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“É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte”. (Caetano Veloso)

Homem caminhando para a luz no fim do túnel
Silvia Jara
Escrito por Silvia Jara

Toda vez que nos deparamos com o assunto morte, sentimos um frio na espinha e nossa tendência é a de rechaçar o assunto e fingir que ele não existe. Está certo, ninguém vai passar a vida pensando na morte, mas também é certo dizer que esse é o primeiro compromisso que temos com a própria vida. A única certeza! Somos mortais. O que há de novidade nisso? E por que isso assusta ou surpreende tanto a gente?

Não, não estou sendo funesta, não quero assustar ou melindrar ninguém, mas muito pouco nos preparamos para esse momento. Na verdade, não deveria ser um preparo, mas simplesmente um fato, uma consciência plena de que isso acontecerá, cedo ou tarde, quer a gente queira ou não.

Viver temendo a morte é perder energia.

Viver aceitando a morte é compreender que temos um corpo com tempo limitado.

Homem branco, jovem, na praia, com os braços aberto olhando para cima.

A questão é: vamos morrer? Sim, vamos. E o que fazer durante esse estágio nesse planeta? Viver, da melhor maneira possível! E isso não significa aproveitar a vida loucamente, fazendo tudo o que dá na veneta! Não! Será que estamos aqui a passeio apenas? Viver para o bem maior, em equilíbrio, em harmonia, buscando o autoconhecimento e o aperfeiçoamento de nossos melhores sentimentos e dons.

As religiões, no geral, falam sobre a morte de maneiras diversas. Algumas acreditam no céu e no inferno, em um juízo final onde, depois da vida, partiremos para um nada bom ou um nada ruim. Simples assim. Um vazio sem sentido algum. E nesse vazio viveremos eternamente. Como? Para quê?

Ampulheta de areia colocada em fundo amarelo.

Outras, no entanto, que consideram essa vida apenas uma passagem, propagam o conceito da eternidade, vivenciada em diversas vidas, diversas esferas e planos, sejam elas materiais ou como seres espirituais, sem necessidade de um corpo denso, mas apenas energia. Cada um busca aquilo que melhor se encaixa com suas crenças e “verdades”. Eu prefiro acreditar que somos ilimitados e infinitos.

Na doutrina espírita, a morte é tratada apenas como uma passagem, o final de um pequeno estágio da grande eternidade.
Essa vida é uma das cenas do filme todo, uma das oportunidades de evoluirmos através da reforma íntima, da conduta benevolente, fraterna e de unicidade que Jesus nos trouxe, a fim da tomada de consciência.

Viver significa, aprender, crescer, respeitar e amar sobretudo. Cada um no cumprimento daquilo que é sua essência. Boa? Má? O que importa? Fácil? Nem um pouquinho. Na escola, aprende-se um pouco por ano, uma etapa por vez.

Se acreditamos no conceito de reencarnação, de multiplicidade dos mundos, como Jesus mesmo disse, e, ainda, que o reino dele não é desse mundo, entre tantas outras passagens que podemos retirar dos evangelhos, poderíamos também compreender que a matéria é apenas uma das expressões da vida.

Somos apenas energia condensada em corpos que possuem funções específicas e com data de validade.

Nosso corpo não é eterno, mas nossa alma, nosso espírito, nossa centelha divina são.

Mulher feliz na praia com os baraços para cima, tentando alcançar uma luz no céu.

Nos trabalhos dos centros espíritas, nos tratamentos chamados Socorro Espiritual, é muito frequente, a comunicação com espíritos que estão perdidos, sem nenhuma consciência de que estão mortos na carne. É extremamente frequente vermos espíritos que passam muito tempo perdidos, em verdadeiro estado de desespero, deteriorando o corpo astral, porque não têm a consciência de que fizeram essa passagem.

E isso acontece tanto para aqueles que acreditavam na reencarnação, quanto aqueles que não aceitam esse conceito. Já se imaginou preso a um devaneio no qual ninguém te ouve, ninguém te vê, ninguém percebe sua presença? E você não entende por que isso acontece? É isso que se observa quando espíritos que não sabem que deixaram a matéria se comunicam através de médiuns.

A ausência do conhecimento da própria morte faz com que espíritos vagueiem por longo tempo até que falanges espirituais de resgate levem o auxílio a esses seres. No tratamento, em centros espíritas, é bastante comum o acolhimento e o esclarecimento no sentido de fazê-los conscientes de seu novo estado e o encaminhamento para tratamento em Hospitais que acolhem esses espíritos até que estejam recuperados e preparados para viver a vida na dimensão não-física. O filme “Nosso Lar” explica bem isso.

