Darwin, deu merda!
Hoje abri meu Instagram, já eram 9h da manhã e achei que eu já teria equilíbrio emocional para ver meu feed. Creio que o algoritmo esteja a serviço da minha evolução como ser humano, mas desconfio que não tem dado certo a estratégia. E confesso que meu primeiro pensamento foi: “Darwin, deu merda”.
Creio que a humanidade esteja “bugada” e que a evolução flopou.
E o que me faz pensar assim? Os três primeiros posts que passaram no meu feed:
- Uma mulher jovem contava, orgulhosa, que participou de um encontro de vampiros no meio da natureza em Campos do Jordão, trocando experiências sobre tradições vampíricas e fazendo amigos;
- Uma mulher adulta chorando compulsivamente porque seu professor da academia a chamou de gorda e, segundo ela, este é um trauma pelo qual ela sofre há 10 anos. E pasmem, ao meu ver, ela não tinha nada de gorda, achei ela ótima, inclusive;
- Uma jovem apareceu no canal de um grande influenciador contando, indignada, que a polícia bateu à sua porta tarde da noite porque os vizinhos se incomodaram com os sons que ela emitia enquanto fazia sexo.
Desculpem se pareço julgar. Eu realmente tenho profundo respeito e compreensão em relação às escolhas e ao estilo de vida de cada um. Só que, tendo estudado tanto sobre desenvolvimento humano, comportamento, trauma, performance e espiritualidade, preciso dizer que o mundo parece estar indo de mal a pior.
- Humanos que vestem personagens estão fugindo de que aspecto da sua realidade?
- A pessoa que se deixa afetar de forma extrema por conta de uma opinião de um terceiro tem que tipo de autodomínio?
- O indivíduo que expõe sua intimidade está buscando suprir que tipo de carência?
Este texto não é sobre julgar. É sobre autoconsciência e autorresponsabilidade. Humanos conscientes reconhecem ou buscam reconhecer suas faltas, carências, necessidades e pontos de melhoria diante do que os afeta. Pessoas inconscientes buscam culpados, apegam-se a ideologias e classificações com apelo de inclusão, mas que os separam da riqueza da semelhança entre outros humanos, que, ao mesmo tempo em que são tão únicos e individualizados, têm tantos pontos de convergência.
Precisamos reaprender a ser SEMELHANTES. Mesmo nas diferenças, nas particularidades, na atipicidade, deficiência e tantas outras características. Precisamos assumir que não encontraremos heróis que nos salvem, nem na arte, nem na política, nem no ambiente de trabalho, muito menos nos relacionamentos.
Afinal, o que seria evoluir como humanos?
Ter menos dentes na boca?
Não ter que caçar para sobreviver?
Ter uma capacidade cognitiva mais desenvolvida?
Para quê?
Se na primeira oportunidade usamos os dentes ou para atacar o outro ou para ranger de medo à noite.
Se continuamos “caçando experiências” fora de nós e projetando felicidade no meio, no outro ou em coisas.
Se estamos usando mal toda a tecnologia que temos à disposição e, em vez de usarmos o tempo lendo ou preservando nossas atividades psicomotoras, estamos só rolando a tela, em busca de dopamina rápida e ficando mais burros do que gerações anteriores.
Entenderam por que este texto não é sobre julgar?
O medo, a culpa e a fuga destas emoções não nos levarão para o caminho da evolução, mas a autoconsciência, o autodomínio, a autoliderança e a autorresponsabilidade, sim.
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Pare de procurar fora o que tem dentro. Serve para mim, que reflito sobre isso sempre que me vejo ansiosa ou projetando minhas carências externamente. Que sirva para você, para que tenha a oportunidade de rir de si mesma e de reconhecer quando buscar ajuda profissional, sem precisar chegar a um extremo ou ficar refém de ideologias, heróis projetados, fanatismos de qualquer espécie e revoltas com coisas em que você poderia gastar melhor sua energia criando soluções em lugar de apenas protestar a respeito.
Sua opinião vale muito. Suas atitudes transformadoras valem ainda mais. Comece por você.
