Convivendo

Esperança

Uma mulher erguendo os seus braços ao meio de um pôr do sol.
KieferPix / Shutterstock
Escrito por Luis Lemos

Tente imaginar uma pessoa sem esperança. Como ela seria? Certamente ela seria uma pessoa sem rosto, sem coragem, sem alegria, sem alma, portanto uma pessoa triste e sem vida. Agora, tente imaginar uma pessoa com esperança. Como ela seria? Certamente ela seria uma pessoa forte, com alma, coragem, determinada, portanto uma pessoa alegre e feliz.

Para entender bem a força da esperança na nossa vida, devemos, independentemente da ideologia, ser pessoas de fé. Quando perdemos a fé, nuvens escuras de desespero pairam sobre nossa cabeça. Ou seja, para quem não acredita em Deus, a esperança não passa de uma mera ilusão, de algo que nunca será alcançado.

É como a utopia para Eduardo Galeano. “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isto: para que eu não deixe de caminhar.”

Uma porta cuja luz incide diretamente sobre um homem de pé.
3402744 de pixabay / Canva

No entanto, para quem tem fé, para quem acredita em Deus, a esperança serve para isto: para que nunca desanimemos; para que nunca paremos de sonhar. Sem esperança, não somos nada. A esperança é um sentimento que torna a vida e as paixões humanas mais leves, significativas. É o campo próprio da crença, aquele impulso de relação pessoal com o sagrado como necessidade interior. É a esperança genuína.

Outrossim, por que perdemos tanto tempo presos às mazelas da vida? Por que não tornamos a nossa vida mais alegre? Por que não somos capazes de valorizar o que há de melhor no ser humano? Por que o homem atual é tão angustiado em vez de ser esperançoso? Que tal deixarmos nossos medos de lado e fixarmos nossos olhos mais além da realidade, para imaginar outro mundo possível?

A importância da esperança na nossa vida é que ela limpa o desânimo que se aloja no coração humano e nos liberta do sofrimento, da tristeza e das angústias humanas. Pelos benefícios psicológicos e sociais que propicia, a esperança é a via de acesso à felicidade humana. Não existe felicidade plena sem a certeza de que as coisas vão melhorar. Do comportamento esperançoso, resulta ainda a tendência natural do ser humano de acreditar num futuro melhor, glorioso, cheio de conquistas.

Uma mulher de braços erguidos num gramado.
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Para isso, a educação da esperança deve ser incluída entre os propósitos da ação pedagógica, o que supõe o conhecimento último do seu modo de funcionamento. Ou seja, não existe esperança egoísta. Ou vencemos todos, ou perdemos todos. Por isso, é preciso nutrir-se de esperança.

Numa sociedade tão egoísta, tão consumista, tão capitalista, tão hedonista, ter esperança é importante para que as pessoas levem uma vida menos atribulada. Com ela, o ser humano tem uma visão de mundo mais ampliada positivamente. Porém é fundamental que sejamos mais humanistas, para que possamos seguir a nossa caminhada mais leve, feliz e realizado.

Para o filósofo Mario Sergio Cortella, “a coisa mais importante na vida, quando não temos nenhuma outra coisa, é a esperança, mas tem que ser a esperança do verbo esperançar, que significa não desistir, e não a esperança do verbo esperar, essa não é esperança, e sim espera”. A falta de esperança dificulta tudo, independentemente da crença.

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Por fim, ao contrário do que imagina o senso comum, a esperança não é a última que morre. A esperança, por ser esperança, não morre jamais. Quem tem esperança, sabe que um dia a tempestade passa e que o choro cessa; que o medo é superado, e a confiança chega; quem é humilhado será exaltado; e quem tem fé, tem Deus; e quem tem Deus, tem tudo.

Sobre o autor

Luis Lemos

Luís Lemos é filósofo, professor universitário e escritor, autor, entre outras obras, de Filhos da Quarentena: A esperança de viver novamente, Editora Viseu, 2021.

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