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As mitologias por trás do Equinócio de Outono

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Na natureza, existe uma série de fenômenos naturais que marcam o começo e o fim de determinados ciclos. As estações do ano, os períodos de seca e de chuva, a formação das nuvens e as correntes marítimas são alguns exemplos disso. Cada parte do planeta Terra apresenta uma organização específica, que é estudada pela ciência.

Um dos fenômenos mais perceptíveis pelas pessoas em todo o mundo é a mudança das estações. O primeiro dia do início de uma nova estação é marcado por equinócios (de outono e de primavera) e por solstícios (de verão e de inverno).

Os solstícios acontecem quando o Sol está no ponto mais distante da Terra em relação à linha imaginária do Equador, fazendo com que o planeta receba mais luz em um hemisfério e menos luz em outro. Por esse motivo, as estações do ano marcadas pelos solstícios são o verão e o inverno, com maior e com menor incidência dos raios solares, respectivamente.

Com os equinócios é diferente. Cada um deles define o começo do outono e da primavera, que são duas estações de transformação. A seguir, entenda de forma aprofundada como funciona o equinócio de outono e quais são as mitologias por trás desse fenômeno!

Imagem de dois bancos de madeira em uma praça com as ruas forradas de folhas alaranjadas de outono.
Imagem de Pepper Mint por Pixabay

Equinócio de outono

Assim como para o equinócio de primavera, o equinócio de outono acontece quando o Sol está no ponto mais próximo da linha imaginária do Equador, abrangendo o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul do planeta com a mesma intensidade, dando início ao outono ou à primavera.

O equinócio de outono acontece no dia 20 de março no Hemisfério Sul e no dia 23 de setembro no Hemisfério Norte. Enquanto acontece o equinócio de outono em um hemisfério, acontece o equinócio de primavera no outro. Dessa forma, em 20 de março ocorre o equinócio de primavera no Hemisfério Sul e no dia 23 de setembro há o equinócio de primavera no Hemisfério Norte.

O equinócio de outono e o equinócio de primavera duram um dia, quando a manhã e a noite têm exatamente a mesma duração, ou seja, você pode perceber que há 12 horas de luz e 12 horas de escuridão tanto no começo da primavera quanto no começo do outono, nos dois hemisférios. Essa definição pode ser identificada, inclusive, pela palavra “equinócio”, formada a partir do latim “aequus” (igual) e “nox” (noite).

Imagem de uma linda floresta em pleno outono. Todas as árvores estão com suas folhas alaranjadas.
Imagem de Valiphotos por Pixabay

Antigas civilizações e o equinócio de outono

As antigas civilizações do continente americano, como os maias, norteavam a organização do tempo e da sociedade a partir da astronomia. A observação do céu, avaliando o posicionamento dos astros e as mudanças provocadas pelo movimento do Sol, permitiu que esses povos determinassem a existência de ciclos na natureza, sendo capazes até mesmo de identificar a duração de um ano.

Depois de longos períodos de observação do Sol, foi possível identificar quatro dias do ano em que o astro se comportava de maneira única: os solstícios e os equinócios. Quando o Sol nascia exatamente no ponto cardeal leste e se punha no mesmo ponto a oeste, depois de uma estação de calor intenso, as antigas civilizações sabiam que o equinócio de outono estava acontecendo.

A partir disso, era o momento ideal para colher os frutos que cresceram ao longo do verão, já que a terra passaria por um momento de infertilidade. Como observavam os ciclos naturais, os antigos sabiam que essa dificuldade para plantar seria superada com a ocorrência do outro equinócio, o de primavera.

Os povos sumérios e babilônios, ainda que estivessem do outro lado do mundo, também reconheciam a existência do equinócio de outono. Quando ele acontecia, realizavam rituais para agradecer aos deuses que cultuavam por todos os alimentos que tinham lhes fornecido ao longo do verão e que poderiam ser colhidos naquele momento.

Imagem de uma estrada no centro de uma floresta em pleno outono.
Imagem de Valiphotos por Pixabay

Mitos e construções relacionados ao equinócio de outono

Para a religião Wicca, o equinócio de outono é uma data de celebração. É no primeiro dia de outono que as pessoas devem se reunir para agradecer aos deuses que são responsáveis por prover frutos e alimentos. Esse ritual é um dos oito sabbats da religião, chamado de Mabon e celebrado no mundo todo por pessoas que seguem a crença.

O Mabon homenageia a Mãe dos Grãos, Mabon, e o Filho dos Grãos, Modron, que são as divindades que estimulam a boa colheita, a fertilidade do solo e o desenvolvimento de flores e de frutas no período do verão e da primavera. No dia do Mabon, depois de agradecer às divindades, é preciso de recolher e repousar.

