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Afinal, o que é reencarnação?

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Afinal, o que é reencarnação? Você acredita em vida após a morte? E na possibilidade de retornar em outro corpo, com a missão de evoluir como ser humano? Essa é uma discussão praticamente infinita e que dá muito pano para manga. Entre os que acreditam e os que não acreditam, residem diversos argumentos (prós e contras). Mas não é de hoje que isso é discutido, e não estamos longe de uma conclusão sobre ser ou não verdade. Até porque só saberemos de verdade quando morrermos.

A história da reencarnação é tão antiga quanto a própria existência humana. Trata-se de uma crença milenar. Desde a mais remota Antiguidade, muitas foram as civilizações que aceitavam a encarnação como fato. Há pelo menos 12 mil anos – na Idade da Pedra –, era costume enterrar os mortos em posição fetal, o que levava os estudiosos a deduzir que se tratava de uma preparação dos corpos para ingressarem em uma nova vida.

A reencarnação era vista de forma distinta entre as civilizações. Em umas, com a possibilidade de renascer em outros corpos; em outras, apenas com a imortalidade da alma.

Imagem de um pé de um bebê recém nascido. Ele está deitado dentro de um cesto de vime coberto com um cobertor branco.
Imagem de esudroff por Pixabay

Índia – a primeira referência

Vêm do Oriente os mais antigos registros sobre reencarnação. Mais precisamente na Índia, por volta de 1500 a.C., tendo como representação formal a parte final de um conjunto de cânticos tradicionais (os vedas). De acordo com esses registros, na origem de cada ser humano há uma centelha de consciência espiritual. O corpo morre, mas não essa essência, que tem seu recomeço como um ser ignorante, com a alma revestindo a matéria de forma transitória e sofrendo sucessivos renascimentos, provas e mortes.

Segundo esse conceito, cada vida vem na forma do ser adequado ao que foi aprendido. Se essa alma teve uma existência marcada por ações negativas e nocivas a outros seres, o carma é sofrimento. Ações beneficentes significam evolução interior. Ou seja, a evolução depende da conduta de cada indivíduo. Essa trajetória evolutiva culmina na união definitiva com o mundo espiritual.

Imagem do rosto de um bebê recém nascido.
Imagem de Tawny van Breda por Pixabay

Egito – vida eterna ao lado dos deuses

Já os antigos egípcios guardavam nos esquifes (caixões) textos exaltando as qualidades dos mortos. Essa era uma forma de tentar convencer o deus do além, Osíris, a lhes permitir que reencarnassem. Mas ao que parece, para os egípcios, as reencarnações não eram infinitas, seus ciclos integrais de vida não ultrapassavam 3 mil anos.

Segundo a crença egípcia, após a morte, a alma de cada indivíduo atravessava três fases, que culminavam com sua vida perfeita no céu (caso passasse pelas provas). Entretanto essas fases não diziam respeito propriamente à reencarnação, numa nova existência em um corpo físico. Mas as almas viviam livres para circular em qualquer lugar, podendo até mesmo voltar à Terra (estando invisíveis) e se utilizar das oferendas feitas por amigos e parentes. Existem registros de que essas almas ainda poderiam se transformar em algumas aves, serpentes, criaturas híbridas (pássaros com cabeça humana), flor-de-lótus, entre outras criações. Mas trata-se de metamorfoses voluntárias, contrariando o conceito de reencarnação para expiação e aprendizado, como no caso da lei do karma.

Imagem das mãos da mãe segurando os pés de um bebê recém nascido. O bebê está deitando dentro de um cesto de vime forrado com um manto de pele branco.
Imagem de Free-Photos por Pixabay

A reencarnação e as religiões

Para algumas religiões, como o budismo e o hinduísmo, por exemplo, a reencarnação é um processo natural. Já entre os cristãos, não há crença na reencarnação (mas sim na ressurreição de Cristo. A ressurreição é o retorno para o corpo original). As almas merecedoras vão para o paraíso. Entre os evangélicos, também não existe a possibilidade de reencarnar. Os muçulmanos creem que a alma aguarda o julgamento de Alá para saberem se vão para o céu ou para o inferno. Para eles, também não existe reencarnação. O judaísmo acredita que a alma possa sobreviver, mas não fala claramente em vida após a morte (algumas correntes creem na reencarnação, outras, na ressurreição).

No candomblé, não existem os conceitos de céu, inferno e punição. Ao morrer, o espírito da pessoa vai para um outro plano. Se o seu destino não for cumprido, ele pode ficar vagando entre os vivos, podendo interferir negativamente na vida dos mortais. Para a umbanda, os bons espíritos podem virar protetores, ajudando nas questões terrenas. Já os de pouca evolução podem se tornar perturbadores. Não fica evidente a questão da reencarnação para as religiões de matriz africana.

O espiritismo não é necessariamente uma religião, e sim uma doutrina. Mas ele defende a reencarnação como uma forma de ajudar na evolução espiritual. É por meio de diversas encarnações que o espírito tem a chance de melhorar. Quem pratica o bem, evolui mais rápido. Para os espíritas, Deus não é o responsável pela bondade ou maldade. O homem possui livre- arbítrio para decidir sua índole.

Imagem de um recém nascido dentro de um cesto de vime forrado com um cobertor bem macio na cor brnaca. Ele está dormindo.
Imagem de esudroff por Pixabay

A evolução

A reencarnação, em todas as religiões e doutrinas que a defendem, é uma oportunidade de os espíritos evoluírem para atingir a eternidade. Aprendemos com nossos erros, e “voltamos” ao mundo terreno para reparar o mal que fizemos. Se não formos capazes de agir dessa forma, retornaremos até que possamos aprender e evoluir.

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A forma como reencarnar também tem uma relação com a nossa conduta na vida anterior, de acordo com algumas dessas correntes. Se tivemos uma existência danosa, voltamos como seres cada vez mais inferiores para que possamos aprender e aprender.

Estamos neste mundo para aprender. Mas não necessariamente devemos considerar somente que poderemos fazer isso reencarnando. Façamos o nosso melhor nesta vida, que é a única da qual temos certeza material. Acreditando ou não na reencarnação, ou mesmo na vida eterna e na possibilidade de morar eternamente no paraíso, faça o bem. Seja educado, amoroso, paciente, solidário, empático. Sem pensar na recompensa espiritual ou material. O ensinamento é esse.

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