Autoconhecimento

A difícil arte de fazer escolhas

Duas trilhas indicando para caminhos diferentes.
Guilherme Henz Franco

Escolher nunca é fácil. A gente nunca sabe verdadeiramente o que está escolhendo. São apostas. E quando algo está em jogo é mais do que normal ter medo. E também é normal a resistência, o “não quero enfrentar isso” ou o protelar, o “talvez eu não precise enfrentar isso agora”. Significa que nossos problemas são difíceis. Mas nem tudo está perdido, pois não deixamos de querer.

Impressiona-me a sensação de que tudo o que queremos é certo. Nem tudo o que desejamos convém, mas tudo o que queremos, como processo consciente, reflexivo, aquela verdadezinha que às vezes queremos negar ou que em vezes por impulso negamos, nunca se esconde, e sempre volta para nos dizer o que é mais importante e o que devemos fazer.

Placas apontando diferentes direções.

Mas, escolher de forma consciente é impossível.

Pois escolhemos futuros e os futuros não existem ainda. Tentamos criá-los com nossas escolhas, mas nossas escolhas não são as únicas coisas que os criam. A maior parte do que queremos escolher não está em nosso controle. Basta apenas ter certeza do que queremos e saber-se, fazendo o seu melhor. O resto é do destino.

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Às vezes, o protelar ajuda-nos nestas certezas. Mas não devemos deixar-nos enganar. A procrastinação nunca nos trará o que queremos, calando a voz sabiamente irritante que insiste em nos guiar para nosso melhor.

Mulher observando duas portas diferentes.

Você provavelmente caiu neste texto procurando dicas de como escolher bem.

Eu só tenho esta: uma escolha é melhor do que nenhuma. Ah, mas se eu errar? Se você errar, você saberá que escolheu errado, e terá uma chance de escolher diferente. A maior parte das vezes. E se não der, ok, porque a única coisa que seria impossível, desde já, é desviar da necessidade de fazer escolhas. Evitar as escolhas ou postergá-las também é uma escolha. E, em geral, não é das melhores.

Sobre o autor

Guilherme Henz Franco

Guilherme Henz Franco

Psicólogo desde 2007, com formação em Antropologia Social na Alemanha (2015), trabalhou por 8 anos em Psicologia Organizacional, tendo também boa experiência em Psicoterapia Adulta e Infantil, e ainda Psicologia Escolar e Avaliação Psicológica. Na área cultural, é editor do site "O Franco Atirador", desde 2016, com produções artísticas e divulgação de material científico e político, e também do Blog "O Auscultador do Invisível", desde 2007, com produção literária (traduções, poemas, aforismos e ensaios).

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