Se, para a religião Wicca, o equinócio de outono é o momento de celebrar a existência de divindades da abundância e da colheita, para os gregos há outra explicação simbólica para o fenômeno. Acompanhe esta história da mitologia grega!

No dia do equinócio de outono, Hades, deus do submundo, deparou a jovem Perséfone colhendo flores em um campo. Imediatamente ele a raptou e a levou para o submundo, onde ela ficaria para sempre ao lado dele. A mãe de Perséfone, Deméter, notou a ausência da filha e a procurou em todos os lugares. Sem que ela reaparecesse, todas as flores murcharam ou morreram.

Para amenizar o sofrimento de Deméter e para recuperar as flores e os frutos, os deuses do Olimpo fizeram uma negociação com Hades. Quando tudo parecia resolvido, porém, o deus do submundo enganou Perséfone, dando uma semente de romã para ela comer. Com isso, ela selou um compromisso: durante seis meses do ano, ela voltaria ao submundo. O dia em que ela vai até lá, todos os anos, é o que teria originado o equinócio de outono.

Imagem de uma estrada entre a floresta. A estrada está forrada com lindas folhas de outono na cor alaranjada.
Imagem de Free-Photos por Pixabay

Além dos mitos em torno do equinócio de outono, há também construções que foram elaboradas em referência a esse fenômeno. Os maias acreditavam que no dia do equinócio de outono, Kukulcan — divindade criadora da vida conhecida como “serpente de plumas”, deus da água e do evento — desceria à terra.

Como Kukulcan era homenageado com a construção de templos de adoração, exatamente no dia do equinócio de outono era possível identificar um acontecimento fantástico em um deles. Na escadaria do Chichén Itzá, uma pirâmide maia famosa internacionalmente, um feixe de luz parece descer pelos degraus, como uma serpente atravessando o corrimão, em referência à serpente de plumas.

O fenômeno atrai turistas de todo o mundo e só acontece durante algumas horas, no equinócio de outono. É a forma que o povo maia encontrou para homenagear Kukulcan e, ao mesmo tempo, marcar o início do outono.

Na Irlanda também existe um monumento que torna o equinócio de outono mais especial. O Forte de Greenan foi construído em pedra, em formato de anel. Durante o equinócio de outono, um feixe de luz atravessa uma das partes da estrutura, entrando no anel somente por esse ponto.

Um fenômeno semelhante acontece em uma estrutura em Malta, no templo de Mnajdra. No equinócio de outono, a luz do Sol atravessa a construção de pedra e atinge o eixo central da estrutura por um único ponto.

No Egito também existe uma construção que homenageia o equinócio de outono. Na noite do fenômeno, a Estrela Polar fica alinhada com o topo da Grande Pirâmide de Gizé. Diferentemente do que acontece nas outras construções, esse fenômeno não é anual. A última vez em que ele foi visto foi em 2004. Mas, eventualmente, o alinhamento da Estrela com a Pirâmide, no dia do equinócio de outono, pode acontecer novamente.

Imagem de um tronco de uma árvore com musgo. Ele se encontra em um parque e o gramado está forrado com folhas de outono alaranjadas.
Imagem de rihaij por Pixabay

O que fazer no equinócio de outono?

Depois de conhecer todas as questões que rodeiam o equinócio de outono e a forma como ele é homenageado em cada parte do mundo, está na hora de você aproveitar essa data.

O equinócio de outono marca o começo da estação em que nada floresce. É preciso colher os frutos do verão e aguardar a chegada da primavera para que tudo volte a crescer. O que fazer nesse meio-tempo?

Os povos antigos agradeciam aos deuses por tudo que recebiam, e você pode fazer isso também. Agradeça por tudo o que você conquistou até esse momento e deixe claro o que você ainda quer conseguir nos próximos meses. Agradeça não só ao universo ou aos deuses nos quais você acredita, mas também aos seus familiares e aos amigos que estiveram ao seu lado.

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Outra sugestão para o equinócio de outono é fazer uma limpeza na sua casa e nos seus armários. Veja tudo aquilo que não está trazendo felicidade para o ambiente doméstico e doe as roupas que você não está mais usando. Aproveite a chegada do outono para trazer novos ares para a sua vida.

Por fim, você pode preparar uma refeição com seus pratos preferidos, para celebrar a fartura que você obteve e para desejar que o próximo ciclo seja assim também. Esteja ao lado de pessoas que você ama e estimule cada uma delas a agradecer por aquilo que vocês conquistaram juntos.

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