Autoconhecimento Comportamento

Não puna seus filhos pelos seus comportamentos

Mãe e filha caminhando na praia
Mother and daughter walking on the beach with sunset
Andréa Bello
Escrito por Andréa Bello

É isso mesmo. Não há erro no título, nem na intenção da frase: NÃO PUNA SEUS FILHOS POR SEUS COMPORTAMENTOS.

Este texto tem por objetivo atuar como um alerta!

A partir de um breve apanhado dos conceitos de genética, epigenética, teoria de aprendizagem e do mecanismo de projeção psicológico, venho chamar a sua atenção aos seus comportamentos para que a tempo os corrija em si mesmo, e não naqueles que o imitam, nesse caso, os seus filhos.

Vamos lá!

Os filhos herdam a genética de seus pais, suas cargas estruturais biológicas, e também, tão importante quanto, a sua epigenética, a carga cognitiva e comportamental constituidora da personalidade que diz respeito ao modo de um indivíduo interpretar o mundo e lidar com a vida.

Mãe com filha nas costas olhando campo verde e sol refletindo ao fundo
Foto de Daria Obymaha no Pexels

As teorias de aprendizagem de Piaget e Vigostky demonstram ser a imitação um dos mecanismos de aprendizagem mais primários e ininterruptos que existem, ou seja, até mesmo os adultos continuam aprendendo por imitação. Além disso, quanto mais afeto envolvido, maior aprofundamento do registo na memória.

Então, imaginem vocês, como esse processo de aprendizagem se dá nas crianças, totalmente disponíveis a receber informação?

A natureza humana exige o aprendizado por meio da referência de seus pais-cuidadores, o instinto é imitar. Assim, crianças imitam tudo a todo tempo, pois lhe é vital como mecanismo de sobrevivência biológica e social.

Crianças imitam tudo, e quando digo tudo, é tudo mesmo, até aquilo que você não sabe existente, mas se presente, será imitado.

E por que isto acontece?

Porque crianças ainda não têm filtros racionais para discernir o que lhes cabe, e, sensivelmente captam o entorno, nesse caso, o contexto emocional do ambiente onde vive e, principalmente o âmago afetivo-comportamental de seus cuidadores, que são para eles a fonte referencial de adequação à vida.

Com isso posto, preciso que fique claro que a sistemática toda de espelhamento, o tal mecanismo de projeção que citei no início do texto, é profundamente orgânica. Vejam!

Pai e filha brincando na cama
Foto de Tatiana Syrikova no Pexels

O estímulo do entorno é captado pela rede neural da criança que irá sendo formada cada vez mais a partir de um referencial afetivo com seus pais-cuidadores. Estímulo a estímulo, os neurônios montando novas redes de informação que estruturarão e modelarão a elétrica orgânica, de modo que as sinapses contribuam com as respostas desse indivíduo ao ambiente, e estes dizem respeito aos movimentos concretos de corpo no que concerne principalmente aos sistemas nervoso e imunológico. Assim, fala, tom de voz, aptidão, agilidade, emoção e comportamentos serão consequências de estímulos específicos captados em profundidade nuclear, ou seja, as crianças contém em si o âmago desses padrões comportamentais por eles estarem instalados em sua cognição (mente e psique) de forma vital. E é assim que repetem/repetimos, como que por instinto, alguns comportamentos.

“A brincadeira da vida é séria”, e a responsabilidade aos nos tronarmos pais, imensa!

Bom, e é aqui que a sistemática de aprendizagem acaba, invariavelmente, por gerar um espelhamento natural e orgânico entre pais e filhos, reforçado cada vez mais pela tendência genética.

O entendimento dessa dinâmica toda é essencial para que possamos conduzir uma educação mais sincera e humana. Pois, sem essa consciência, o que normalmente ocorre na educação familiar são a punição e a reprovação de comportamentos. A falta de acolhimento e a aceitação da natureza humana evidenciada nos filhos. Vemos, assim, ineficientemente, pais condenarem e culparem seus filhos por atitudes, hábitos, vícios e cultura transmitidas aos seus filhos pelo exemplo que eles mesmos dão. Querem interromper algo enquanto alimentam aquilo.

Precisamos de uma nova consciência para este novo mundo.

