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Ritual da menstruação: o que é e como fazer

Mulher segurando uma vela a sua frente.
Unsplash/Claudia Ramírez
Gabriella Hausen
Escrito por Gabriella Hausen

Entrando em contato com o feminino

Olá, hoje compartilharei uma forma de nos conectarmos com o nosso feminino de uma forma mais consciente e sagrada. Falarei sobre a menstruação e uma forma de nos conectarmos diretamente com ela, ou pelo menos com a energia dela e, consecutivamente, com os arquétipos e imagens femininas dentro e relacionadas a nós. Em conjunto, falarei sobre um pequeno rito que nos ajudará a resgatar o nosso contato mais íntimo com o nosso feminino, com o nosso sagrado feminino.

A menstruação nos indica o fim de um ciclo hormonal, caracterizando a não vinda de um filho físico. Contudo, o simbolismo e a função dessa menstruação, principalmente no sentido energético, vão muito aquém dessa função biológica.

A menstruação, simbolicamente, retrata a nossa capacidade de “morrer”, de dar início a um novo ciclo. Representa a força da vida e também da morte. É o aporte para o contato com o nosso inconsciente (desconhecido). Já, energeticamente, nos traz o contato com o nosso íntimo, que pode ser agradável ou nem tanto. Além do mais, ela reflete a nossa capacidade de deixar o antigo ir para o novo se apresentar. Junto disso, a forma pela qual nos relacionamos com esse sangue exprime muito sobre a forma como nos relacionamos com o nosso interno, com o feminino na nossa vida, com os nossos sentimentos e, inclusive, com a nossa mãe e filha, se for o caso. Portanto, o nosso contato com essa menstruação (que vai além do sangue), acaba influenciando a nossa vida como um todo. Não só por seus simbolismos e energias envolvidas, mas também porque está tudo conectado.

O nosso corpo físico é uma extensão de corpos mais sutis que se iniciam nos planos espirituais, seguindo do mental, emocional e energético, consecutivamente. Logo, o que fazemos nos corpos de baixo, influenciam nos de cima, e vice-versa.

Em diversas fases da nossa vida, acabamos por não nos conectarmos com o nosso corpo físico, no sentido de praticarmos um autocuidado e uma compreensão do que realmente necessitamos. Muitas vezes com o plano das emoções ocorre o mesmo, fazendo com que nos afastemos do nosso centro, podendo gerar diversos desequilíbrios, inclusive a não conexão com o nosso feminino divino.

Nos contos de fadas, vemos normalmente uma figura feminina ajudando, castigando ou perseguindo a personagem principal. Da mesma forma, vemos sempre uma bruxa amaldiçoando ou querendo matar a jovem protagonista. Ora, essas imagens arquetípicas representam o nosso interno, tendo em vista que em um mito, uma fábula, todos os personagens representam uma só entidade, o interno, e, às vezes, o externo do personagem principal. Esses mitos carregam arquétipos dos quais nos enviam recados, de como compreender as nossas energias. A bruxa, por exemplo, ou a feiticeira, representa o nosso ciclo menstrual, é a bruxa da branca de neve que nos entrega a maçã (sabedoria, sexualidade, magia), oferecendo-nos a morte, a transformação. É a “fada madrinha” que nos traz ferramentas para realizarmos os nossos desejos e sonhos, a nossa capacidade de gerar, parir os nossos projetos. É a mãe/vó acolhedora, a nossa menstruação que nos nutri. A sábia anciã — nossa menstruação que, de tempos em tempos, mostra dores e desconfortos para nos alertar de sentimentos profundos não vistos. Logo, o contato com esse sangue, com esse ciclo menstrual, é também a nossa jornada arquetípica de cura e de conexão com o nosso interno.

Ritual, o que é, para que serve

Uma xícara de chá, uma vela, um cristal e um incenso de madeira sobre uma mesa
Fotode Emily Bauman no Unsplash

Ritual é qualquer prática que seja mágica para quem faz e que gere algum tipo de transformação.

Os rituais são práticas muito antigas e feitos por praticamente todas as civilizações, inclusive, creio eu, que desconheça alguma que não os faça ou já tenha feito. Aliás, as civilizações que hoje não possuem ritos é porque tais sabedorias acabaram por se perder, comumente, pela simples forma de perderem o sentido, pelo menos de forma consciente. No entanto, há ritos que ainda existem em nossa civilização, moderna e Ocidental, são eles: casamento, batizado, festa de debutante e, em alguns casos, outros ritos resgatados geralmente por pessoas que estão no meio da espiritualidade, alguns deles mais “comuns”: tenda do suor (Inip, temazcal), ritual do fogo e outras terapias que fazem o papel similar ao dos ritos (transformação, morte simbólica) na nossa psique.

A prática dos rituais é muito importante, pois ela serve como ferramenta para a nossa psique (mental e emocional) entender que uma certa fase da nossa vida se encerrou e, consecutivamente, outra fase se inicia. Querendo ou não, é também a função energética da menstruação.

