Relacionamentos

Eu vejo você

Casal se olhando
Olena Yakobchuk / 123rf
Fernanda Colli
Escrito por Fernanda Colli

O isolamento social nos causou muitas incertezas e muito medo; por outro lado, nos proporcionou tempo e oportunidades de refletirmos sobre mensagens, pensamentos e até frases que utilizamos para nos expressar.

Em um dia qualquer de isolamento social, aproveitei para assistir Avatar, e mais que depressa já me emocionei ao relembrar que o povo Na’vi, povo nativo de Pandora que não pronunciava “eu te amo”, mas sim “eu vejo você”, e o tempo agora me permitiu refletir sobre a verdade tão escancarada dita em uma obra que fez história no cinema.

Ver o outro é a essência do que é o amor. Quando enxergamos o outro, nós o reconhecemos como nosso semelhante, vamos além da superfície, deixamos o TER de lado para embarcarmos numa viagem no SER do outro.

Quando “vemos o outro”, significa algo mais que enxergá-lo fisicamente; significa ver com um olhar amoroso, se conectar mesmo com as diferenças.

Quando vemos o outro, vemos também sua dor, e a vontade de ajudar parece ser maior que tudo, até mesmo possíveis diferenças; vemos no outro também seus potenciais e pensamos logo em enaltecê-los custe o que custar.

Ver o outro significa aceitar tudo o que eu vejo, mesmo que aquilo não me agrade e esteja bem longe de se encaixar nos padrões e moldes que acredito. Ver o outro é ser sua luz, sua alma, sua sinceridade, e tudo isso sem julgamentos, culpas, expectativas ou projeções.

Quando eu vejo você consigo sentir a profundidade de todas suas experiências.

Quando eu digo “eu vejo você”, não significa que eu estou olhando você. É algo muito mais profundo que isso; é você deixar de lado todo o julgamento para enxergar você de verdade, até porque agora eu consigo me ver.

Você também pode gostar

Eu vejo você é sinônimo de você existe e é importante para mim. Eu te respeito, eu te valorizo, e toda minha atenção está com você, eu vejo você e me permito descobrir suas necessidades, vislumbrar seus medos, me aprofundar nos seus erros e aceitá-los.

Eu aceito você como você é, e você faz parte de mim.

Sobre o autor

Fernanda Colli

Fernanda Colli

Pedagoga, psicopedagoga, arte-educadora, membro da IOV Brasil, pesquisadora sobre a importância da educação e cultura para evolução da sociedade. Trabalhos e artigos publicados sobre a importância da preservação de nossa identidade. Atua em projetos de manutenção e fomento da cultura popular.

Email: [email protected]