Autoconhecimento Psicapometria

Enfrentando a solidão

Paulo Tavarez
Escrito por Paulo Tavarez

A solidão não é nada mais do que um protesto da alma. É como se ela gritasse por socorro em meio a um deserto, sem ninguém para ouvi-la, sem ninguém para compartilhar o seu desespero.

Todos nós trazemos demandas internas, nosso mundo interior é feito de desejos e necessidades íntimas e o que queremos é justamente encontrar um meio de nos livrarmos desses incômodos, por isso nos projetamos no mundo, por isso nos projetamos no outro e por isso precisamos nos relacionar. Na verdade, em todo relacionamento, o que está em jogo é um interesse egoísta, pois o que se busca sempre é encontrar um espelho para projetar as nossas angústias.

O outro também tem os mesmos interesses e precisa da gente tanto quanto precisamos dele, por isso é lícito, por isso nos relacionamos.

A grande verdade é que tudo aquilo que enfrentamos em nossos relacionamentos é o nosso próprio ser. O homem, por natureza, é um animal solitário, pois o mundo acontece, apenas dentro dele.

A relação humana, portanto, é uma relação de troca de lixos emocionais, nada mais do que isso, por mais absurda que pareça essa afirmação, na raiz de qualquer encontro de corpos estão os desejos e necessidades de ajuste de cada um.

Woman looking through the old window on the garden or forest in the countryside. Black and white photography. Fairy tail motive.

Quando nos encontramos, impedidos de despejar as nossas mazelas no outro, em função das injunções da existência, nos sentimos solitários. É nesse momento que devemos nos enfrentar, é nesse momento que começa o bom combate, pois é justamente diante de si que o homem cresce e se descobre. Sem uma companhia, o indivíduo se vê obrigado a dialogar consigo mesmo e encarar a própria sombra, mas isso ocorre quando ele não resiste a esse confronto, pois o mais comum é evitá-lo através de mecanismos de fuga, como remédios, entorpecentes, distrações, etc. Ou seja, passamos a vida fugindo da própria alma. Não aprendemos ainda que a dor é uma ação desesperada do inconsciente em busca de atenção.

O mito do herói, presente em todas as fábulas, não é nada menos do que o retrato da luta que somos obrigados, pelo próprio Universo, a participar. Para libertarmos a princesa, presa na torre do castelo, teremos que enfrentar um dragão no caminho. A princesa representa a nossa alma (anima) e o dragão é o retrato das nossas culpas, frustrações, revoltas, enfim, é o retrato da nossa sombra, de tudo aquilo que não tivemos recursos emocionais para enfrentar e, em um dado momento, nós negamos e inconscientizamos.

O casamento final (coniunctio), que celebra o final feliz dessa história, é justamente o despertar da plenitude humana, nesse momento, Shiva encontra-se com Shakti e acontece a integração da anima. Cada ser humano do planeta está diante de sua própria saga e, por esse motivo, em nossas orações, só deveríamos pedir força e coragem, nada mais. Percebem agora porque o mestre Jesus dizia: Não vim trazer a paz, vim trazer a espada?

A solidão faz parte de uma necessidade ontológica, todos nós seremos compelidos ao mesmo destino e a resistência é a maior responsável pelo sofrimento que envolve a condição humana.

Está na hora de aceitar o nosso destino, confiar no Universo, levantar a cabeça e enfrentar os minotauros, bruxas, dragões e feiticeiras que se escondem no âmago do nosso ser.

Estar só não é estar sozinho! Estar só é uma necessidade, estar sozinho é circunstancial. Solidão a dois, como dizia o poeta Cazuza, é quando não encontramos mais um ambiente no outro para projetarmos os nossos desconfortos.

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Sobre o autor

Paulo Tavarez

Paulo Tavarez

Pedagogo, escritor, instrutor de Yoga e criador de uma terapêutica chamada Psicapometria. Tenho artigos publicados em vários sites voltados para o desenvolvimento da Consciência.

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