Autoconhecimento Terapia de Regressão

A morte nas sociedades tradicionais

Tereza Gurgel
Escrito por Tereza Gurgel

Neste terceiro artigo da série sobre a morte, vamos investigar como o tema era tratado nas antigas sociedades tradicionais. 

Nas sociedades tribais o indivíduo estava inserido na vida grupal, que era mais importante que ele mesmo.  Nas sociedades tradicionais ainda predomina este sentido comunitário. Os ritos fúnebres são muitos e variados, evoluindo de acordo com os costumes regionais e com a idade, sexo e posição social do falecido. 

Há uma série de cerimônias e rituais que cercam o evento da morte.
O rito fúnebre começava com a agonia, continuando com o velório, as exéquias e o luto. O prolongamento do rito se dava com o culto aos mortos. O ritual funerário indicava cada passo a seguir para conter o caos e a perturbação com a separação e instaurava novamente a ordem. 

O elemento mais importante era o futuro ritualizado do cadáver, obedecendo a uma série infinita de exemplos. O ser humano procurava controlar a corrupção material (fosse presenciando-a de forma controlada, afastando-a da vista ou procurando detê-la) de diversas maneiras: 

  • Os parses (Irã) abandonavam os cadáveres no alto das “torres do silêncio”, onde eram rapidamente devorados por abutres; 
  • Os corpos de antigos viajantes marítimos eram comumente amarrados em uma pesada pedra e lançados à água; 
  • Na África, algumas tribos penduravam os corpos enrolados no alto das árvores ou no oco do tronco; 
  • Na América (múmias incas e as dos antigos Chinchorros do deserto de Atacama), Ásia (sacerdotes budistas que entraram vivos, pela ascese, para a eternidade) e África (principalmente no Egito), os corpos são conservados à espera de um futuro retorno à vida; 
  • Através da cremação, que liberta e purifica com a ação do fogo (ritos hinduístas, budistas, xintoístas, vikings, gregos); 
  • A inumação (retorno a Terra-Mãe) era a mais comum: o corpo é enrolado em um lençol, caixão ou urna funerária e colocado em sepultura, cuja forma, importância, orientação, profundidade e riqueza variam consideravelmente. 

Podemos tentar compreender estas condutas, apesar das disparidades no tempo e espaço, analisando-as sob dois níveis: 

  • No plano do discurso manifesto, cujo significado é organizar o futuro do morto – com a repulsa da corrupção corporal e o favorecimento de sua entrada para um estado de sobrevivência potencial; 
  • No plano do discurso latente, no qual podemos reconhecer a defesa contra a angústia da separação.

shutterstock_141537154Importante rito de passagem, as cerimônias manifestam o desejo de atenuar a morte, negando-a e, através disso, confortam os vivos. Isto acontece porque, como todo morto evoca um sentimento de culpa, os ritos fúnebres são ocasião para um resgate simbólico – a comunidade, os sobreviventes e sobretudo os parentes, não podem se libertar do domínio da morte enquanto não pagarem este resgate, através de um conjunto de obrigações a cumprir: período do luto, gastos com sepultamento, missas, etc. Assim, todos ficam em paz com o morto e com a morte.   

Quando mobiliza a comunidade e toma seu sentido na exaltação da vida, o rito cumpre função terapêutica, regenerando o grupo e fortalecendo sua coesão e continuidade diante da ruptura da morte.

Por último, o rito traz de volta a esperança na promessa de sobrevivência.                           

O sentido profundo e a função fundamental dos ritos funerários dizem respeito ao indivíduo vivo e à comunidade: é necessário dominar simbolicamente a morte para tranquilizar, curar e prevenir.

No próximo artigo, vamos começar a examinar alguns “guias” espirituais elaborados para esclarecer e preparar a jornada da alma no além. 

Leia todos os artigos da série Terapia de Regressão.


 

Fontes

“Filosofando” – Ma. Lucia A. Aranha e Ma. Helena P. Martins – Editora Moderna, São Paulo, 1988.
“Sentido oculto dos Ritos Mortuários” – Jean P. Bayard – Editora Paulus, São Paulo, 1996. 

Sobre o autor

Tereza Gurgel

Tereza Gurgel

Formada em Psicologia (F.F.C.L. São Marcos - SP). Filiada à ABRATH (Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos) sob o número CRTH-BR 0271. Atua na área Holística com Reiki, Terapia de Regressão e Florais de Bach. Mestrado em Reiki Essencial Metafísico e Bioenergético Usui Reiki Ryoho, Shiki, Tibetano e Celtic Reiki. Ministra cursos de Reiki e atende em São Paulo (SP).

E-mail: [email protected]
Telefone: 11 987728173
Site: mtgurgel.wixsite.com/mundoholistico
Skype: tk.gurgel