Autoconhecimento Yoga

Apropriação cultural e Yoga

apropriação cultural
Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro

Você pratica Yoga? 
Tem um Japamala? 
Já usou bindis no meio da testa? 
Tem estátua de deidades pela casa? 
Sabe o que é apropriação cultural?

Fazem poucos dias que eu ouvi sobre isso e foi quase como levar uma bronca de alguém lá de cima, ou mesmo cair na real, e foi ótimo. Está sendo, pois escrever sobre isso também está me ajudando a absorver a informação e digerir, enquanto eu jogo uma luz para você sobre o assunto. 

Eu prático yoga há uns 7 anos, mas jamais tinha me dado conta de que muitas das coisas que nós, ocidentais, fazemos nas nossas práticas e vidas, relacionadas à cultura yogui, podem causar o desaparecimento dela. O enfraquecimento dela. 

Apropriação cultural

Eu aprendi sobre apropriação cultural estudando antropologia e fiquei chocada. O exemplo maior está no que aconteceu com a cultura hippie, que surgiu como forma de manifesto contra a guerra do Vietnã e todo o pensamento patriarcal e quadrado americano. E a professora nos perguntou:

Por que será que a cultura hippie enfraqueceu e se perdeu? Porque virou moda!

Sério! De repente, os símbolos e as formas de se vestir que caracterizavam as pessoas que pensavam e defendiam certos ideais foram parar em todas as lojas: os símbolos foram massificados, usados por quem não tinha nada a ver, tudo isso só porque era bonito e a coisa se perdeu. 
Apropriação culturalE isso está acontecendo com o Yoga. Eu sou a favor de que o maior número possível de pessoas pratique yoga da forma que for mais cabível a cada um. Porém não sou a favor da massificação da cultura yogui, que é usar os símbolos hindus de forma desrespeitosa, vamos dizer. Eu sei que não é falta de respeito, pois você sabe que está errado e faz mesmo assim, a gente faz de boa vontade e depois aprende que não deveria. Eu tenho o símbolo OM tatuado na perna e só depois da tatuagem feita fui saber que é desrespeito tatuar símbolo sagrado da cintura para baixo. Eu fiz com a maior devoção. Também usava bindi o tempo todo. Sabia que tinha a ver com o terceiro olho e eu acho lindo, mas não sou hindu e talvez isso seja desrespeitoso também. 

Ouvi uma professora de yoga indiana também falando sobre os mantras. É muito bom cantar mantras, entoar. Mas fazer isso tipo depois de beber álcool já não tem nada a ver. É um estado meditativo muito lindo e que deve ser cultivado. Ou colocar a estátua de uma deidade para enfeitar o banheiro… 

De repente, um monte de gente começa a usar Japamala porque é bonito. Eu vejo em muitas lojas que vendem roupas femininas e não tem nada a ver com Yoga. Japamala nas manequins. Isso é apropriação cultural pura, igual aconteceu com os hippies. 

Então, vamos parar para pensar e começar a respeitar mais essa cultura que sobreviveu por milênios. Respeitar quem a preservou, mesmo depois que os britânicos colonizaram a Índia e condenaram a prática do yoga em todas as suas formas. 

Respeitar a sua história e não fazer parte dessa massificação cultural que visa tirar a profundidade que o yoga tem. 

E o que vocês acham do Yoga Alliance?

Falo sobre isso na próxima, mas antes quero saber sua opinião.

Beijos de luz! 


Você também pode gostar de outro artigo desta autora. Acesse: Ashtanga Yoga: confrontar o desconforto

Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée, depois disso fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de 1 ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pelo Yoga e pela meditação. Hoje, ela é professora de Yoga e terapeuta reikiana em Paraty, RJ.

Contatos:

Facebook: /juliana.ferraro | /lotusviajante
Instagram: @ferrarojuju | @lotus_viajante
Site: www.lotusviajante.com | www.casadodharma.com
E-mail: [email protected]