Comportamento

Senta direito, menina!

Menina com luvas de boxe e as mãos levantadas em sinal de força.
Denise Freitas
Escrito por Denise Freitas

Quando criança escutei esta frase muitas vezes. Acredito que todas as meninas já escutaram esta frase ou algo parecido com isto: “Senta direito, menina!”.

Mulher sentada em uma poltrona com as pernas abertas e expressão irritada.

Eu, já naquela fase, não entendia por que eu tinha que sentar comportadamente, com as perninhas alinhadas (ia escrever “pernas fechadas”, mas achei um tanto rude), se os meninos podiam se sentar de qualquer jeito e ninguém falava nada.

Qual é o motivo desta diferenciação?

Conforme fui crescendo, comecei a entender que o motivo disso e de tantas outras falas era o fato de eu ter nascido mulher.

Por ser do sexo feminino, eu não deveria falar palavrão, tinha que saber como me sentar, jamais falar palavrões, não podia falar alto, tinha que prestar atenção à minha roupa, tinha que ser uma “menina direita” etc.

Garota sentada em uma poltrona com as pernas cruzadas e um livro cobrindo seu rosto.

Por um tempo, até aceitei isso como verdade, como forma de proteção contra possíveis investidas de pessoas de má índole. Após alguns anos, porém, comecei a me sentir sufocada e a questionar novamente: por que somente mulheres? E os homens? Eles também não podem ser atacados? Ou pior: por qual motivo eu deveria me esconder como se estivesse fazendo algo errado, enquanto quem está realmente errado se acha no direito de fazer o que bem entende livremente?

Por que quando saio na rua me sentindo ótima com a roupa que escolhi, devo me sentir mal porque um ser se acha no direito de invadir o meu espaço com palavras e gestos ofensivos, que ele considera “normal”? Ou quando quero sair a noite e todos me aconselham a não sair, sendo que o mais sensato seria que quem estivesse na prisão fosse quem se acha no direito de atacar uma mulher sozinha porque pensa que mulheres sozinhas são objetos sem dono?

Mulher cobrindo o rosto ao andar na rua com três homens ao fundo a observando.

O mais difícil desta minha jornada de questionamento foi observar que, durante muitos séculos, as mulheres realmente foram consideradas objetos, não apenas para contemplação, mas objetos de troca e venda.

Nesse momento, também descobri outras tantas mulheres que se opuseram a todas essas regras, e por causa dessas mulheres as coisas começaram a mudar.

Estas mulheres lutaram pelo direito ao seu próprio corpo, pelo direito de amar quem queriam, pelo direito de votar, de não precisarem se casar, de não precisarem ter um homem falando por elas.

Na verdade, todas as mulheres são muito fortes, o que gera certo medo em pessoas que não sabem dialogar e/ou que não sabem reconhecer emoções e sentimentos.

Mulher com meia escrito "Girls rule" e salto.

Percebo que, como mulheres, temos ainda muito a conquistar.
Nosso caminho enquanto mulheres totalmente livres é longo, mas vem evoluindo continuamente. Espero que daqui a alguns anos nenhuma menina precise escutar algo como: “feche essas pernas, menina!”.


Você pode gostar de outros artigos dessa autora. Confira também: Veganismo e amor.

Sobre o autor

Denise Freitas

Denise Freitas

Professora de yoga integral e meditação e estudante de tantra.

Sou amante da natureza e dos animais, acredito que estamos aqui para evoluirmos a cada dia, sempre dando o melhor de nós.

Email: [email protected]
Instagram: @estarempaz