Comportamento Educação dos filhos

Homeschooling em tempos de pandemia

Imagem de uma base escolar feita dentro de casa para que as crianças possam participar das aulas de forma remota devido à pandemia do novo coronavírus.
Martin Vorel / Pixabay
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Devido à implementação de medidas de isolamento social para frear o contágio da covid-19, uma prática de ensino passou a fazer parte de muitas famílias brasileiras: o homeschooling. Antes mesmo de se popularizar em meio à pandemia, o ensino domiciliar já era realidade em países como Estados Unidos, Bélgica, França e Noruega. Será que esse método veio para ficar? Abaixo, saiba mais sobre os prós e os contras do homeschooling.

O que é?

O homeschooling é uma modalidade de ensino na qual os pais ou tutores legais se responsabilizam pela educação formal dos filhos. As aulas, que também podem ser ministradas por um professor contratado, são realizadas em casa, sem que se frequente uma instituição de ensino.

Essa forma de ensino é legalizada em diversas localidades do mundo, entre as quais Noruega, Portugal, Rússia, Itália e Canadá. Nesses países, os alunos passam por uma avaliação anual a fim de verificar se não há nenhum comprometimento no processo de aprendizagem. Por outro lado, em países como Alemanha e Suécia, o ensino doméstico é considerado crime.

Embora não exista inconstitucionalidade no homeschooling aos olhos da lei brasileira, a prática não é regulamentada. Segundo o artigo 55 do Estatuto da Criança e do Adolescente, os pais ou responsáveis legais devem matricular seus filhos na rede regular de ensino.

No entanto, a medida provisória nº 934/2020 (MPV nº 934/2020) estabelece regras excepcionais para o ano letivo, tanto na educação básica quanto no ensino superior,
devido à pandemia do novo coronavírus.

Atualmente, essa modalidade de ensino fez-se necessária como uma das alternativas de isolamento para frear o avanço do vírus. Com as escolas fechadas, as salas de aula migraram para as telas dos computadores e dos celulares, fazendo com que essa prática fosse valorizada e sua regulamentação debatida.

Imagem das mãos de um estudante sobre um notebook. Ele está estudando de forma remota devido à pandemia do novo coranavírus. Sobre a mesa temos um livro, uma calculadora e um ipad com caneta.
Niklas Patzig / Pixabay

Como surgiu?

A escola contemporânea é objeto de críticas por diversos setores da sociedade: seja pelo método avaliativo baseado em testes de retenção de conteúdo, seja pela desconfiança por parte dos pais de que seus filhos estejam passando por alguma doutrinação ideológica pelo corpo docente.

Um dos primeiros teóricos a defender a “desescolarização” e a prática do ensino doméstico foi John Holt (1923-1985). Professor de Harvard, ele criticou o sistema educacional e liderou um movimento internacional pelo homeschooling entre os anos de 1960 e 1970.

Para o educador, as crianças não devem ser coagidas a estudar. Conforme explica, as crianças irão desejar aprender naturalmente, caso seja dada a oportunidade e a liberdade de seguirem seus próprios interesses. Atualmente, as ideias de Holt embasam os discursos dos defensores dessa modalidade de ensino.

Quais as vantagens do ensino remoto?

A educação em casa oferece algumas vantagens. Segundo os apoiadores do homeschooling, além de respeitar a mobilidade geográfica dos pais, há ainda melhor planejamento do conteúdo ensinado. Como esse é feito e pensado de forma individualizada, é possível focar em problemas específicos de aprendizado que a criança possa apresentar.

Imagem de dois irmãos gêmeos estudando em casa de forma remota devido à pandemia do Covid-19. Eles estão deitados sobre o chão do quarto. Um deles está segurando o ipad em suas mãos.
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De acordo com a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), outros motivos que levam os pais a valorizarem o homeschooling são a possibilidade de fazer integração entre conhecimentos de áreas diversas, maior flexibilidade de tempo e também maior convivência com os filhos.

E as desvantagens?

Por outro lado, o ensino domiciliar tem sido alvo de críticas. Entre elas, defende-se que a modalidade de ensino remoto adotada no Brasil durante a pandemia não pode ser considerada homeschooling. Isso se deve ao fato de que no ensino feito em casa há uma participação mais ativa dos pais no processo educacional: eles atuam do planejamento de conteúdo ao percurso formativo da criança. O que vemos hoje, entretanto, são escolas passando orientações e tarefas para serem seguidas em casa, além das aulas online com os professores da instituição.

Além disso, estima-se que cerca de 44% dos alunos de 6 a 19 anos que se encontram entre os 20% mais pobres do país não têm acesso a nenhum recurso tecnológico, seja computador, seja celular. Dessa forma, essa modalidade de ensino torna-se excludente ao contribuir indiretamente para o aumento da desigualdade de aprendizado.

Outra crítica ao método de ensino são as tendências ideológicas com as quais muitos pais podem influenciar seus filhos. Em tempos de terraplanistas e negacionistas da história, todo cuidado é pouco. Vale ressaltar ainda que a escola é um importante espaço de convivência, no qual se aprende a respeitar e a compreender as diferenças e opiniões alheias.

Imagem de uma criança estudando em casa de forma remotamente durante o período do isolamento social devido à pandemia do Covid-19.
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O que esperar para o futuro?

Não há como negar que o ensino remoto vem sendo uma medida substancial para achatar a curva de contágio da covid-19. Embora o homeschooling não seja um método isento de falhas, as aulas online devem ser valorizadas enquanto alternativa para amenizar os impactos do novo coronavírus até o desenvolvimento e a aplicação de uma vacina.

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No entanto, ainda há muito o que melhorar, especialmente em termos sociais. Democratizar o acesso à tecnologia entre os mais pobres, repartição das tarefas pedagógicas entre os pais, de forma que as mães não sejam as únicas responsáveis pelo aprendizado dos filhos, e atividades mais dinâmicas e lúdicas a fim de tornar o estudo menos maçante são algumas ações a serem adotadas para deixar essa modalidade de ensino mais prazerosa e eficaz.

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