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5 lições que podemos aprender com a mitologia nórdica

Thor, Odin, Loki… Você provavelmente já ouviu ou leu esses nomes, mesmo que tenha sido nos filmes de super-heróis da Marvel! Esses são alguns dos principais deuses da mitologia nórdica, um conjunto de crenças que era popular em países como Noruega, Islândia, Dinamarca e Suécia.

Mais do que um conjunto de crenças, era realmente uma religião. Assim como as pessoas usam a Bíblia para aprender histórias e estudar para ser uma pessoa melhor, as histórias da mitologia nórdica serviam como lições a respeito da personalidade do ser humano e de como evoluir como pessoa.

Para mostrar um pouco mais dos valiosos aprendizados que as histórias da mitologia nórdica escondem, preparamos essa lista com 5 lições que podemos aprender com a mitologia nórdica. Confira!

1 – Odin e a ganância

Odin, o pai de todos, o deus mais poderoso do panteão nórdico, sempre foi um ser extremamente sábio e inteligente. Apesar de já controlar os deuses da sua espécie, os Aesir e os seres humanos, e também ser mais poderoso do que os deuses da espécie Vanir, Odin nunca estava satisfeito com suas capacidades intelectuais.

Ganancioso, ele parte numa busca sem fim para encontrar ainda mais sabedoria e conhecimento. Então vai até a raiz da árvore Yggdrasil, que sustenta os nove reinos da mitologia nórdica. Lá ele encontra o poço da sabedoria, que é guardado por um deus chamado Mimir.

Numa pintura, um Fenrir atacando Odin.
Mabel Dorothy Hardy, Public domain / Wikimedia Commons / Canva

Em seguida, Odin pede a Mimir para beber a água desse poço de sabedoria, para que se torne ainda mais sábio e poderoso intelectualmente. Então Mimir que responde que tudo bem, ele pode se servir da água do poço, desde que, em troca, sacrifique um de seus olhos.

Descontente com as capacidades intelectuais que já tinha e ganancioso por mais, Odin não pensa duas vezes e troca seu olho por mais sabedoria. Por muito tempo, a escolha parece ter sido boa, e ele reina ainda mais soberano sobre todos os deuses.

O problema é que, durante o Ragnarök, o apocalipse dos deuses, Odin trava uma batalha com Fenrir, um lobo gigante que é filho do deus Loki, e é justamente por não ter um olho que não enxerga um ataque lateral de Fenrir e acaba morto. Por isso é que devemos pensar muito bem no que escolhemos com base em nossa ganância…

2 – Týr entre pessoas comuns

Quando falamos em um deus da guerra na maioria das mitologias, imaginamos um guerreiro (ou guerreira) poderoso, que chega para encerrar conflitos com sua força física e suas habilidades em batalha.

Ainda que algumas fontes descrevam Thor e Odin como deuses da guerra também, porque os deuses nórdicos têm muitas especialidades, o verdadeiro deus da guerra do panteão nórdico se chama Týr.

Uma ilustração de Týr segurando uma espada e comportando, consigo, um escudo.
Artist unknown., Public domain / Wikimedia Commons / Canva

Na mitologia nórdica, é comum que os deuses acabem interagindo somente entre si, tanto as boas interações, quanto as ruins e as guerras que acontecem. Portanto é somente no contato entre deuses que suas habilidades e capacidades são trabalhadas.

Mas Týr pensa diferente. Ainda que ele goste de ficar entre os seus, entre deuses, ele gosta muito de vir a Midgard, a nossa Terra, onde pode interagir com seres humanos, seres mais fracos que os deuses, para entender como nos comportamos e expandir sua visão de mundo.

E é assim, aprendendo com diversos povos e viajando por todos os nove mundos da mitologia nórdica que ele aprende habilidades de diplomacia e justiça. Então, ainda que ele continue sendo o deus da guerra, ele é o deus que chega para encerrar guerras, não para promovê-las.

E isso mostra que, ainda que seja importante estar perto de pessoas sábias e poderosas, é somente interagindo com pessoas mais simples e que são afetadas pelas decisões das poderosas que podemos aprender a construir um mundo melhor e mais justo.

3 – Odin e seus conselheiros

Os deuses da mitologia nórdica têm muitas “faces”. Entre todas as mitologias, as crenças nórdicas são aquelas que apresentam personagens sobre os quais encontramos mais dificuldade de dizer se são “do bem” ou “do mal”. O primeiro tópico trouxe uma história da ganância de conhecimento e da arrogância de Odin, mas este é sobre sua humildade.

Ainda que fosse o deus mais poderoso de todos, além de ser o mais sábio e o mais respeitado, Odin tinha como filosofia ouvir os outros antes de tomar suas decisões. Então ele sempre consultava seus filhos, como Thor e mesmo Loki, o deus da trapaça, para decidir qual seria a melhor decisão em cada caso.

