Autoconhecimento Comportamento

Conhecendo meus talentos e o sabor das maçãs

Ilustração de mulher pegando maçãs do pé
Cintia Ski Pelissari
Conhecem aquela música bonita que fala sobre andar devagar? Foi o que fiz recentemente; ritmo lento e olhar observador.

Presenciei os últimos dias de inverno (dignos de verão devido ao calor insano) sentada no jardim de casa observando o vento assobiar, fazendo graça bagunçando meus cabelos e queimando minhas bochechas já naturalmente rosadas.

Momentos de introspecção e acolhimento. Sentir-me semente esperando a chuva para florir.

Quando o vento cessava, escutava o silêncio. Silêncio que às vezes machuca porque estou me ouvindo, investigando meus pensamentos e sentimentos. Mas, considero uma dádiva em dias tão barulhentos poder pausar e silenciar para ouvir o que meu coração tem para me dizer.

Conseguir me ouvir é importante para realizar o balanço de inverno e dar boas-vindas à primavera – estação que representa renovação de ciclos e crescimento. Representação perfeita de transformação; saída do recolhimento para o florescimento. Estação do despertar.

Ilustração de maçã ilustrada com paisagem de fazenda

E numa destas tardes, acordei do cochilo com a barriga roncando por alguma coisa diferente. Resolvi preparar uma sobremesa. Já que estou avaliando uma possível transição de carreira, porque não tentar algo diferente e inusitado?

Gosto muito de cozinhar, mas preparar doces não está na lista de minhas habilidades culinárias, e se preciso elaborar uma sobremesa, a cozinha se torna um território hostil. É muito inusitado pra mim.

A sobremesa escolhida foi calda de maçãs. Logo na primeira linha da receita: descascar as maçãs. (?!)

Nunca descasquei maçãs. Sempre que preparo sucos, bolos ou mesmo comendo as benditas nunca senti necessidade de tirar a casca. Não sei descascar maçã. Reconheço sem acanhamento.

Podemos pensar; como assim não sabe descascar uma maçã? Parece um pouco ridículo; como não saber fritar um ovo. E nem é tão fácil assim fritar um ovo. Comparados, descascar a maçã foi uma tarefa relativamente fácil.

Ilustração de maçãs em prato

Consegui tirar as cascas. Claro que não cabe aqui a descrição da cena, pois foi um pouco cômica. Destaco a parte interessante: me permiti verbalizar “não sei” para algo que parecia muito simples. Considerei que apesar de nunca ter feito, não significava que não conseguiria realizar.

Esta descrição boba da sobremesa é para ilustrar que estava cansada de estar alerta e parecer inteligente. Não precisava provar que sei descascar uma fruta. Queria contemplar o frescor de uma atividade nova e simples. Muito relacionado à busca pelo que fazer em relação à minha carreira: dizer sem receios que “não sei”, mas estou disposta aprender algo novo com a mesma alegria e disposição que dediquei a tudo que hoje “sei”.

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Ser diferente a cada experiência, ser como a primavera de Clarice Lispector que “renasce cada dia mais bela exatamente porque nunca são as mesmas flores”“A beleza da vida se esconde ali, basta querer enxergar.

Sobre a sobremesa, aproveitei o tempo para brincar de Rita Lobo e sonhar acordada. Depois acordar e constatar que visualmente meu doce ficou um desastre, quando meu marido entrou na cozinha e olhou para a panela dizendo: Batatas ao molho madeira?

Morri. De rir.

Sobre o autor

Cintia Ski Pelissari

Cintia Ski Pelissari

Reikiana e praticante de meditação há mais de dez anos, idealizadora do Projeto Pessoas Possíveis – Práticas de Bem-Estar, ministra cursos sobre autoconhecimento por meio de atividades de escrita e contação de histórias.

Facilitadora da divulgação da mensagem de gratidão de Brother Steindl-Rast por meio do site viveragradecidos.org

Grata pelas inúmeras oportunidades amorosas que a vida me oferece diariamente para compartilhar meu amor fraterno.

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