natural, algo próprio do ser humano.
 As relações humanas, atualmente, estão marcadas pela objetividade, ou seja, por aquilo que ela representa, por aquilo que ela possui ou pela posição que ocupa na pirâmide social. O modo de vida que o homem atual leva desprende-se de todos os outros, de uma maneira que não tem precedente. Surge o tempo da indefinição, da angústia, da insegurança, da loucura, da ilusão e da “modernidade líquida”.

Segundo o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, vive-se em uma época de grande barbárie e de pouca solidariedade. São tempos de alta competitividade guiados pela lógica da acumulação de bens e das aparências. Em nome dessa nova ideologia, os indivíduos se permitem agir passando por cima de valores que sequer chegaram a formar. O que importa é ser reconhecido, ser admirado, ter acesso a uma infinidade de produtos e serviços e usufruir o máximo do prazer.

Cada vez mais se verificam relações instrumentalizadas, pessoas que vivem à custa dos outros sem representar nada ou contribuir com o crescimento material, moral e espiritual. Essas pessoas sofrem a síndrome do “vampirismo psicológico”. E o que vem a ser o vampirismo psicológico? É um paradigma contemporâneo que define pessoas que têm uma pré-disposição de sugar ou extrair as energias do outro, de forma consciente ou inconsciente. São pessoas doentes e medíocres, que não percebem o mal que causam na vida dos outros.

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Será que existe uma saída, uma cura, um remédio para todo esse mal-estar da sociedade e do homem contemporâneo? Sem querer parecer ingênuo ou alienando, pensamos que sim! As palavras do teólogo e filósofo brasileiro Leonardo Boff apontam um caminho possível. Diz ele:

“O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais do que um ato, é uma atitude. Portanto abrange mais do que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”.

Portanto a saída é a arte de cuidar do outro, e o que seria essa arte? 

A arte de cuidar do outro seria a compreensão de que a vida é feita de paradoxos e, para trilhar o caminho da felicidade, o primeiro passo é querer bem o outro. O segundo passo consiste em aceitar o outro como ele é, durante muito tempo, para que o outro seja feliz. O terceiro passo consiste em querer aprender sempre com o outro, que é diferente de mim e que por isso mesmo merece ser respeitado.

Enfim, a arte de cuidar do outro é o paradigma contemporâneo do ser humano cuidando do próprio ser humano. 


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Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).