Autoconhecimento

Crianças com comportamento agressivo

Criança com raiva gritando usando um chapéu
Anastasia Vish / Unsplash
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Não é incomum ouvir alguém dizer algo como “meu filho tem ataques de raiva”, “meu filho teve um comportamento violento na infância” ou “não sei como lidar com crianças agressivas”. Educar e criar alguém é uma tarefa muito desafiadora em inúmeros sentidos, mas em alguns casos pode ser ainda mais difícil.

Crianças que batem nos familiares, que dizem palavrões, que machucam os colegas na escola, que gritam quando não têm seus desejos atendidos, que choram até que recebam atenção podem ser crianças agressivas. Se você já identificou algum desses comportamentos na sua criança, isso não é um sinal de que ela é agressiva e que você deve entrar em pânico.

Uma criança agressiva age com irritação e com raiva com frequência, em inúmeras situações. Se o seu filho disse um palavrão uma vez, ou chorou porque você não quis dar alguma coisa a ele, saiba que isso é normal. O que se caracteriza como um problema é a repetição contínua desses atos, que prejudicam não só a criança, mas todas as pessoas que estão ao redor dela.

Lidar com crianças agressivas será ainda mais complicado se você se prender à imagem estereotipada das crianças, de que elas são bondosas e ingênuas, livres de qualquer sentimento negativo. Esqueça essa ideia! Crianças também são humanas e estão sujeitas a agir de forma inadequada. A seguir, aprenda mais sobre isso!

Quais fatores fazem a criança ficar agressiva?

Uma criança agressiva é uma criança em fase de desenvolvimento que está passando por algo que os familiares ou professores não são capazes de identificar de forma rápida e simples. Não é a mesma coisa que ver uma criança chorando e perceber que ela ralou os joelhos, por exemplo. Para entender a agressividade infantil é preciso ir além disso.

A maturidade cerebral de uma pessoa só se desenvolve totalmente aos 20 anos de idade. Antes disso, é provável que ela faça escolhas ruins, que ainda tenha uma visão deturpada sobre o mundo e que queira que seus desejos sejam atendidos o mais rápido possível. Então, a dificuldade para equilibrar e gerir as emoções pode partir disso, sendo comum para muitas crianças.

Criança olhando para baixo com tristeza em sua cama
Alexander Dummer/Unsplash

Outro fator que só se desenvolve com a idade é o autocontrole. Uma criança pode ter dificuldade para lidar com seus momentos de frustração e de raiva e acaba descontando isso na forma de agressões e xingamentos. A impulsividade e a hostilidade tomam conta dessa pequena pessoa e dificultam que ela se relacione pacificamente com alguém.

Causas menos comuns da irritabilidade na infância são: contato com maus exemplos (pessoas que agem de forma agressiva na frente das crianças ou que não prestam atenção ao que estão dizendo na presença delas), uma educação permissiva demais ou autoritária demais (no primeiro caso, a criança lida com a falta de disciplina e não encontra limites, enquanto no segundo caso ela pode sofrer punições rigorosas) e problemas de linguagem (a criança não sabe comunicar o que está sentindo ou pensando).

A ingestão de álcool e o fumo durante a gravidez (o cérebro da criança pode ter mais dificuldade de controlar comportamentos violentos) e a prática de violência física, sexual e/ou verbal (prejudica a formação da criança e a compreensão dela sobre o mundo) contra as crianças também são pontos de atenção que podem comprometer o desenvolvimento infantil.

Como a ansiedade pode se relacionar com o comportamento agressivo na infância?

Uma criança não está imune a problemas em sua saúde mental. Se ela se sente incapaz de controlar o que está sentindo e o que está pensando, por exemplo, ela pode desenvolver ansiedade. Infelizmente, esse distúrbio pode ser difícil de identificar em uma criança que ainda não sabe verbalizar tão bem o que está se passando dentro dela.

A ansiedade somada aos sentimentos que não podem ser controlados resultam em ações cheias de agressividade, que acabam se mostrando como a única forma de extravasar a confusão que está acontecendo nos sentimentos e nos pensamentos dessa criança. Por isso é importante buscar auxílio médico se os eventos de agressividade forem frequentes.

Irritabilidade infantil entre 2 e 4 anos

A partir dos dois anos de idade, começa a fase “terrible two”, que, traduzida para o português, significa “terríveis dois”. É dessa idade em diante que a criança começa a desenvolver sua personalidade, mas esse processo se parece mais com uma adolescência durante a infância.

Criança olhando com tristeza para frente se segurando nas grades de madeira da escada
Tadeusz Lakota/Unsplash

Até os quatro anos de idade, as crianças que antes eram bondosas, carinhosas e meigas tornam-se egoístas e imediatistas. Desejam que tudo seja feito no momento em que elas querem, do jeito que elas querem. Usam a palavra “não” toda vez que se sentem contrariadas e podem chorar com frequência.

