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5 etapas inevitáveis do luto

mãos se segurando.
Robert Kneschke / Shutterstock
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Perdas são algo muito difícil de lidar na vida de qualquer um. Embora tenhamos consciência de nossa finitude, é muito dolorido encarar a partida de uma pessoa querida da família ou sofrer o luto por um amigo – até mesmo para quem acredita em reencarnação e outras vidas além desta. Ainda mais na cultura ocidental, em que a morte não é encarada como um processo natural, consequente da vida.

E, mesmo que fôssemos preparados ao longo da vida para a iminência do nosso fim, não tem como saber se vivenciaríamos esse processo de forma mais leve ou menos impactante. O que sabemos é que existem fases para que tentemos elaborar o luto, até que consigamos digerir a ausência eterna de quem se foi.

O tempo de duração do luto varia de pessoa para pessoa. No entanto, é comum que todos nós, sem distinção, passemos por determinadas fases. Quem abordou esse aspecto pela primeira vez foi a psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross, que propôs a definição de cinco estados mentais que se constroem numa linha do tempo na vida do enlutado. E é sobre essas etapas que vamos falar neste artigo. Confira!

As fases do luto

Para além dessas cinco fases, há outras nomenclaturas, seja como sinônimos, seja como subdivisões de etapas mais conhecidas. Mas todas são muito parecidas, num aspecto geral, e também ocorrem em uma ordem cronológica.

Mulher em posição fetal, em cima da cama, segurando as pernas.
Alex Green / Pexels

A negação – é impossível que isso tenha acontecido!

Essa é a primeira fase do processo de luto. Como que numa reação instantânea, a pessoa rejeita a existência do fato. Em um primeiro momento, pode até achar que é impossível: “Mas na semana passada mesmo, eu estava falando com ele(a)!”

Esse é um mecanismo de defesa, ativado para que nos protejamos da dor e do sofrimento. Apesar de a negação ser o primeiro estágio, tendendo a ser substituída à medida que o tempo passa, não é incomum que ela ocorra ao longo das outras etapas, de forma menos frequente.

Como ajudar?

  • Respeite o tempo dessa pessoa.
  • Não tente convencê-la, contrapondo a negação dela.
  • Acolha e seja empático, evitando a positividade tóxica.

A raiva – a busca pelo culpado

A partir do momento em que passamos a assimilar o fato e entender que a morte ocorreu mesmo, que realmente perdemos essa pessoa querida, superando a negação, damos espaço a uma espécie de revolta. Com isso, podemos nos tornar agressivos e até mesmo desligados da realidade, podendo chegar a atitudes de autodestruição.

É nessa fase que passamos a buscar por um culpado, na tentativa de entender os motivos dessa perda – injusta, para nós. “Por que ele(a)?” é uma das perguntas mais comuns. Isso quando não decidimos por culpar a nós mesmos, entrando em uma espiral de angústia, remorso, medo, entre outros sentimentos.

Como ajudar?

  • Igualmente ao caso da negação, respeite o tempo dessa pessoa.
  • Dê espaço para ela dar vazão aos sentimentos, para que ela possa colocar tudo para fora.
  • Não presuma que a agressividade dela tem a ver com você, não leve para o pessoal.
Menino em terno todo de preto, observando e refletindo, enquanto olha para um objeto.
Cottonbro / Pexels

A negociação – o que eu posso dar em troca para tê-lo(a) de volta?

Nesse que é o terceiro estágio do luto, tendemos a acreditar que podemos negociar a reversão da morte do ente querido. Pedimos a Deus, ao Universo, aos anjos ou forças superiores que desfaçam o ocorrido, fazendo promessas e oferecemos alguns “sacrifícios” em troca da perda.

Muitas das vezes, acreditamos que se tivéssemos feito – ou deixado de fazer – algo, essa pessoa não teria morrido. Essa sensação também ocorre na fase da raiva, quando nos culpamos por isso, mas, na barganha, é como se voltássemos no tempo mentalmente para refazer os passos e encontrar um “furo” que pudesse impedir a morte.

Como ajudar?

  • Afirme a essa pessoa que ela não teve nenhuma culpa, ajudando-a a tirar esse peso das costas.
  • Tente auxiliá-la a seguir em frente, no tempo dela, para não ficar presa ao passado.
  • Seja um ombro amigo: ouça – sem julgamentos – tudo que ela quiser dizer.

A depressão – um vazio que nunca mais será preenchido

O penúltimo estágio é quando a “ficha cai”. Embora essa sensação já tenha dado sinais em etapas anteriores (em especial na barganha), é nesse momento que a pessoa começa a lidar com o vazio, com a ausência. Abre-se espaço para o choro intenso, crises ansiosas, isolamento, entre outros.

É aqui que o luto é vivenciado de forma mais contundente. É quando acumulamos as experiências das outras fases, somando-se a isso a solidão, a tristeza profunda e a saudade. Nesse momento, sofremos abalos físicos e emocionais. É uma fase delicadíssima, em que devemos nos atentar para o risco de isso evoluir para um estado depressivo maior.

Como ajudar?

  • Fique de olho nos possíveis sinais de um transtorno depressivo (consulte nossos conteúdos sobre o tema).
  • Esteja sempre perto, pronto a ouvir, acolher e fazer essa pessoa entender que essa fase é normal, mas inspira atenção.
  • Se necessário, não hesite em incentivá-la a buscar ajuda profissional – psicológica ou psiquiátrica.
Senhor de idade sentado próximo a uma janela, olhando para fora. enquanto há uma foto de uma senhora em primeiro plano desfocada.
Cottonbro / Pexels

A aceitação – seguir em frente, mantendo as lembranças vivas

Eis o último estágio. Percebemos que não voltaremos mais no tempo, passando a lidar com os sentimentos de forma mais serena, sabendo também como expressá-los com mais clareza. Começa aqui a jornada de reorganização das ideias e sentimentos, para que possamos seguir em frente.

Não significa que esqueceremos a pessoa querida ou que superaremos completamente a perda, não tendo momentos de tristeza, saudade ou dor. Mas a vida começa a se reconfigurar para que a ferida cicatrize e possamos continuar a vida, mantendo as melhores lembranças do que vivemos ao lado dessa pessoa tão querida.

Como ajudar?

Apesar de ser uma fase resolutiva, esteja perto da pessoa, mantendo o apoio e o acolhimento oferecidos nas fases anteriores. Seja alguém com quem ela poderá continuar contando quando a saudade bater e a dor apertar.

Vale lembrar que, quanto mais insistimos na negação, mais tarde chegamos à aceitação. Por isso, é importante cercar essa pessoa de apoio ao longo do processo.

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Em todos os estágios, tenha consciência de que essa pessoa está passando por um momento difícil, e atravessar essas fases é essencial para o processo de cura dela. Portanto o que podemos oferecer é acolhimento, apoio e respeito.

Sabemos que a morte é uma certeza para todos nós. Mas perder alguém é certamente uma das mais tristes, para a qual nunca nos sentiremos completamente preparados. Então, para os que ficam, que possamos nos apoiar uns aos outros, acolhendo e respeitando… E que tal contar com a ajuda deste artigo para concluir essa missão que é oferecer apoio a quem esteja passando por esse processo?

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