Autoconhecimento

Carnaval e Emoções

Criança com peruca colorida, óculos de festa e enfeites ao redor do pescoço. Sua boca está aberta e sua mão esquerda também, com a palma virada para cima.
Ana Racy
Escrito por Ana Racy

Que bom estar de volta! Parece que entrei na ideia de que no Brasil as coisas só começam depois do Carnaval. Mas, será que isso é mesmo verdade? Podemos dizer que antigamente era mais fácil sentir que tudo ficava meio “travado” por causa disso. No entanto, esse ano tudo me pareceu diferente… O ano de fato começou logo no início de janeiro e isso me trouxe uma alegria muito grande, por ter trazido a perspectiva de um despertar. Hoje, as pessoas não querem mais perder tempo, tudo indica que o tempo urge, a tecnologia caminha a passos largos e, se nós não acompanharmos isso, ficaremos para trás, fora do ritmo e da evolução tecnológica e pessoal.

Mulher usando máscara de rosto inteiro, coberta com penas roxas e verdes. Apenas seus olhos não estão cobertos.

Estou dizendo isso porque uma das coisas que me chamou a atenção bem no começo do ano foi o interesse das pessoas pelo autoconhecimento. Procurar uma terapia, cursos de desenvolvimento pessoal já não assustam tanto. As pessoas querem saber lidar com elas mesmas e com os outros, desejam saber o que fazer quando se sentem decepcionadas, magoadas ou ofendidas. E não há forma mais eficaz do que se conhecer, saber identificar os seus sentimentos e emoções para a partir disso, começar a ter um domínio sobre suas ações e reações.

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Mas, o que isso tem a ver com o carnaval? Estou ligando o fato de guardarmos muitos sentimentos para depois extravasar no carnaval. É como se durante todo o ano fosse necessário se manter na linha, sustentar a imagem de seriedade, aguardando o dia em que tudo isso pudesse ser colocado para fora, é como se nessa época tudo fosse permitido. É claro que estou falando de maneira geral e não passo aqui qualquer julgamento. Faço uso do juízo de razão analisando alguns comportamentos nesse evento chamado Carnaval.

O carnaval de Veneza, na Itália, é famoso por suas máscaras. Diz-se que era a forma dos nobres se divertirem sem despertar a atenção do povo.

Máscara carnavalesca com detalhes em purpurina azul e amarela, e penas verdes, em cima de uma mesa ao lado de um vaso lilás com uma vela acesa dentro.

Encontramos diferentes explicações para o início do carnaval e o site “Significados” nos traz que a palavra tem origem no latim “carna vale”, que quer dizer “adeus à carne”, provavelmente uma referência ao início do jejum de carne que deveria ser feito durante a Quaresma. Jejum esse que também era dos prazeres humanos. E é por esse motivo que trago a importância de refletirmos sobre a maneira que desejamos viver esse tempo de festa. Quanto mais nos conhecemos, menor é a necessidade de nos escondermos atrás de máscaras para liberarmos sentimentos não trabalhados em nossas vidas. Quanto mais nos conhecemos, mais podemos aproveitar de forma alegre e saudável. Saber quem somos nos permite dizer sim e não com segurança, em qualquer lugar e para todas as pessoas, sem que isso nos traga uma distonia ou uma culpa.

A marchinha de carnaval “Noite dos Mascarados”, autoria de Chico Buarque, era alegremente cantada pelos foliões. A letra nos passava a ideia de que no dia seguinte tudo voltaria ao normal, mas que no carnaval tudo poderia ser vivido e extravasado como dito anteriormente. Um trecho da música diz assim:

“Mas é carnaval, não me diga mais quem é você

Amanhã tudo volta ao normal

Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar

Que hoje eu sou da maneira que você me quer

O que você pedir, eu lhe dou

Seja você quem for, seja o que Deus quiser.”

Mulher com fantasia de carnaval dourada, com coroa cheia de pedras douradas e prateadas penduradas, e asas grandes com penas em azul, vermelho e amarelo pendurada em suas costas.

Longe de mim mudar a poesia aqui escrita ou o romantismo que isso costumava trazer, mas em tempos modernos se faz necessário refletir: quem está por trás da própria máscara? O que essa máscara esconde? Eu conseguiria fazer sem a máscara o que faço com ela? E, se conseguir responder a essas perguntas, segue o trio elétrico, deixa o barco correr, deixa o dia raiar e bom carnaval!!

Sobre o autor

Ana Racy

Ana Racy

Psicanalista Clínica com especialização em Programação Neurolinguística, Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente, Microexpressões faciais, Leitura Corporal e Detecção de Mentira. Tem mais de 30 anos de experiência acadêmica e coordenação em escolas de línguas e alunos particulares. Professora do curso “Psicologia do Relacionamento Humano” e participou do Seminário “O Amor é Contagioso” com Dr. Patch Adams.

E-mail: [email protected]