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Quem não se transforma, passa a vida toda com situações similares na sua vida, incorpora e atrai padrões de repetição, nem sempre tão agradáveis. Contudo, as mulheres naturalmente já carregam essa virtude dentro de si, não só de forma simbólica, mas também energética e fisicamente. Vejamos o próprio útero, um órgão feito para estar “vazio” até o instante de uma criação consciente. Esse órgão representa bem a psique feminina. A energia feminina tem facilidade de empatia, contudo, não pode se esquecer de si. Quantas vezes nos esquecemos de nós antes de pensar em ajudar ou agradar alguém? Quantas vezes deixamos de lado uma emoção/sentimento por não compreender ou não querer olhar para uma dor existente? Quantas vezes deixamos de falar algo para não magoar o outro? Ora, tudo o que fazemos é uma tentativa de amor, seja conosco ou com o outro. Contudo, a mulher foi feita para se deixar “ciclar”, se deixar fluir, igual a um rio. E a nossa menstruação é o nosso instrumento para isso! O útero se esvazia todo mês, deixando fluir o sangue físico, mas esse sangue carrega memórias no seu DNA, então, fica a pergunta: Será que liberamos só o sangue físico ou deixamos fluir também as dores, os apegos, os prazeres e não prazeres para iniciarmos um novo ciclo, com o nosso útero não só físico, mas também energético, vazio; para novas criações e bem-estar? Por este motivo que vim falar sobre os ritos, pois, os ritos externos, principalmente envolvendo o nosso feminino e/ou o nosso sangue, nos auxiliam na nossa mudança interna.

Como conciliar, menstruação e ritual

Mulher de camiseta e roupas íntimas tocando seu abdômem.
Foto de Polina Zimmerman no Pexels

A própria menstruação em si já é um ritual espontaneamente. Todavia, podemos trazer mais consciência a este ato. Por exemplo, podemos fazer um altar em um canto especial da nossa casa, pode ser no quarto, na varanda, no pátio, ou até na natureza. Nesse altar, podemos colocar alguma foto da gente criança, para representar a nossa criança interna (se você estiver em uma fase que precise trabalhá-la), podemos colocar frutas, representando a abundância do feminino e a abundância que queremos para a nossa vitalidade no geral, como também flores, cristais, velas, incensos e até a “própria lua”, em um vidrinho, para quem planta o seu ciclo. O mais importante é a nossa intenção de nos conectarmos com o nosso feminino divino, esquecendo um pouco do outro para termos um momento só nosso.

A ação de plantar a lua é uma expressão utilizada, para devolver à terra, os nossos nutrientes adquiridos durante o nosso mês, serve como uma troca e gratidão. Porém, ela não serve só para isso. Serve também para nos sentirmos mais conectadas à mãe natureza, para tratarmos o nosso sangue de forma natural, pois, muitas de nós somos ou fomos formatadas a achar que o nosso sangue é sujo, ruim, mas não, ele é sagrado e serve como uma forma de purificação, transformação, aprofundamento e tantas outras coisas para todos os nossos corpos.

A simples realização e postura de enxergarmos o nosso sangue de forma sagrada e como sendo a nossa aliada já muda muito as nossas energias, o nosso inconsciente, as nossas crenças limitantes e as nossas emoções, acredite!

Como fazer um ritual

Mulher vista de perfil assoprando uma vela.
Foto de Andrea Piacquadio no Pexels

Bom, cada ritual é único e bem pessoal, portanto, eu indico a você utilizar a sua intuição, o seu sentir e a sua vontade para isso. Todavia você pode iniciar vendo a sua menstruação de forma diferente. Fazer do seu ciclo hormonal um momento de aprofundamento em si mesma, um momento de autocuidado. Esse ritual pode ser você fazer um chazinho e ficar no sol, uma viagem sozinha, o altar para honrar essa energia em você, passar um creme bem cheiroso pelo corpo, pensar em trocar o absorvente tradicional por um copinho coletor ou absorvente ecológico. Enfim, pode ser o que você quiser.

Uma prática que faço bastante é, quando meu ciclo se inicia, escolher uma parte da casa e criar um minialtar. Pego uma planta, alguns cristais — que possuem as frequências que intuo trabalhar ou agregar ao meu campo energético —, um copo de água ou vinho, uma imagem de uma anciã, uma cumbuca — e coloco lá algumas frutas para representar algumas virtudes femininas —, às vezes ofereço à Deusa e acendo uma vela. Esse altar fica lá até o meu ciclo acabar. As frutas, vou comendo durante os dias, mas se você quiser pode pegar alguma delas e oferecer a alguma árvore. Fora isso, existem várias formas de você se (re)conectar com o seu sagrado feminino. Essa é uma das minhas formas, mas existem várias. Encontre a sua!

Gratidão e até a próxima!

Sobre o autor

Gabriella Hausen

Gabriella Hausen

Olá! Sou a Gabriella e trabalho com terapias holísticas, envolvendo cromoterapia, radiestesia e estudo das energias. Mas me dedico com mais intensidade aos cursos de Reiki, os quais administro principalmente online, e aos atendimentos em astrologia, feitos também online.

Gosto muito de assuntos envolvendo mitologia, astrologia, psicologia (em especial psicanálise, analítica e ACT) e espiritualidade em geral.

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