Autoconhecimento Filosofia

Criador e criatura: a beleza da criação

Ilustração de um grupo de lâmpadas gigantes cujo formato se assemelha a cabeças humanas, disposto em um campo.
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Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos

Tudo o que existe na natureza surgiu de algum lugar, de alguma ideia. Nada surge do nada. Tudo tem uma causa. Segundo a Bíblia, Deus é o único que é a sua própria causa. Ele fez todas as coisas à sua imagem e semelhança. Disso decorre uma questão filosófica séria: qual é a causa das criações artísticas, da filosofia, da literatura? É possível o ser humano criar algo realmente original? De acordo com Michel Foucault, em sua obra “História da Loucura”, a loucura não é natural, mas estratégia que se opera sobre os corpos. Ou seja, é uma forma de preconceito. Para o filósofo francês, somente os loucos são verdadeiramente criadores de poesia, de arte de ciência. Leia a seguir a criação de três filósofos, veja se eles são originais e descubra a beleza da criação!

“Paradigma”

Fotografia do filósofo e cientista Thomas Khun, de óculos e roupas sociais, olhando para a câmera com expressão séria.

O termo “paradigma” é um legado de Thomas S. Kuhn (1922-1996) para a civilização ocidental. Quando você ler ou ouvir alguém falar em paradigma, lembre-se foi Thomas S. Kuhn que criou esse termo. E o que vem a ser paradigma? Segundo o próprio Kuhn, “paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma” (p. 281-282). Paradigma, portanto, é uma evolução da inteligência humana e envolve todos, principalmente as áreas da ciência, da medicina e da pedagogia. No entanto, ainda segundo o próprio filósofo, “é difícil fazer com que a natureza se ajuste a um paradigma”. Enfim, paradigma é lei, é amor, é arte, é tecnologia, é poesia; paradigma pode ser também uma religião, um sistema político e assim por diante.

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“Filosofia clínica”

Dois livros abertos e um livro fechado dispostos um sobre o outro.

Filosofia clínica é a utilização da filosofia na prática clínica. Ela surgiu na Europa, com o objetivo de aconselhar o ser humano diante das dificuldades da vida, aliviando as dores existenciais do sujeito. No Brasil, ela surgiu com as ideias do médico, psicólogo e psiquiatra Lúcio Packter, no Rio Grande do Sul. A filosofia clínica parte do princípio de que não há patologias e adota como metodologia a história de vida do sujeito, levando-o a encontrar no seu eu interior a resolução de seus problemas. Na filosofia clínica, a pessoa humana é sempre sujeito de sua própria história. Ele nunca é tratado como “coitadinho” ou “vítima”. Em vez disso, a filosofia clínica tematiza que é no próprio ser humano que se encontra a cura e a resolução de todos os problemas. Enfim, ela nos ensina que não devemos buscar fora aquilo que já se encontra dentro de cada pessoa: a autoestima, o conhecimento, o amor-próprio e a esperança.

“Filosofia do olhar”

Mulher caminhando à beira da praia, com sua imagem refletida na água do mar.

Filosofia do olhar é uma corrente filosófica contemporânea que parte do princípio de que as coisas precisam ser vistas como elas são. A filosofia do olhar adota a educação do olhar como método para se chegar ao conhecimento verdadeiro e à essência das coisas. Dessa forma, a filosofia do olhar parte do princípio de que “o olhar que repousamos sobre o outro é o mesmo olhar que temos sobre nós mesmos” e afirma: “a realidade mais difícil de ser vista é aquela que está diante dos nossos olhos”. Tudo isso aparece no livro “O primeiro olhar: a filosofia em contos amazônicos”, do professor e filósofo Luís Carlos Lemos da Silva.

Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).