Muitas pessoas chegam até mim com uma pergunta parecida:
“Como é isso de autoaceitação, se passei a vida toda fazendo de tudo para ser aceita, pertencer, ser vista?”
É uma pergunta honesta. E revela o primeiro equívoco sobre o tema.
Autoaceitação não é aprovar ou desaprovar a si mesmo. Não é nota vermelha ou azul. Passar ou repetir. Ser igual ou diferente do outro.
E ainda assim, é exatamente assim que muitos se olham, nessa oscilação entre dois extremos: “Eu sou assim, sempre fui” ou “Estou completamente errada, sou inadequada.”
Sem conseguir parar no meio. Sem conseguir simplesmente ver.
Ao longo da vida, fomos ouvindo coisas sobre nós mesmos.
O que éramos. O que deveríamos ser. O que nunca seríamos.
E fomos colando esses pedaços em nós, como uma colcha de retalhos.
O problema é que, com o tempo, esquecemos o que é nosso e o que veio de fora.
Autoaceitação começa aqui: aprender a se ver com os próprios olhos.
Porque eu não sou os retalhos.
Eu sou o tecido em que foram costurados.
Olhar para cada retalho e perguntar: isso me traduz? Isso me define? Ou foi costurado por mãos que não eram as minhas?
Esse processo vai, aos poucos, devolvendo o olhar para si mesmo.
E, quando esse primeiro movimento acontece, vem o segundo:
Olhar para mim com os meus olhos. Sem medo. Sem críticas. Sem comparações, culpas, justificativas ou dramas.
Só olhar. Reconhecer. Aceitar o que vejo.
Do que vejo, escolho o que fica, porque me alimenta. E o que desapego, porque já não me serve.
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Autoaceitação não é um destino.
É um processo.
Sem pressa.
Com assertividade e compaixão.
Comprometida com você mesma.
