Convivendo

Compreendendo o perdão

Mulher com uma venda nos olhos escrito "sorry".
Tereza Gurgel
Escrito por Tereza Gurgel
O perdão genuíno é muito difícil de ser compreendido e um desafio quase impossível, em alguns casos, de ser exercitado. Muitas vezes alimentamos a raiva e o ressentimento, o que acaba por envenenar o nosso viver.

Perdoar não significa esquecer ou minimizar todo o mal recebido. Nem significa nos reconciliarmos com quem nos magoou, ou tolerarmos um comportamento negativo. Perdoar é retomar o poder sobre sua vida, seguir adiante, direcionando a energia – e as crenças limitantes – para o bem viver no aqui e no agora. É uma mudança de atitudes e sentimentos em relação à ofensa recebida.

Homem e mulher com as mãos segurando uma a outra.

Para a filósofa Hannah Arendt, o perdão pode liberar recursos individuais e coletivos, em face do irreparável. Claro que existem situações em que praticar o perdão é tarefa virtualmente impossível, como nos casos de violência extrema.

Precisamos, porém, compreender que a raiva nos impede de ter uma vida psicológica mais saudável.
 Ela alimenta a desconfiança e, ao longo do tempo, pode frustrar qualquer relacionamento.

Certas crenças equivocadas nos mantêm presos, tal como esperar que o ofensor nos dirija um pedido sincero de desculpas, reconhecendo o erro cometido. O perdão não exige desculpas! Perdoar não deixa ninguém vulnerável a novos ataques.

O perdão é uma virtude moral, ao contrário da reconciliação, onde há uma estratégia de negociação e as pessoas envolvidas podem se reunir em confiança mútua.

Mãos humanas libertando uma pomba na natureza.

Existem pesquisas que demonstram que o perdão é uma habilidade que pode ser aprendida com a terapia ou com ações educativas. A metodologia do perdão de Stanford estabelece nove passos para perdoar:

1 – Saber exatamente como você se sente sobre o ocorrido e o que não foi correto; procure compartilhar sua experiência com pessoas de sua confiança;
2 – Assumir o compromisso de fazer o que for preciso para se sentir melhor;
3 – Entender que é necessário encontrar a sua paz; isso não é tolerância ou reconciliação com a ofensa ou o ofensor;
4 – Reconhecer que a dor que está atuando agora vem de algo que ficou no passado (remoto ou recente);
5 – Reconheça os sinais de estresse emocional e procure aplicar alguma técnica para controlá-lo;
6 – Não espere nada de outras pessoas, pois ninguém está obrigado a lhe proporcionar aquilo que é de sua responsabilidade; é justo querer amor, paz e prosperidade, mas devemos nos esforçar para tornar isso realidade em nossas vidas;
7 – Busque novas maneiras de alcançar seus objetivos positivos, em vez de direcionar toda a sua energia mental repassando suas mágoas e ressentimentos;
8 – Valorize aquilo de positivo que está ao seu redor;
9 – Escolha deixar de dar poder ao seu ofensor: perdão se refere ao poder pessoal de cada um.

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O perdão mais difícil é o autoperdão. Imaginar que nós mesmos somos capazes de causar sofrimento aos outros e reconhecer nossa responsabilidade pode ser extremamente difícil e doloroso. A sensação de culpa é uma emoção muito complexa e pode nos tornar prisioneiros de nós mesmos pelo resto de nossas vidas. Aliada a tudo isso, segue a sensação de vergonha e medo de nossas desculpas não serem aceitas. Mas você deve estar ciente de que, em qualquer caso, você não tem controle sobre os sentimentos das outras pessoas. Apenas os seus sentimentos e emoções é que podem ser analisados e modificados por você mesmo, com muito empenho.

O que importa é que você deve se reconhecer como um ser humano falível, como qualquer outro. A perfeição simplesmente é um mito! E o reconhecimento dessa verdade o faz ficar mais forte, pois serve de impulso para desenvolver melhores ações e hábitos. Escolha não ser mais refém da culpa e do remorso, e não hesite em procurar ajuda especializada para orientar o seu desenvolvimento.

Referências:

Perdão – https://pt.wikipedia.org/wiki/Perd%C3%A3o
“Forgiveness: A Sampling Of Research Results”- American Psychological Association, 2006 – https://web.archive.org/web/20110626153005/http://www.apa.org/international/resources/forgiveness.pdf
Stanford Forgiveness Projects – www.learningtoforgive.com

Sobre o autor

Tereza Gurgel

Tereza Gurgel

Formada em Psicologia (F.F.C.L. São Marcos - SP). Filiada à ABRATH (Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos) sob o número CRTH-BR 0271. Atua na área Holística com Reiki, Terapia de Regressão e Florais de Bach. Mestrado em Reiki Essencial Metafísico e Bioenergético Usui Reiki Ryoho, Shiki, Tibetano e Celtic Reiki. Ministra cursos de Reiki e atende em São Paulo (SP).

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