Um desenho digital de Odin sentado ao lado de lobos.
Openclipart / publicdomainvectors.org / Canva

Além disso, ele não consultava somente deuses. Odin tinha como seus melhores conselheiros e observadores os corvos Hugin e Munin, que viajavam por todos os nove reinos não só como mensageiros, mas também como observadores para o pai de todos.

Depois de reunir informações sobre o que estava acontecendo em cada um dos nove mundos da mitologia nórdica, as aves se reuniam com Odin e contavam o que haviam visto. Não raramente, Odin pedia aos corvos conselhos a respeito do que deveria fazer para lidar com as situações que foram descobertas por eles.

Além de demonstrar certa humildade de ouvir todos, mesmo criaturas simples, como animais, Odin demonstra, com isso, de maneira metafórica, que devemos nos voltar para a natureza, ou seja, para os nossos instintos e para a sabedoria natural, se quisermos tomar as melhores decisões possíveis.

4 – Baldur e a traição dos próximos

Baldur é um dos deuses mais celebrados da mitologia nórdica. Animado, feliz, bondoso, gentil e sorridente, ele espalha boas novas e promove celebrações em todos os nove reinos da mitologia nórdica. Mesmo não sendo um deus Aesir – a raça de Odin e Thor –, Odin, Thor, Loki e outros deuses permitiam que ele ficasse em Asgard, lar dos Aesir.

Mas isso começou a despertar a inveja de Loki, o deus da trapaça, que começou a tramar a morte de Baldur secretamente. Por isso, Baldur começou a ter pesadelos, e resolveu comentar isso com Odin e Frigga, esposa do deus supremo. Frigga, então, decide ajudar Baldur.

Uma pintura de Johannes Gehrts que representa o deus Baldur.
Johannes Gehrts, Public domain / Wikimedia Commons / Canva

Ela viaja pelos nove reinos da mitologia nórdica conversando com deuses, humanos e até mesmo animais e plantas para conseguir de todos uma promessa de que jamais fariam mal a Baldur. Loki espertamente faz a promessa, mas se disfarça de mulher e consegue uma informação importante com Frigga.

Ele descobre que a deusa não pediu a promessa de uma planta chamada visco, pois considerou que o vegetal era muito inofensivo e jovem. Portanto Loki decidiu agir, baseado nisso. Munido dessa informação, ele espera uma festa que vai celebrar a vida de Baldur.

Na festa, todos começam a atirar dardos em Baldur, que nunca se machuca, por causa das promessas feitas. Então Loki se aproxima de Hoder, irmão de Baldur que é cego. Guiando Hoder, Loki faz com que ele dispare um dardo de visco em seu próprio irmão. Como o visco não fazia parte da promessa, acaba matando Baldur.

Essa é uma história que mostra que sempre devemos estar atentos, inclusive em relação às pessoas mais queridas que nos cercam, sejam amigos (Loki) ou irmãos (Hoder), porque nunca sabemos de onde pode vir uma traição e porque essas pessoas podem estar sendo manipuladas por outras mal-intencionadas.

5 – Harbard e a humildade

Um poema da compilação de mitos chamada “Edda Poética” conta a história de Thor, o deus do trovão, e de Harbard, um barqueiro. A história conta que Thor chega a um lago e precisa atravessá-lo, mas é impossível nadar ou voar por ali.

Então Thor avista esse barqueiro, de nome Harbard, que se aproxima. Em vez de conversar gentilmente com Harbard, Thor adota uma postura agressiva, fazendo provocações e ameaças ao barqueiro, que começa a responder no mesmo tom.

Uma representação ilustrativa do barqueiro Harbard.
W.G. Collingwood (1854 – 1932), Public domain, / Wikimedia Commons / Canva

Em pouco tempo, a conversa, que poderia ser amistosa, torna-se uma troca de ofensas, ameaças e xingamentos pesados. Então o barqueiro diz que não vai ajudar Thor a atravessar o lago e que ainda fará uma revelação.

Portanto Harbard revela que, na verdade, é ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Odin, o pai de todos, pai de Thor, inclusive, e dá uma lição e um longo sermão em seu filho a respeito de humildade e de gentileza no trato com os outros.

Essa é uma história que nos mostra que gentileza e simpatia nunca são demais, pois nunca sabemos quem é a pessoa com quem estamos nos comunicando e de que forma podemos precisar da ajuda dela no presente ou no futuro.

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Essas são apenas algumas das histórias da mitologia nórdica que nos ensinam valiosas lições a respeito de características que precisamos desenvolver ou controlar. Se você quer conhecer mais sobre essas crenças, recomendamos os livros “Edda em Prosa” e “Edda Poética”, ambos disponíveis em edições em português.

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