Mas você me pergunta, principalmente aqueles que ainda não tem filhos: não é obvio? Perceber que os pais executam o mesmo que condenam?

E eu te digo: NÃO!

E você: Mas por quê?

Porque a maior parte de nossos comportamentos reside em nossos inconscientes. Grande parte do que se ensina é transmitido de forma inconsciente.

E inconscientes, os pais somente irão enxergar os comportamentos que racionalmente não aprovam quando seus filhos os reproduzem. A sensação é de incômodo. Lembrem-se, sensação de incômodo é sempre um sinal de alerta, indicando oportunidade de reavaliação interna.

E, quando a criança incomoda, o que acontece, segundo a cartilha da velha educação? Uma intervenção ‘punitiva’, em vez do acionamento do mecanismo reflexivo sobre a real origem daquele comportamento.

Mas como aplicar uma nova educação?

Mãe e filha desenhando em cadernos em mesa
Foto de Gustavo Fring no Pexels

É preciso que a dinâmica natural de espelhamento fique clara aos pais para que eles, revisitando-se, modifiquem em si mesmos aquilo que esperam alterar em seus filhos. Essa é a sistemática dos relacionamentos. Não há outra via para uma educação mais coerente e efetiva, e relações mais saudáveis entre os entes queridos.

Precisamos de uma nova educação para um novo mundo.

Pais-cuidadores, seus filhos são consequências de suas estruturas biológicas, cognitivas e comportamentais. Atentem-se principalmente às crianças de até 7 anos de idade, nas quais o espelhamento fica mais evidenciado, porque elas ainda não contam com repertório de máscaras sociais e disfarces emocionais.

Pais, seus filhos entendem o estímulo punitivo quando bem aplicado, mas não o repúdio por meio delas ao que vocês são e praticam. Isso gera revolta!

Pais, não adianta “secar o chão e não fechar a torneira”. É preciso que atentem-se a vocês!

Olhar-se no espelho a todo o momento é o convite feito por nossos filhos com suas existências. Consideremos como algo insuportavelmente oportuno, pois eles facilitam, se aproveitarmos, o nosso desenvolvimento, proporcionando a maior chance de obtermos clareza sobre nós mesmos para ajustar o que for preciso.

Aproveitem a quarentena e a proximidade para revisitarem-se! Paciência.

Pais-cuidadores, peço, atentem-se a vocês!

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A eficiência da mudança comportamental está na autoconsciência, na ampliação de percepção sobre si mesmo, na aplicação da força de ação sobre as escolha que se faz perante a própria vida. Cuidem de suas tendências genéticas e epigenéticas. Explorem-as e, principalmente, conversem com seus filhos sobre a dinâmica inevitável do espelhamento, incentivando-os aos comportamentos que julgam os melhores, os frutíferos.

A educação efetiva e verdadeira mudança dos filhos exigirá a mudança de suas fontes constituintes referenciais.

Sobre o autor

Andréa Bello

Andréa Bello

Andrea Fray - (Synaptyco Gestão Emocional)

​Terapeuta integrativa sistêmica, sócio-proprietária da Synaptyco Cultural e Gestão Emocional, palestrante, escritora, diretora artística, produtora e gestora de projetos sobre propósito. Possui formação profissional diversificada. É pós-graduanda em psicologia cognitivo-comportamental com especialização em hipnose conversacional, meditações ativas, gestão de pessoas e marketing e formação técnica em processos gerenciais e
artes cênicas.

Desde 2005 atua profissionalmente realizando atendimentos individuais, para casais e para grupos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas, Capsis, centros de desenvolvimento e empresas, promovendo ainda cursos e eventos dentro da área de desenvolvimento humano, autoconhecimento e gestão emocional.

Com temperamento multipotencial, seu propósito profissional e pessoal é integrar seus gostos, talentos, formações, conhecimento técnico e criatividade em prol do desenvolvimento humano e do usufruto da autenticidade. Dessa forma, está sempre trabalhando com serviços e projetos que atendam a essas demandas de forma exclusiva, criando propostas e processos totalmente particulares.

“Acredito que cada ser é legítimo e cada comportamento expressa um universo próprio e particular... Para alinhar direções, é preciso conhecer múltiplos acessos à consciência individual e coletiva.”

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