Autoconhecimento Convivendo

Você se sente mais velho do que realmente é?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Se me permitem, esse texto será em primeira pessoa. Seria impossível falar sobre uma coisa que é tão inerente à minha personalidade em terceira pessoa. Óbvio que sei que não sou a única a já ter se sentido assim, pois inclusive, ao longo dos anos tive a sorte de conhecer outras pessoas que também se sentem dessa forma. Eu nasci velha, eu sempre me senti mais velha do que minha cédula de identidade me dizia. Por muito tempo me senti deslocada por isso, mas devo dizer que passou.

Com o tempo, descobri que essas pessoas são chamadas de “Old Souls” (almas velhas), e que, me desculpem as pessoas consideradas normais, mas nós podemos ser muito mais interessantes. É comprovado, por exemplo, que pessoas assim tendem a se interessar mais pelas coisas a que se propõem, que é esse tipo de pessoa que os outros procuram para se aconselhar e que nós sabemos aproveitar as coisas boas da vida como uma boa comida, um bom papo e um bom descanso. Basicamente, sabemos apreciar as pequenas coisas e o prazer que elas são capazes de nos dar.

Quando eu era criança fiz um teste de QI para conseguir pular da pré-escola para a primeira série; meus pais achavam que eu era muito inteligente ou alguma espécie de criança prodígio provavelmente, mas hoje sei que eu só queria parar de me relacionar com crianças da mesma idade que eu; um ano que fosse já era um salto gigantesco.

Eu era daquelas que no começo do ano gostava de comprar a lista de material pra poder comprar uma pilha de livros, e eu não era exatamente nerd, só achava mais interessante o mundo das letras do que o das brincadeiras. Calma, eu não era um ET, eu brincava de boneca também, mas quase sempre minhas amigas do bairro eram ao menos uns dois ou três anos mais velhas que eu. Vai ver elas eram o oposto de mim, será que existe “New Souls”? Sem dúvida, sim.

Quando eu cresci um pouco e cheguei na adolescência foi quando tive certeza que eu não pertencia a essa época. Era impossível lidar com tanta gente histérica e boba. Eu meio que me envergonhava de algumas meninas da minha idade e achava que elas pareciam bebês com as pernas grandes.

Meus pais e minha família em geral diziam que eu era assim porque fui a caçula – tenho 14 anos de diferença da minha irmã – e porque só fui criada por gente mais velha. Mas e a escola? E os amigos? Eu sempre me relacionei – mesmo que por obrigação – com gente da minha idade, mas eu nunca me encaixava.

Até que eu saí da adolescência, entrei 30na fase adulta, me formei na faculdade, comecei a trabalhar e percebi que era muito mais fácil me relacionar com as pessoas mais velhas. Quando a gente sai da escola fica mais fácil ter pessoas de faixas etárias diferentes na nossa vida. E foi aí que vi que eu realmente tinha nascido velha.

Minha preocupação era que eu não parasse de me sentir assim nunca, mas hoje posso dizer com toda certeza que, aos 33 anos, finalmente me sinto com a idade que minha alma deve ter. Magicamente, tudo passou a fazer sentido. E eu até mesmo me relaciono com pessoas de idades próximas a minha sem grandes problemas, embora tenha amigo meu me convidando pra ir pra show – que sempre foi uma das coisas que mais gostei de fazer – e eu esteja declinando com certa convicção. Assistir da minha TV tem parecido bem mais confortável.

Não sei se isso acontece com todos, acho que cada pessoa deve ter um relógio biológico funcionando em alguma rotação e intensidade diferente de seu relógio mental e astral. Talvez você não deixe nunca de se sentir velho. Talvez você sempre se sinta novo. Quer saber? O que importa é que você se sinta bem, seja com seu chocolate quente, seu café amargo ou sua cerveja gelada no bar mais próximo, com suas baladas ou com seu edredom e o Netflix. Permita-se ser quem você é, da maneira que te faz feliz.


Texto escrito por Roberta Lopes Sturk da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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