Convivendo

Minha filosofia de vida

Mulher com sua mão no queixo olhando para cima pensativa
Tachina Lee/Unsplash
Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos

“O homem sábio aprende observando, enquanto o homem ignorante aprende caindo.” Essa é a minha filosofia de vida. Quem me conhece sabe que dou muito valor à observação. Não que eu seja totalmente racional (e quem é?), mas eu sempre gostei de tomar decisões, sejam elas pessoais ou profissionais, tendo como base o uso da razão.

Como hoje é o dia do filósofo, e para comemorar essa data, afirmo que a razão é uma das principais características da filosofia. Não que todo filósofo seja racional, pelo contrário, é como diz William Shakespeare: “Há muito mais mistério entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.”

De nossa parte, acreditamos que existe uma filosofia primeira que gera todas as demais filosofias, e que consiste, principalmente, na correta definição da verdade, ou das coisas que são, entre todas, as mais universais. É nesse sentido que dizemos que somos racionais. Geralmente o filósofo, por ser racionalista, não aceita qualquer resposta, questiona tudo.

E quem são os filósofos? Segundo Nietzsche, “filósofo é um homem que vive, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente com coisas extraordinárias, que fica surpreso com suas próprias ideias como se viessem de fora, do alto e debaixo, como por uma espécie de acontecimentos e de raios de trovão que só ele pode sofrer”.

Pessoa segurando livros com a mão
Thought Catalog/Unsplash

Esse é o caminho do filósofo. Não existe outro. A filosofia é o conhecimento adquirido, por raciocínio, partindo da lógica, ou da história, para chegar às suas propriedades, ou, de suas propriedades, para um modo de compreensão crítica da realidade, para, no final, na medida em que vamos evoluindo no conhecimento e na ciência, poder produzir os efeitos exigidos pelo raciocínio filosófico.

Embora o senso comum diga que todos os homens são filósofos, pensamos que somente quem trilha esse caminho pode-se dizer filósofo. Não podemos chamar de filósofo alguém que defende o terraplanismo, que aceita tudo sem questionar. O verdadeiro filósofo é aquele que dúvida de suas próprias ideias. Ou seja, não é só porque eu receito uns chás para os meus amigos que eu posso dizer que sou médico. Tenho que estudar medicina. Existem leis, formas de proceder, legislação, ética. Se não fosse assim, qual seria a razão de ser das universidades? Formar charlatões?

A filosofia vem ganhando novos admiradores porque ela ensina, por exemplo, que o matemático, a partir das figuras geométricas, encontra muitas de suas propriedades e, por meio delas, descobre novas formas de construí-las racionalmente, para poder medir a terra e calcular o volume de água de uma represa, além de uma infinidade de outras utilizações. Os falsos filósofos não reconhecem o valor da ciência em suas explicações, ao contrário, negam.

Nessa perspectiva, a filosofia pode contribuir muito com a construção de uma nova sociedade pós-pandemia, isso porque ela não gera falsas perspectivas no cidadão, ao contrário, ela mostra a realidade como ela é, nua e crua, sem máscara, e conclui que quem raciocina corretamente, empregando termos que compreende, não pode ser outra coisa senão um bom filósofo.

Homem olhando seu reflexo na janela pensativo
Laurenz Kleinheider/Unsplash

Apenas para alertar: atualmente temos muitas pessoas que se intitulam filósofos, mas que na verdade são “filósofos de araque”, não conseguem distinguir um quadrado de um retângulo.

Diga não aos filósofos de araque, aqueles e aquelas, homens e mulheres, que falam sem conhecer a filosofia, que se dizem filósofo sem nunca terem lido e estudado um filósofo.

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Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).