Autoconhecimento Coaching

Lei da Atração: os semelhantes se atraem

Ricardo Ricchini
Escrito por Ricardo Ricchini
Os opostos se atraem? Pode ser, mas é uma grande verdade dizer que os semelhantes se atraem. Depende do grau de sutileza do contexto.

Eu e a minha esposa, por exemplo, temos gostos, jeitos, estilos e manias diferentes. Vai além do “Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus”, chega a ser hilário. Comprar um presente surpresa para ela é um grande risco. Preciso, no mínimo, me certificar que a loja aceita troca, porque é muito provável que vá acontecer. E toda essa discordância não a torna menos atraente para mim. Ao contrário, acho tudo isso, no mínimo, fofo.

Na superfície, somos opostos… E apaixonados desde o ano 2001.

Em profundidade, somos semelhantes.

Temos os mesmos propósitos, os mesmos princípios. Nossos valores morais são idênticos. Foram esses conceitos que nos atraíram. Principalmente considerando que estávamos há 800 quilômetros de distância um do outro, com internet discada (nem queira saber o que é isso), em uma sala de bate papo, pensando em qualquer coisa, menos em encontrarmos o amor de nossas vidas.

E obviamente que, por semanas, a conversa digital não entrava na profundidade de condutas éticas, ao contrário, ficava focada em nossas diferenças que, aos poucos, cada vez mais se complementavam.

Se estávamos fisicamente distantes, se não conversávamos sobre a nossa índole, o que nos atraiu?

Foi a nossa intenção, foi nossa energia, nosso “campo gravitacional”. Nosso interesse em compartilhar assuntos que, na aparência, poderiam até parecer efêmeros, mas que partiam de bases com a mesma integridade moral.

Apesar de estarmos inconscientes disso, estavam em ação duas Leis: a da atração e a do desapego. Enquanto estávamos confortáveis experimentando como éramos parecidos em essência (atração) não existia nenhuma expectativa nesse relacionamento (desapego). Meu primeiro casamento tinha sido com uma vizinha (sim, a pessoa amada teria que ser a mais próxima possível) enquanto a minha esposa tinha uma vida estável no sul do país.

Quando percebemos, não existia outra hipótese que não fosse a nossa união.

Paro com o romance por aqui para não dar a impressão que a lei da atração se trata de relacionamentos. A lei da atração é sobre qualquer coisa, quer você queira, quer não.

Você pode dizer: “Bem, a história acima foi uma ocorrência acidental, não foi provocada intencionalmente. Como faço para usar a lei da atração de forma consciente?”

É muito simples. Se você sente que sua vida anda em círculos negativos ou que os resultados que você obtém estão aquém do que gostaria, mude quem você é!

Porque você atrai os resultados semelhantes ao que você é como pessoa. Suas crenças, seus hábitos e seus comportamentos fazem com que você se relacione com pessoas, com lugares e com fatos que naturalmente trazem os resultados que você está atraindo para a sua vida.

Se você vive reclamando, vai se sentir confortável com pessoas que reclamam. Essas pessoas estão sintonizadas com a violência do trânsito, com o noticiário político, com discussões em redes sociais. Essas pessoas estão vendo a pobreza rondando, estão cada vez mais rígidas e somatizando doenças. Elas não têm tempo para relaxar.

Enquanto isso, pessoas que tem pensamentos de abundância, estão confortavelmente se relacionando, por similaridade, com pessoas abundantes.

Mas você já sabe disso. Digitando “a lei da atração” no Google, ele encontra aproximadamente 1.280.000 resultados. Todo mundo fala, todo mundo quer, mas poucos tem acesso à Lei da Atração. Minha percepção é que isso acontece por falta de regras.

Quem se mantém no caminho, está trilhando para o fim do sofrimento.