Saber que se vive após a morte poderia poupar muito sofrimento e angústia e aceleraria o processo de resgate e de evolução das almas oriundas dessa dimensão.
No Livro dos Espíritos, na pergunta 941, há um questionamento sobre por que os seres humanos, mesmo aqueles que têm a informação sobre a vida eterna, veem a morte com tamanha preocupação e perplexidade. E a resposta traz um resumo bem interessante sobre a questão:

É errado que tenham essa preocupação. Mas que queres? Procuram persuadi-las, desde cedo, de que há um inferno e um paraíso, sendo mais certo que elas vão para o inferno, pois lhes ensinam que aquilo que pertence à própria Natureza é um pecado mortal para a alma. Assim, quando se tornam grandes, se tiverem um pouco de raciocínio, não podem admitir isso e se tornam ateus ou materialistas. É dessa maneira que são levados a crer que nada existe além da vida presente. Quanto aos que persistiram na crença da infância, temem o fogo eterno que deve queimá-los sem os destruir. A morte não inspira nenhum temor ao justo, porque a fé lhe dá a certeza do futuro, a esperança lhe acena com uma vida melhor e a caridade, cuja lei praticou, lhe dá a segurança de que não encontrará, no mundo em que vai entrar, nenhum ser cujo olhar ele deva temer.”

E Kardec complementa: O homem carnal mais ligado à vida corpórea do que à vida espiritual tem na Terra as suas penas e os seus prazeres materiais. Sua felicidade está na satisfação fugidia de todos os seus desejos. Sua alma, constantemente preocupada e afetada nelas vicissitudes da vida, permanece numa ansiedade e numa tortura perpétuas. A morte o amedronta, porque ele duvida do futuro e porque acredita deixar na Terra todas as suas afeições e todas as suas esperanças.

Silhueta de pessoa meditando na praia ao pôr do sol.

O homem moral, que se elevou acima das necessidades artificiais criadas pelas paixões tem desde este mundo, prazeres desconhecidos do homem material. A moderação dos seus desejos dá ao seu Espírito calma e serenidade. Feliz com o bem que fez não há para ele decepções e as contrariedades deslizam por sua alma sem lhe deixarem marcas dolorosas.

A responsabilidade é toda nossa! Ou buscamos agora compreender o que é a morte e o caminho que trilhamos depois dela, acolhendo e trabalhando aqui e agora as atitudes e sombras que precisamos observar, valorizando o espírito como essência da vida, acreditando que a eternidade não será punitiva e nos oferecerá infinitas possibilidades, e, para isso, é preciso que estejamos despertos, conscientes da continuidade da vida. Ou continuamos a viver comodamente no “Show de Truman”, aguardando a temida morte, achando que o mundo é aquilo que querem que acreditemos para perpetuar o medo e a obediência cega, carregando a culpa universal e aguardando nossos passes para os trens do Céu ou do Inferno.

Parece esquisito, mas precisamos aprender a morrer bem, informados e conscientes para despertar em outra dimensão numa condição melhor a que deixaremos aqui. Que o Todo nos ajude!!!

Caetano Veloso diz em um trecho de sua música “Divino Maravilhoso” e, mesmo que não tenha sido escrita com base nesse propósito, cabe direitinho nesse contexto: “é preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte.”


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Sobre o autor

Silvia Jara

Silvia Jara

Depois dos dois primeiros anos do Eu Sem Fronteiras, resolvemos atualizar nossas informações e isso foi um belo exercício de reflexão!
Nosso propósito sempre foi ajudar as pessoas na busca do autoconhecimento e eu, pessoalmente, não fiquei isenta disso.

Contato:
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Em meu perfil anterior disse: “olhando para trás percebo que, em minha vida, as coisas sempre aconteceram de maneira fluida, sem muito planejamento, embora tenha verdadeira admiração pelo planejamento ‘das coisas'”. Hoje entendo que foi o foco no presente que me fez seguir o fluxo da vida em muitos momentos, sem me preocupar com o ontem ou com o amanhã. As coisas caminharam como deveriam ser.

Minha paixão pela publicidade se transformou na paixão por pessoas, comportamentos, sentimentos, atitudes e, principalmente, na capacidade e necessidade do ser humano de se comunicar, compartilhar e crescer. Minha formação acadêmica em Publicidade não mudou, mas minha formação humana tem sofrido diversas e importantes mudanças no sentido de compreender que sozinhos não chegaremos longe. Somos um sistema e como tal, precisamos uns dos outros.

Minha capacidade analítica e observadora, aplicada à Pesquisa Qualitativa de Mercado que, até então, me serviu para compreender o comportamento de consumo das pessoas e grupos, agora parece muito mais voltada a me compreender, a olhar para dentro de mim e buscar minha essência verdadeira. É praticamente impossível ficar ilesa, isolada e desconsiderar tantas informações e conteúdos com os quais lidamos no dia a dia de nossa redação.

Hoje entendo que o trabalho em áreas comerciais, marketing de empresas, agências de publicidade e a atuação em pesquisa de mercado estavam me preparando para esse mergulho no autoconhecimento. Nada é coincidência!

A curiosidade pelo mundo espiritual, pela meditação, pela metafísica, pela energia vital está se transformando em novos conhecimentos e práticas: Reiki, Apometria, Constelação Familiar, Thetahealing, PNL, EFT, Florais e tantas outras técnicas. Sigo acreditando que o questionamento, a busca de informação e a vivência me levarão a conhecer minha missão de vida, meus caminhos e minha plenitude.

Trabalhando no Eu Sem Fronteiras desde 2014, tenho aprendido muitas coisas, vivenciado outras tantas e não sei onde isso chegará! O que me importa é continuar nessa busca. É um caminho sem volta no qual o grande objetivo é aceitarmos que somos sujeitos de nossa própria vida, os únicos capazes de transformá-la.

Grande abraço e muita luz!