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Feliz meio ano! Soluções para um sentimento meio incerto

Taças de espumante e decoração festiva criam uma atmosfera elegante de celebração e confraternização.
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Escrito por Nina Veiga

Chegar à metade do ano pode despertar a sensação de que estamos entre o que já passou e o que ainda não aconteceu. O texto convida a transformar a incompletude em oportunidade, criando novos rituais de renovação para resgatar a esperança, rever caminhos e recomeçar.

Há certas épocas do ano que não favorecem a renovação. Quando se está no meio do ano, às vezes é preciso sacudir um pouco a vida para conseguir consertar o rumo que o ano tomou, apesar do desejo e da esperança de que fosse um bom ano.

Para isso, talvez uma fórmula para se conseguir um “up” extra seja uma reinauguração. Minha sugestão é fazer uma linda ceia, vestir um traje branco e começar de novo.

Sabe aquela popular máxima do copo meio cheio ou meio vazio? Pois é. Estou assim com o ano. Não sei se já passou meio ano ou se ainda falta meio ano. Acho que isso acontece quando o ano está meia boca.

Celebrações iluminadas por brindes e faíscas revelam a alegria dos encontros e dos momentos especiais compartilhados.
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Bem, talvez eu deva esclarecer o que vem a ser ‘meia boca’. Assim, jogado como um adjetivo legítimo sem aspas ou qualquer tipo de marcador ou modalizador, pode depor contra a capacidade expressiva dessa que vos fala. Portanto, vou ensaiar uma explicação meia boca.

Vejamos… um guarda-chuva, segundo um não tão conceituado blogueiro, o guarda-chuva é um bom exemplo para meia boca, diz ele: “Odeio guarda-chuvas. O guarda-chuva é um exemplo clássico de invenção meia-boca. Você sai na chuva com um desses e certamente vai se molhar.

Claro que não tanto quanto se molharia sem um guarda-chuva. Mas vai se molhar do mesmo jeito. O guarda-chuva funciona ‘meia-boca’. É o suficiente para que não se invista em melhores soluções. Já funciona meia-boca.” Nesse universo dos meios, o meio ano é um período morno.

O semestre acaba, mas o ano não, as férias chegam, mas não completamente. É inverno, mas o calor é seco e sufocante. Enfim, ficamos com uma sensação de incompletude, de meio-tudo. Talvez seja um pouco de mau humor. Talvez. O fato é que não me sinto tão bem assim.

Queria que fosse Natal. Aí sim, o ano acabaria, as festas alegrariam, as férias trariam uma promessa de relaxamento e descanso. E o ano, tendo sido bom ou mal, seria uma lembrança. Poderíamos dizer: foi um bom ano ou, graças, o ano acabou.

O problema de agora é que estamos no meio. O que passou ainda atua sobre nós e o que virá não é tão renovador para nos fortificar. Já sei: vou inventar um novo ritual de renovação. Vista branco e abra o espumante. Feliz Meio Ano!

Sobre o autor

Nina Veiga

A artemanualista e ativista delicada Nina Veiga é doutora em educação, escritora, conferencista. Sua pesquisa habita o território da casa e suas artes, na perspectiva da antroposofia da imanência. É idealizadora e coordenadora do coletivo Ativismo Delicado e das pós-graduações: Artes-Manuais para Educação, Artes-Manuais para Terapias e Artes-Manuais para o Brincar. Desenvolve trabalhos de formação de artífices e escritores. Suas oficinas associam o saber teórico-conceitual às artes-manuais como modo de existir e à escrita como produção de si e do mundo.

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