Em minhas palestras, na Pandora Treinamentos, eu conto como conseguimos uma nova sede “sem querer” no Jardim Paulista e como eu comprei um apartamento sem dinheiro, mas histórias não vão fazer ninguém sair da teoria e partir para a prática, portanto eu vou mostrar a maneira como atraio os resultados que quero para a minha vida.

Estudando sobre yoga e meditação, tive acesso ao livro “Os Yoga Sutras De Patañjali”. É um texto clássico sobre a teoria e prática do Yoga tradicional (que não é a ginástica que conhecemos no ocidente). Foi escrito por um sábio chamado Patañjali. O segundo capítulo, Sādhana Pāda, é onde se encontram as regras de conduta que levam qualquer praticante sério a mudar sua vida.

Como funcionou comigo? Precisei de tempo para entender que não adianta seguir só um pouquinho as regras, mas também entendi que não é necessário executá-las com perfeição para obter resultados surpreendentes. O Buda dizia que quem começa a trilhar o caminho correto, é beneficiado na hora. E quem se mantém no caminho, está trilhando para o fim do sofrimento.

As regras são simples e você pode usar o conceito da Coerência Relacional (que ouvi da boca da professora de Yoga Camila Reitz) que significa algo como: a mensagem é dita para quem ouve. Ou seja, cada um, em seu nível de percepção, vai entender de uma forma e está correto assim. A medida em que você vai sutilizando seu estado de consciência, as regras de conduta ganham novos significados e aprofundam sua compreensão. Em decorrência disso, novos benefícios dessas práticas são alcançados.

Essas regras são conhecidas como Yamas e Niyamas e apenas mostro do que se tratam e os benefícios que estão à disposição do praticante:

Yama – Disciplina moral

1 – Ahimsa – Intenção de não praticar violência
Por meio de Ahimsa, nós desenvolvemos o magnetismo para o bem. Se a violência atrai violência, o amor vai atrair o amor.

2 – Satya – Compromisso com a verdade
Por meio de Satya, tudo o que falamos se torna real. Pratique a fala correta (mental e verbal) e você estará mais próximo de transformar sua intenção em realidade.

3 – Asteya – Abster-se de tomar o que não lhe pertence
Por meio de Asteya, todas as riquezas vêm em nossa direção. Pratique a honestidade no seu dia a dia e nas pequenas coisas, que a abundância vem em sua direção.

4 – Bramacharya – Moderação dos sentidos
Por meio de Bramacharya, a energia vital está ao seu dispor e o torna vigoroso.

5 – Aparigraha – Ausência de possessividade
Por meio de Aparigraha, entender que temos o que necessitamos, traz a compreensão da existência.

Nyama – Conduta pessoal

6 – Saucha – Purificação dos sentidos
Por meio de Saucha, surge a disposição para a interiorização, facilitando o autoconhecimento e a união com seu Eu Superior.

7 – Santosha – Contentamento
Por meio de Santosha, surge a suprema felicidade, pois eu tenho o que eu fiz por merecer.

8 – Tapas – Autodisciplina
Por meio de Tapas, surge a perfeição do foco e da concentração.

9 – Svadhyaya – Autoanálise
Por meio de Svadhyaya, a leitura de si mesmo sem julgamento, o conhecimento se transforma em sabedoria.

10 – Ishvara Pranidhana – Entrega
Com Ishvara Pranidhana, entendemos que a lição não aprendida, é repetida. Humildade é saber que não podemos mudar o passado e nem prever o futuro.

Tem muita informação na internet sobre os Yamas e os Niyamas e vale a pena estudar sobre o assunto, mas de nada adianta muito conhecimento sem aplicação prática. Não acredite em nada do que eu escrevi. Experimente na sua vida e compartilhe seus aprendizados.

Boas práticas!

Sobre o autor

Ricardo Ricchini

Ricardo Ricchini

Treinador de Alta Performance, palestrante e professor de meditação na Pandora Treinamentos

www.pandoratreinamentos.com.br