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A maneira certa de fornecer um feedback

Uma mulher direcionando seu olhar à esquerda, alta. Acima do olhar dela, pequenas ilustrações de corações que representam apreciação ou não de alguma coisa.
nastia / 123rf

Algumas de nossas atitudes poderiam ser executadas de maneira melhor, de forma que não prejudicassem outras pessoas ou tivessem outro resultado, por exemplo. Mas nem sempre nos damos conta disso e precisamos de um “puxãozinho de orelha” de pessoas próximas, a nos apontarem nossos erros. O chamado feedback é muito comum no mundo corporativo. Um colega vem e te dá uma opinião do que poderia ter sido melhor elaborada. Mas como dar um feedback de maneira a não ofender a pessoa que queremos alertar? É sobre isso que vou falar a seguir.

Apontar erros pode ser muito perigoso, pois nós também os cometemos. Quem sou eu para julgar ou avaliar as atitudes alheias? Um chefe, talvez, tenha o dever de alertar seus funcionários quando alguma tarefa não foi cumprida da maneira mais precisa. Mas como fazer isso sem ofender?

Os feedbacks, por mais positivos que sejam, por mais necessários – afinal nem sempre nos damos conta de que nossas atitudes não estão de acordo com o esperado –, podem ser muito cruéis. É preciso muito cuidado ao informar a alguém que sua forma de agir não é a melhor. Eu julgo que sugerir (a maneira esperada de agir) e elogiar podem ser essenciais para um feedback positivo que não magoe aqueles com quem convivemos.

Eu sempre me lembro do refogado de abobrinhas do meu avô de 95 anos. Sabendo que eu sou vegetariana, ele sempre fazia o mesmo refogado com proteína de soja e abobrinhas, um quilo dele. Eu enjoei. Ah, ele gosta de cozinhar sozinho, por isso não o ajudo. Mas como avisá-lo sem deixá-lo triste? Eu descobri que posso sugerir a ele um refogado de moranga (abóbora) e cenoura, para variar. Digo que o de abobrinha italiana é muito bom, mas que podemos tentar o de moranga com cenoura de vez em quando. E depois o de couve-flor, quem sabe? Dito isso, no dia seguinte, lá estava (um quilo do) refogado novo, que comemos todos com muito gosto.

Uma lousa com "emojis" grafados e desenhados em giz que indicam  satisfação, neutralidade e insatisfação. O de satisfação está marcado com um "verificado" (como numa lista de checagem),
athree23 / Pixabay / Eu Sem Fronteiras

Era diferente, era gostoso! Daí tiramos a lição: você não precisa apontar algo que não está tão bom como ruim, mas você pode sugerir maneiras de como isso pode ficar melhor. Dê sugestões, dicas, ideias de que maneira diferente aquilo que você não aprecia pode se estabelecer. Enriqueça com novidades seu time, lembre os colegas que tal atitude já foi boa e útil, mas que podemos tentar algo novo. Não fira os sentimentos das pessoas criticando, se você pode apresentar modos de como o trabalho delas pode ser como você deseja. Enalteça o lado positivo dos seus semelhantes, todo o restante que eles executam conforme o esperado. Todos nós efetivamos acertos e erros, e nossos erros são futuros acertos! Só treinando é que nos especializamos.

Um feedback construtivo pode nos auxiliar a crescer, mas ninguém quer ser colocado “para baixo” com uma grosseria ou crítica negativa. Há de se discernir conselhos de opiniões pessoais que devem ser mantidas para cada um e que de nada acrescentam. Se uma atitude inofensiva ou característica de um colega não me diz respeito, por que eu a comentaria com maldade? Cuidemos nossa língua feroz e dos nossos pensamentos, que são as raízes de todo o mal!

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Se, ainda assim, os feedbacks são necessários, devemos saber que o retorno das ações não pode ferir. Elogiar os acertos e sugerir ideias de como melhorar podem ser grandes formas de atingir nossos objetivos sem causar transtornos ou tristezas. Lembre-se sempre: se o refogado de abobrinhas não o agrada, não critique o cozinheiro, compre as cenouras e sugira um refogado diferente! E ajude! Com ajuda, tudo fica mais simples e fácil.

Sobre o autor

Caroline Gonçalves Chaves

Sou pedagoga formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em psicopedagogia e TICs, também pela UFRGS. Como educadora, atuei na educação infantil e na educação de jovens e adultos (EJA). Sempre gostei de escrever, e nos últimos anos tenho me aventurado à escrita de contos infantis (meu primeiro livro, "Dorminhoca", foi lançado em 2019). Tenho afinidade, ainda, por temas como direitos dos animais, abolicionismo animal e veganismo, por acreditar que os animais não humanos são merecedores de respeito e possuem direitos como os animais humanos – eles são nossos irmãos nesta caminhada de evolução. Sou também estudante do espiritismo kardecista, trabalhando em uma sociedade espírita da minha região.

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