Convivendo

Quando o seu dia estiver cinza…

Outdoor portrait of sad young man covering his face with hands sitting on stairs. Selective focus on hands. Sadness despair tragedy concept
Jéssica Sojo
Escrito por Jéssica Sojo

Quando o seu dia estiver cinza, lembre-se de que você tem a mim e de que eu não mediria esforços ao estender as minhas mãos e pintar o céu contigo – talvez não de forma tão assimétrica como você gostaria, visto que eu sou tão desenvolta com os traços. Você sabe, mas eu faria questão de colorir-te num dia cinza.

Começaria pelas cores dos seus olhos – que escondem tanto sobre si. Por entre a busca de respostas às perguntas às quais você não faz a mínima ideia de quais são. Pelas cicatrizes espalhadas em seu corpo – marcas dos estilhaços de uma guerra quotidiana. Pelos traços das suas mãos que insistem em afirmar que as minhas são frias, e talvez sejam mesmo, em busca do acalento do seu corpo quente.

Começaria citando todas as cores as quais eu conheço sobre você – seus defeitos e qualidades – mas isso ainda não seria o suficiente para que eu colorisse-te o céu, contigo.

É tanta desenvoltura que eu já estou perdida por entre as tantas e diferentes cores que passam pelas minhas lentes durante o dia a dia. É engraçada a forma como a aquarela dança por entre os meus dedos em um misto de paisagens que circundam pela minha cabeça – talvez você nem faça ideia do quão colorido é.

Picture of rainy autumn day. Woman standing under black umbrella with rain drops on window glass foreground. Quando o seu dia estiver cinza, lembre-se de que eu poderia começar a mostrar o quão colorido é o traço do seu sorriso – ou o som da sua voz. Eu bem gostaria de tracejar as suas maluquices e os tantos outros “n” motivos aos quais os meus dedos insistem em monitorar a forma do rabisco esboçado em minha mente – de tão colorido e nostálgico. Cogitei em até adaptar a minha paleta de cores e fazer-te caber – mesmo ciente do que você me disse – mas a verdade é que você tem-me conquistado em todos os níveis além do arco-íris.

E sei lá – não sei diferenciar muito bem – mas quando o seu dia estiver cinzento, saiba que você tem a mim aqui do outro lado disposta a pegar um pincel e sair por aí colorindo e iluminando o mundo –  com você.

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

É custoso descrever quem sou eu – já que constantemente lapido, modifico e me transformo em um pouco de tudo e muito de cada pouco. Inicialmente posso compartilhar dizendo que sou extremamente curiosa, apaixonada pela comunidade surda, pela língua de sinais e por tudo que envolve a linguística.

Foi na faculdade de medicina e como acadêmica há alguns anos (com a esperança de trabalhar com o ser humano e suas limitações) que eu adentrei para um universo de que eu não fazia ideia que fosse possível existir e que pudesse trazer a bagagem que tenho hoje. Minha busca incessante pelo autoconhecimento e entendimento para muitos dos questionamentos que já tive (e continuo tendo) me fez despertar para o meu atual desígnio.

Minhas tantas outras peregrinações e experiências também contribuíram e muito com o meu desígnio – a começar pelo de compartilhar junto a vocês, leitores do EuSemFronteiras, sobre a primordialidade de enxergarmos para além do que nos visibiliza os olhos e lembrarmo-nos sempre de sermos semelhantes ao sol, mesmo em meio às sombras escarpadas montanhosas da vida.

Com todo o meu carinho e gratidão imensa,

Mãos em prece e um saudoso e caloroso abraço em cada um.

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