Se você tem uma criança nessa faixa etária, ou se conhece alguma que tem essa idade, já deve ter percebido que ela faz birra sempre que quer conseguir algo. Jogar-se no chão, espernear e talvez até agredir os familiares estão entre os comportamentos esperados de uma criança quando ela chega a essa idade.

A irritabilidade infantil nesse período de tempo é normal, por mais difícil que seja lidar com ela. O importante é que as pessoas que cuidam dessa criança estejam cientes de que essa fase irá passar e de que é preciso ter paciência em vez de punir seriamente essa jovem em formação. Instrua e eduque, mas sem reproduzir palavras ou comportamentos agressivos.

Quais são as escalas de agressividade infantil?

A escala de agressividade infantil é um instrumento de análise da personalidade de jovens que tem como objetivo observar como uma criança entende a própria vida e as próprias atitudes. Ela só precisará responder sim ou não para as perguntas que lhe serão feitas, que são, por exemplo “gosto de ameaçar meus irmãos” e “quando meus familiares gritam comigo, também grito com eles”.

Cada resposta positiva para as perguntas feitas para a criança contará um ponto. A escala é capaz de analisar a agressividade na escola e na família, indo de 0 a 16 pontos. Se uma criança responder “sim” para todas as perguntas, então, ela atingirá a escala 16 de agressividade, caso já tenha iniciado a vida escolar. Do contrário, poderá chegar até a escala 8.

Como tratar uma criança agressiva?

Para tratar uma criança agressiva é preciso, em primeiro lugar, identificar o motivo para ela agir dessa forma. Nesse sentido, a escalada de agressividade será muito útil, para que o profissional que irá tratá-la seja capaz de entender quais comportamentos ela reproduz e então identificar o que está por trás de cada um deles.

Não é possível tratar uma criança agressiva sem acompanhamento médico, porque as pessoas que estão inseridas na vida dessa criança terão muita dificuldade para identificar aquilo que está fazendo com que ela aja com agressividade. Se você acredita que está lidando com uma criança agressiva, então, procure auxílio médico e esse profissional irá lhe indicar a melhor forma de tratá-la, considerando o que está causando a irritabilidade.

Terapia ajuda a tratar a criança agressiva?

O acompanhamento terapêutico não tem uma idade mínima para ser iniciado. Se uma criança apresenta traços de agressividade, entrar em contato com um profissional que não faz parte do seu círculo familiar ou de amizades é essencial para que ela seja capaz de dizer aquilo que está sentindo e que a incomoda sem o risco de ser punida, como pode acontecer em algumas famílias.

Cada caso de criança agressiva deve ser analisado de forma individual e atenta, sendo impossível prever um tratamento que funcionaria para todas igualmente. Porém, em muitos casos, a terapia é recomendada como uma forma de ajudar a criança a traduzir e a controlar melhor suas emoções, reduzindo explosões de raiva e demonstrações inadequadas de frustração.

Quais atitudes os pais devem tomar para tratar uma criança agressiva?

Uma vez que a criança agressiva já foi avaliada por profissionais e já seguirá um tratamento para lidar melhor com as próprias emoções, existem algumas atitudes que os familiares dela podem tomar para reduzir os comportamentos prejudiciais. Confira!

Criança jogando no tablet
Kelly Sikkema/Unsplash

1) Ensine regras e limites: uma criança agressiva sente a necessidade de fazer com que o mundo se curve aos seus desejos. Os familiares devem explicar para a criança quais são as regras da família, de forma objetiva, e garantir que ela entendeu como deve agir.

2) Mostre como ter autocontrole: as crianças ainda não entendem que não podem praticar determinadas ações. Então, os familiares devem instruí-las a não bater em outras pessoas, a não reproduzir xingamentos e a agir de forma gentil.

3) Opte sempre pelo diálogo: punir crianças com violência física ou verbal só irá ensiná-las que essa é a forma mais eficiente de resolver problemas. Se elas fizerem algo errado, é preciso conversar com elas e explicar por que não devem fazer novamente o que reproduziram.

4) Ofereça carinho: oferecer carinho e atenção a uma criança é essencial para que ela se sinta respeitada e querida. É provável que a partir disso ela sinta mais liberdade para traduzir o que sente e para conversar com seus familiares sobre o que está pensando.

5) Elogie comportamentos positivos: se você quer que uma criança continue agindo de forma positiva, elogie as coisas boas que ela fizer. Além de se sentir bem com isso, ela vai entender que é assim que deve agir em outras situações.

Criança ao lado de sua mãe pensativa
Andriy Popov/ 123RF

Lidar com crianças agressivas é um desafio para todas as pessoas que passam por isso. É preciso investigar o que está por trás desse problema para definir um tratamento adequado, e é mais importante ainda que os familiares dessas crianças tenham paciência com esse ser que ainda está se desenvolvendo e aprendendo sobre o mundo. Tudo vai melhorar com as medidas adequadas para cada caso!

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para colunistas@eusemfronteiras.com.br