Autoconhecimento

Comprometimento consigo mesmo. O que é de fato?

Mulher sentada no topo de uma montanha de pernas cruzadas meditando
Matteo Di Iorio/Unsplash
Andrea Fray
Escrito por Andrea Fray

Comprometimento é uma base estrutural de conhecimento a ser assimilado e praticado, pois para qualquer coisa que escolhamos fazer na nossa vida é preciso dispor dele.

O comprometimento vem do latim “compromissos” e representa o ato de fazer uma promessa recíproca. Partindo desse significado, podemos dizer então que comprometimento consigo é prometer algo a si mesmo.

Por isso lhe pergunto agora:

Você está se comprometendo com o quê para consigo? COM O QUÊ VOCÊ TEM SE COMPROMETIDO PARA RETORNAR O QUE QUER PARA VOCÊ MESMO? Tem sabido gerir o comprometimento? Você tem conseguido se envolver com atividades e atitudes que retornem para si mesmo?

Homem apoiando seus braços em um uro olhando para o lado com a luz do sol em seu rosto
Margot pandone/Unsplash

Comprometer-se é diferente de cumprir. Comprometer-se tem a ver com envolvimento. Cumprir é fazer. Ambos bons, porém podem não ter relação com o comprometimento. Cumprir pode ser mais um check verde na sua lista de pretensões e obrigações. Enquanto é intrínseco ao comprometimento a relação de retorno, do “devolver” a si mesmo a satisfação e a energia empregada.

Comprometer-se consigo é poder ter conhecimento suficiente sobre seu universo próprio para poder fazer escolhas e realizações apropriadamente legítimas. Aí sim, quando se une cumprimento e compromisso… Uau! Integram-se recursos para grandes realizações e retornos.

Em parte, a falta de lucidez sobre a natureza do comprometimento vem em função da educação moral, cultural e religiosa que distorce o conceito do COMPROMETIMENTO e do FAZER POR SI MESMO E PARA SI MESMO, associando esse ato a algo ruim.

Normalmente, a temática do fazer por si mesmo vem munida por uma CRENÇA COLETIVA CULTURAL pesada na qual o fazer por si e para si só é “permitido” se for cumprido com esforço, só havendo valor ou reconhecimento social se, o fazer por si, estiver correlacionado ao esforço. Notamos isso em frases usuais do tipo: “Estou me esforçando…”, “Estou na luta”, “Sou um guerreiro(a), por isso mereço chegar lá!”.

Há também a outra vertente coletiva-cultural distorcida sobre o conceito do “fazer por si e para si”, que parte de julgamentos e críticas sobre o indivíduo: “Você é muito egoísta”, “Você só pensa no seu umbigo”, “Você tem que doar para o outro, se colocar no lugar do outro, ajudar e olhar para o outro” e então gera culpa.

Mulher em um campo de gramado segurando flores de Girassol
Ethan Robertson/Unsplash

Não digo aqui que essas frases estejam completamente equivocadas, no entanto, quando se trata da aplicação delas no contexto relativo à aplicação da energia do comprometimento para consigo mesmo, elas podem impactar negativamente, desviando, primeiramente, o sujeito de si mesmo e então de sua conexão com o sentido de sua realidade e bússolas internas e, por consequência, acabar por bloquear a energia potencial para fazer girar o seu envolvimento com o objetivo de dar à individualidade o retorno a si mesma.

E, como já disse, por não termos instruções emocionais e comportamentais suficientes durante a formação da personalidade e outras tantas interferências que aprisionam a consciência na ignorância e impedem a gestão pessoal sadia, falha-se com o autocomprometimento na fase adulta.

Venho então chamar a atenção para o saber sobre si.

É preciso saber trabalhar na inteligência da natureza acerca da individualidade. É preciso aprender a lidar com ela em si. Lembrando que homem e natureza são uma mesma unidade.

O homem é inteiramente natureza em expressão humana. Assim, poder trazer à consciência o seu todo íntegro é essencial para que seja possível sua aplicação no cotidiano, utilizando do comprometer-se consigo como manifestação da inteligência em seu poder de realização.

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É preciso lucidez sobre o que é comprometimento para depois ampliar a percepção sobre com o que você está se comprometendo de forma inconsciente e reajustar a força para onde sua consciência realmente almeja, e então ter condição de retornar a si mesmo o que de fato QUER.

Sempre existe, antes de qualquer ação, o nível de envolvimento que você tem consigo, com o seu todo, a base na qual tudo o que existe e existirá acontece: o comprometimento.

Suas REALIZAÇÕES DE VIDA, bons ou maus relacionamentos, doenças, escolha e profissão. O envolvimento com o que você emana está diretamente relacionado ao retorno que você terá — comprometimento. É uma LEI DO UNIVERSO.

PRESTE ATENÇÃO!

Existe sempre um caminho de evolução: a lucidez!

Sobre o autor

Andrea Fray

Andrea Fray

Terapeuta integrativa sistêmica, pós-graduada em psicologia cognitiva e comportamental com ênfase em terapia familiar e de casal, master em hipnose conversacional (Change Work) e coach - life, leader, professional (turn point).

Possui também especialização em meditações ativas, gestão de pessoas e formação em processos gerenciais.

Idealizadora do método CCD (Current Context Diagnosis) de terapia breve.

Pesquisadora, escreveu artigo científico, abordando a autenticidade como método na clínica psicológica.

Atua desde 2005 realizando atendimentos individuais e para grupos com crianças, adolescentes e adultos em espaços terapêuticos, escolas, CAPSIS, promovendo projetos próprios na área de desenvolvimento humano, atendendo demandas de forma exclusiva, criando propostas e processos totalmente particulares.

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