Autoconhecimento • Educação • Psicologia

Nunca se diminuir, nunca se aumentar: o desafio de ser quem você realmente é

Imagem de um homem escrevendo em um vidro embassado a frase Who Am I? Quem eu sou?
Yourstockbank / Getty Images Pro / Canva
Escrito por Andrews Rodrigues

Ego e aparência: vivemos em uma sociedade de crianças que nunca cresceram? Neste artigo, refletimos sobre a busca por validação, a competição infantil e o desafio de ser quem realmente somos. Um convite ao autoconhecimento e à conscientização. Leia e reflita.

Temos vivido tempos em que o desequilíbrio humano nunca foi tão evidente. Não que eu pense que estamos mais desequilibrados hoje; é apenas que, com a internet, todos compartilham tudo, tudo mesmo, inclusive suas sombras.

Nossos complexos e neuroses, em outros tempos, eram sentidos e vivenciados por aqueles próximos de nós: filhos, cônjuge, amigos, irmãos, pais.

Hoje vemos isso em evidência, sendo despejado em discursos e conteúdos dos mais absurdos espalhados pelas redes. Ainda existe uma cultura dos defeitos, em que traços antes considerados vergonhosos hoje são apresentados como postura de força e posicionamento.

Vemos um grupo cada vez maior de pessoas enaltecendo seus feitos, se pintando de grandiosas, alimentando uma vaidade que parece não caber na própria face afetada. O ego hoje é o ente mais reverenciado.

Estas são aquelas que aumentam seu tamanho real, afastando-se muito da realidade: grandes homens e mulheres, desejosos de validação e/ou poder. Crianças ingênuas que sobem na mesa e gritam: “Olhem só como sou grande.”

Por outro lado, temos muitos que constroem uma base insólita sobre a imagem de si mesmos. São indivíduos que cresceram se sentindo ameaçados por toda essa competição e conflito de egos que não são novidade de nossos tempos. São pessoas que se apequenam diante de um mundo repleto de megalomania desvairada. Sua identidade se ergue em torno da insegurança que nasce ainda na tenra infância, com toda a comparação gerada pelo nosso padrão social competitivo sustentado em validação vazia e superficial.

A criança cresce percebendo que agradar o mundo não cabe em suas capacidades, então se sente pequena. Já outras crianças percebem que precisam ser grandes para isso, mas, em um mundo de aparências, elas aprendem a aparentar tamanho.

Assim surge essa roda de conflito humano: uns se engrandecendo para além do que são, outros se apequenando sem nunca enxergarem o próprio tamanho. Ambos reagem ao impacto sufocante de uma sociedade fundamentada em indivíduos que nunca cresceram de fato e vivem em busca de validação dos mais variados aspectos.

Então, esse é nosso desafio: nunca se diminuir ou se aumentar para além da nossa verdade. Isso só pode ser feito se a comparação cessar – o que só pode ocorrer em uma sociedade que deixe de criar crianças na lógica da competição e da pressão, passando a entender que cada indivíduo processa e interage com o mundo a seu modo.

Em um mundo civilizado, teremos crianças sendo compreendidas desde cedo e direcionadas de maneira equilibrada a se desenvolverem de acordo com sua natureza – e não de acordo com as expectativas e preconceitos de uma sociedade doente.

Pode faltar muito até lá, mas esse mundo será criado pelas sementes que plantamos hoje. É uma batalha que vale a pena ser lutada, mesmo que não vejamos essa sociedade em nosso tempo de vida. O movimento agora é de conscientização: comunicar novas ideias, tomar ações direcionadas ao bem-estar de toda a vida.

Este texto é um movimento singelo deste que lhe escreve. Uma tentativa de alcançar novas almas que ressoam na mesma frequência e anseiam por um mundo mais justo e harmonioso para todos.

Adoraria saber se este texto conversou com seu propósito; um comentário já me deixa saber.

Grande abraço e fique bem!

  • Andrews Rodrigues

    Andrews Rodrigues

    Agente de Transformação
    [email protected]@andy.creatives@conexaocolablinkedin.com/in/andy-creatives-a776a0102serliricoficial

    A vida é algo raro e a gente parece não se dar conta disso apenas porque vivemos em um oásis onde ela é abundante.
    Quero viver em um mundo que garanta a vida no centro de todas as nossas ações. Um mundo onde possamos desenvolver o melhor do potencial humano, superando o comportamento mecânico que tem nos levado a um caminho obscuro e incerto.
    Quero viver em um mundo onde o indivíduo seja sustentado pelo coletivo, tendo espaço para crescer e fortalecer ainda mais a comunidade. Um mundo que respeite o lugar que cada um ocupa, e no qual cada indivíduo seja responsável ao assumir seu papel.
    Quero viver em um mundo possível, mas que, para acontecer, exige transformação: não no planeta em si, mas no nosso modo de construí-lo. Isso requer abandonar os velhos padrões apoiados no mero instinto de sobrevivência e assumir a plena consciência de nossas ações.
    Convido você a fazer parte desse movimento.Andrews Rodrigues | Escritor, artista visual e estrategista narrativo.